Área de 242 mil metros quadrados fica na Avenida Augusto Barata, entre os bairros Alemoa e Saboó, em Santos; projeto para o local inclui pátio regulador para 460 caminhões (Alexsander Ferraz/AT) A Justiça Federal negou o recurso (embargos de declaração) da Autoridade Portuária de Santos (APS) e manteve a suspensão da licitação para a construção de um condomínio logístico na Cidade. O certame está paralisado desde dezembro do ano passado, após liminar concedida em favor da Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres (Abratec), que pediu a suspensão do certame por discordar do edital. Ainda não há data para a sentença nessa ação. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! A área tem 242 mil metros quadrados (m²) e fica na Avenida Augusto Barata, entre os bairros Alemoa e Saboó, em Santos, em frente ao Terminal da Brasil Terminal Portuário (BTP) e do futuro Tecon Santos 10. O projeto para o local inclui um condomínio logístico com pátio regulador para caminhões, serviços e espaços para refeição e descanso de motoristas. No recurso à Justiça, a gestora do cais santista alegou que a Abratec havia “induzido o juízo a erro ao afirmar que apenas um participante teria concorrido no certame” e que “a decisão padeceria de obscuridade”. Essas alegações foram desconsideradas pelo juiz Diogo Henrique Belozo, da 1ª Vara Federal de Santos, em decisão na semana passada. Para o diretor da Abratec, Caio Morel, a melhor solução é realizar novo certame para a exploração da área “destinando o ativo para a movimentação de contêineres com ampla participação de todos os interessados, sem restrições, valorizando o imóvel para o poder público”. “O processo licitatório da APS não teve transparência, não houve participação social por meio de audiências públicas e o trâmite licitatório foi de apenas 15 dias, não havendo tempo para os interessados avaliarem o investimento. Foi uma surpresa para o setor”, argumenta. Para a Abratec, a licitação fere a Lei de Liberdade Econômica (13.874/2019). Publicado em 21 de outubro, com prazo até 12 de novembro de 2025 para envio de documentos, o edital recebeu apenas uma proposta considerada “irrisória”, de R\$ 1,20 por metro quadrado ao mês por uma área estratégica do Porto de Santos. No mesmo dia, APS lançou dois editais para cessão de áreas destinadas a condomínios logísticos em Santos e no Guarujá. As propostas foram recebidas em 17 de dezembro, também com participação única. O Consórcio Portlog venceu em Santos, e o Consórcio Marlog–Petrasalis Logística, no Guarujá. Juntos, os projetos preveem 877 vagas para caminhões, com operação a partir de 2029. Os contratos somam R\$ 477,9 milhões em investimentos e prazo de cessão de 20 anos. Outro Lado Em nota, a APS informa que juntou aos autos recente manifestação do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), a qual ratifica substancialmente as informações anteriormente prestadas em relação à oferta ao mercado, e está confiante de que a mesma será devidamente considerada quando decisão da 1ª Vara Federal de Santos, que deve estar próxima de ocorrer”. “A destinação da área como afeta a operações portuárias seria incorreta, e não é que está definido no Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) do Porto de Santos. A área do projeto, conhecida historicamente como “Terreno da Rede” (antiga RFFSA), está expressamente enquadrada no Capítulo 2.4 do PDZ de 2020 como Áreas e instalações não afetas às operações portuárias”. A Autoridade Portuária defende “a manutenção das regras atuais, incluindo as salvaguardas concorrenciais, que visam impedir a formação de monopólios verticais e garantir que a infraestrutura essencial de acesso ao Porto não seja capturada por um único grupo econômico, em prejuízo dos demais usuários. “O certame visa atender ao interesse público imediato de organizar o fluxo de caminhões na Margem Direita”. Entidades Além da ação judicial, a Abratec, juntamente com outras cinco entidades do setor (ABTL, ABTP, Abtra, ATP e Fenop), enviou uma carta conjunta ao Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) solicitando a anulação imediata do edital do condomínio na Margem Direita. Segundo a APS, quanto ao condomínio logístico da Margem Esquerda, em Guarujá, o resultado foi homologado em 21 de janeiro, conforme previsto. “O Consórcio Marlog - Petrasalis Logística agora tem três meses para apresentar a documentação pertinente para firmar o contrato”, explica a administradora do Porto.