Nos portos, Renata destacou que a judicialização está muito associada à cobrança de tarifas: divergências sobre quem deve cobrar e pagar (Sílvio Luiz/AT) Comunicação clara e transparente e empatia das pessoas que atuam na logística do setor portuário são atributos indispensáveis à eficiência das operações, impactando no aumento da produtividade e na redução de custos e judicializações. A visão é da professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e especialista em infraestrutura Renata Moura Sena, que ministrou a palestra Economia Comportamental Impacta Custos, Produtividade e Segurança na Logística, nesta quinta-feira (16), na Intermodal South America, em São Paulo. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Segundo a especialista, a judicialização pode não nascer de falhas operacionais, mas de ruídos na comunicação e da percepção de injustiça por parte dos envolvidos. “A comunicação é o mais efetivo. Muitas vezes, os processos não acontecem por um problema concreto, mas por falhas de transparência ou de informação”, afirmou. No contexto dos portos, Renata Sena destacou que a judicialização está fortemente associada à cobrança de tarifas. Divergências sobre quem deve cobrar e quem deve pagar alimentam conflitos entre operadores, terminais e embarcadores. “Uma das maiores reclamações é justamente a falta de transparência. Quanto é efetivamente? Para quem será pago? Quem pode fazer essa cobrança? Por que há cobranças que parecem duplicadas?”, afirmou Renata, ressaltando mais uma vez a falha na comunicação. De acordo com ela, esse cenário cria um ambiente propício para disputas judiciais. “Esse tipo de falta de transparência leva aos questionamentos e à percepção de injustiça”, disse. Mas, a especialista ressaltou que a solução não é apenas comunicacional. Em muitos casos, o problema está na própria estrutura regulatória. “Se a legislação não é clara, ela deixa margem. E aí não adianta só melhorar a comunicação, o problema é estrutural”, explicou. Frete rodoviário Renata mencionou ainda outro ponto crítico, desta vez relacionado à tabela do frete rodoviário. “Os empresários questionam se aquela tabela considera o tipo de caminhão utilizado ou as variáveis reais da operação”, afirmou. Para a especialista, o caminho passa pelo diálogo e pela produção de estudos técnicos que sustentem eventuais revisões. “Se é um problema, é preciso mostrar que precisa ser alterado. É uma solução mais demorada, mas que resolve o impacto estrutural”, afirmou. Durante a palestra, a especialista explicou que fatores psicológicos – como sensação de injustiça, baixa confiança nas instituições e decisões emocionais – influenciam a decisão de judicializar. Ela citou o setor aéreo como exemplo: uma pequena parcela de voos concentra a maior parte das ações judiciais, elevando custos que acabam sendo repassados ao consumidor. “O problema não é só operacional, mas como a situação é comunicada”, destacou. A especialista apontou as seguintes soluções: comunicação transparente e imediata; oferta de compensações diretas antes da judicialização; atendimento mais humanizado; redução da expectativa de ganhos na Justiça e criação de canais de diálogo mais acessíveis. Para o setor portuário, a adoção dessas práticas pode significar não apenas menos litígios, mas também ganhos operacionais. Renata avalia que a redução de disputas diminui custos jurídicos, evita atrasos e melhora a previsibilidade das operações. “Não é uma solução única. É um conjunto de ações, de curto e longo prazo, que precisam ser implementadas para gerar transparência e reduzir custos”, salientou. A especialista ainda reforçou o papel da comunicação institucional e da imprensa nesse processo. “Se o problema é falta de transparência, é preciso informar, comunicar e pressionar. É assim que algumas questões começam a ser resolvidas”, pontuou.