[[legacy_image_281382]] A temporada de cruzeiros 2023/2024 começa no fim de outubro, mas a expectativa é grande desde já. Até porque os números são superlativos em relação à anterior, que terminou em abril: 195 dias de duração (com final nos primeiros dias de maio do ano que vem) e expectativa de ofertar mais de 840 mil leitos, uma alta de 7% se comparada ao último ciclo, segundo estimativas da Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Clia Brasil). Além disso, é prevista a criação de 48 mil empregos no País de forma direta, indireta e induzida, sendo cerca de 15 mil na Baixada Santista, o equivalente a pouco mais de 30% do total, de acordo com projeções da Associação dos Profissionais do Turismo da Baixada Santista (APT). Esse pacote pode provocar impacto de R\$ 3,9 bilhões na economia nacional. Como não poderia ser diferente, o assunto envolvendo os cruzeiros marítimos movimentou a semana e colunistas de Porto & Mar de A Tribuna comentam a seguir o tema. Nas palavras deles, diversas e importantes vertentes que convidam o leitor a uma viagem tão atraente quanto as promovidas pelos suntuosos navios. Angelino Caputo, diretor-executivo da Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (Abtra) "A Abtra está com ótimas expectativas sobre a temporada de cruzeiros 2023/2024, que, conforme já anunciado por A Tribuna, deve ser a maior dos últimos anos. Como já se sabe, os cruzeiros movimentam toda a economia da Baixada Santista. Isso inclui rede hoteleira, restaurante, comércio, táxi, transporte por aplicativos, estacionamento, salão de beleza e assim por diante, além das atividades necessárias para o próprio embarque e desembarque dos passageiros. Como já anunciado, estima-se que cerca de 15 mil vagas de emprego diretos e indiretos sejam criadas, o que gera renda para o habitante da região, que adicionado ao dinheiro gasto pelos turistas no consumo de produtos e serviços, bem como os impostos gerados nessas atividades, devem colaborar muito para a saúde financeira dos municípios, recuperando grande parte daquilo que não foi possível durante o período da pandemia. Como associado da Abtra, o Concais, responsável pelo Terminal de Passageiros, usa em sua operação alguns sistemas tecnológicos comunitários oferecidos pela associação, o que representa uma modesta contribuição nossa para auxiliar na complexa operação dos navios, que envolve muita segurança e a entrada e saída de pessoas e veículos nas áreas alfandegadas. Nosso desejo é que as temporadas tragam cada vez mais e maiores navios e também que se estendam por períodos maiores até que um dia, quem sabe, possam deixar de ser temporadas e se tornem linhas permanentes de turismo, usando como hub principal o Porto de Santos e cobrindo todo o litoral" Ricardo Pupo Larguesa, engenheiro de computação, sócio-fundador da T2S, professor e pesquisador na Fatec Rubens Lara "A notícia da estimativa de criação de 15 mil empregos diretos e indiretos na Baixada Santista devido à próxima temporada de cruzeiros marítimos 2023/2024 é altamente encorajadora. Esta é uma clara evidência do quanto a indústria de cruzeiros, devidamente apoiada por tecnologias portuárias adequadas, pode impulsionar a economia local, gerar empregos e estimular outras indústrias, como comércio e serviços. Como especialista em tecnologia portuária, aplaudo o impacto substancial que o setor de cruzeiros está trazendo para a região. Por outro lado, o aumento previsto do tráfego de cruzeiros e a necessidade de gerir eficazmente uma maior quantidade de pessoas e bens exigem uma aplicação inteligente da tecnologia portuária. A implementação de tecnologias avançadas, como a automação, a análise de dados e a IoT (internet das coisas) nos portos, pode permitir operações mais eficientes e seguras. A otimização do tráfego marítimo, o monitoramento em tempo real das condições das embarcações, a digitalização de documentos, entre outras coisas, podem ser conseguidos com a adoção adequada de tecnologias portuárias. Além disso, a gestão sustentável das operações portuárias é um aspecto crucial a ser levado em conta. A tecnologia pode desempenhar um papel importante na minimização do impacto ambiental das atividades portuárias. Soluções tecnológicas, como a utilização de energia renovável e a automatização dos processos, podem contribuir para a diminuição da poluição e do desperdício, criando um porto mais sustentável e amigável ao meio ambiente. Este equilíbrio entre crescimento econômico e sustentabilidade é crucial para o futuro do setor portuário e da indústria de cruzeiros" Lucas Rênio, advogado especialista em trabalho portuário “A temporada de cruzeiros é um fator positivo no âmbito da relação Porto-Cidade, especialmente no que se refere à geração direta e indireta de empregos. É importante, no contexto particularizado da relação capital-trabalho, que as autoridades observem a Lei do Pavilhão e demais disposições da Convenção sobre o Trabalho Marítimo da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A segurança jurídica quanto a esse tema certamente contribuirá para a expansão dos investimentos no setor, gerando, consequentemente, mais trabalho, renda, arrecadação para as regiões portuárias e, enfim, progresso social” Flavia Maya, advogada corporativa e especialista em diversidade "As projeções da temporada de cruzeiros 2023/2024 da Baixada Santista, apresentadas pela Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Clia Brasil), refletem uma oportunidade ímpar para ações de inclusão social, em especial com um olhar para as comunidades de entorno do Porto de Santos. Para isso, é importante que tanto a indústria de cruzeiros, quanto o próprio Porto, tenham uma visão das necessidades e vulnerabilidades dessas comunidades. A geração de empregos prevista nas projeções deve ser complementada pela capacitação de pessoas, a exemplo do Projeto Jovens Tripulantes, que deve preparar 150 pessoas em situação de vulnerabilidade social para a atuação no setor. É fundamental que ações como essa sejam fomentadas e protagonizadas pelo setor, para que os frutos da temporada sejam aproveitados pelas diversas comunidades impactadas pelas atividades do Porto. E, ainda, para que a cidade venha a estar ainda mais preparada e convidativa para as temporadas futuras"