O 3º Fórum de Integração dos Supervisores de Segurança Portuária de Santos aconteceu nesta quarta-feira (25) no Terminal de Passageiros Giusfredo Santini (Vanessa Rodrigues/AT) Por ser o maior do Brasil, o Porto de Santos é também o mais vulnerável a crimes. A complexidade do cais santista exige ações de segurança conjuntas de autoridades e empresas, dizem especialistas. Clique aqui para seguir agora o canal de Porto & Mar no WhatsApp! “Hoje, o nosso maior desafio é combater o tráfico de drogas e o de armas”, explica o gerente de segurança patrimonial e corporativo Matheus Paixão, que faz parte da Comissão de Supervisores de Segurança do Porto de Santos. Matheus destaca a relevância da aproximação entre os entes públicos e privados para o sucesso das ações de segurança na área portuária. “Com o uso da inteligência, equipamentos e novas tecnologias, além do apoio da segurança pública”, diz ele, que foi um dos participantes do 3º Fórum de Integração dos Supervisores de Segurança Portuária, realizado nesta quarta-feira (25) no Terminal de Passageiros Giusfredo Santini – Concais. A troca de experiências e soluções foi ressaltada no evento. Ela é tida como fundamental para um ambiente portuário mais seguro e eficiente, seja na segurança das pessoas e operações ou no combate a crimes e irregularidades. O delegado da Polícia Federal e presidente da Comissão Nacional de Segurança Pública nos Portos, Terminais e Vias Navegáveis (Conportos), Marcelo João da Silva, destaca o intercâmbio entre os portos no setor. “A gente tem colegas de outros complexos portuários compartilhando boas práticas e soluções para desafios como controle de acesso, controle de carga e segurança orgânica, por exemplo, que ajudam quem está enfrentando o mesmo problema”. O delegado adjunto da Alfândega da Receita Federal do Porto de Santos, auditor-fiscal Reinaldo Angelini, destaca a atuação do órgão. “Somos cobrados para manter a segurança, fomentando a agilidade do comércio exterior. Nossa missão é celeridade e segurança aduaneira. A gente trata, além do desembaraço aduaneiro da carga, das irregularidades que podem estar à margem do controle aduaneiro, como contrabando e descaminho”. Capitão de corveta da Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP), Rafael Saidel da Costa diz que a Marinha do Brasil está alinhada aos demais órgãos para atuar na segurança nos portos. “É muito importante interagir e se conectar na prevenção e na verificação das vulnerabilidades que possam ocorrer nas instalações portuárias. Cada um contribuindo de alguma forma para o aumento do nível de segurança”. Acidentes O coordenador institucional do fórum e assessor técnico da Gerência Regional da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) em Santos, Daniel Alves dos Santos, apresentou o aplicativo Oi-BR, que permite comunicar acidentes no Porto de Santos em tempo real. A inovação tecnológica já é utilizada por órgãos públicos de segurança e fiscalização e por terminais privados que operam nos portos de Santos e São Sebastião. Daniel esclarece que o dispositivo foi doado à Antaq por desenvolvedores da Faculdade de Tecnologia (Fatec), sem custo. “Os órgãos públicos e os terminais informam as ocorrências pelo aplicativo e esses dados nos ajudam a desenvolver ações preventivas. Utilizamos o app desde janeiro do ano passado e constatamos que os acidentes de trânsito no porto são as ocorrências de maior incidência”. Segundo ele, as ocorrências são avaliadas e ações preventivas são discutidas nas reuniões bimestrais e itinerantes da Comissão Estadual de Prevenção de Acidentes e Incidentes do Complexo Portuário de Santos e São Sebastião (Cepae). Cibersegurança está no radar da comunidade portuária Com o avanço veloz da tecnologia, também cresceram os ataques cibernéticos e os portos não estão livres. No intuito de blindar o sistema portuário contra esse tipo de ataque, a Comissão Nacional de Segurança Pública nos Portos, Terminais e Vias Navegáveis (Conportos) editou a Resolução nº 53. “Os ciberataques foram incorporados ao tema segurança portuária porque os ataques que mais geram prejuízos às instalações portuárias têm origem virtual”, comenta o gerente de segurança patrimonial e corporativo Matheus Paixão, que faz parte da Comissão de Supervisores de Segurança do Porto de Santos. “Esses ataques podem parar uma operação portuária, de entrada e saída de navios de cruzeiros ou de carga, por exemplo. Então, o tema é importantíssimo”, afirma Matheus. O diretor-executivo da Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (Abtra), Angelino Caputo, cita as modificações rápidas das tecnologias disponíveis. “O problema é que ninguém sabe exatamente o que vai acontecer. Na inteligência artificial, as mudanças são muito aceleradas. Mal nos acostumamos com uma tecnologia e ela se torna obsoleta, surge outra. Como nos encaixamos nesse processo? Essa é a questão”.