[[legacy_image_292099]] Os congestionamentos voltaram a atrapalhar a vida de caminhoneiros no Porto de Santos por três dias nesta semana - terça (22), quarta (23) e sexta (25) -, em meio a obras que ocorrem dentro e fora da região portuária. Na terça, houve relatos de profissionais apontando até quatro horas de trânsito para superar um trajeto que, em dias normais, poderia ser feito em cerca de 15 minutos, no trecho desde a Avenida Engenheiro Sérgio da Costa Matte (Perimetral) até a Avenida Augusto Barata (Retão da Alemoa). Na quarta, tanto no período da manhã quanto da tarde, um dos trechos mais afetados foi o da Avenida Augusto Barata. Ontem, muitas reclamações sobre o trânsito na Via Anchieta, na entrada da Alemoa. O problema é antigo e denuncia os tradicionais gargalos do transporte de carga para o complexo portuário santista. Como não poderia ser diferente, o assunto movimentou o setor e colunistas de Porto & Mar, de A Tribuna, comentam a seguir o tema e apresentam soluções. Luis Claudio Santana Montenegro, engenheiro civil e mestre em Engenharia de Transportes pelo Instituto Militar de Engenharia "O problema do congestionamento está associado à organização. Entendo que já foi feito um planejamento muito legal de agendamento, que deu uma organização muito melhor para o Porto de Santos. Mas o volume de transporte e o crescimento da Cidade chegam em um momento que você tem que ampliar essa organização. Existe um projeto que foi estudado há uns sete, oito anos pela Secretaria de Portos junto com a Espanha, em parceria com o governo espanhol, que é de constituir uma zona de atividade logística nas proximidades do Porto de Santos. Na época, foram estudados de quatro a cinco locais que são viáveis para a implantação desse projeto e aí isso precisa acontecer. O fluxo para o Porto de Santos precisa ser organizado a partir de uma área desse tipo, em que você cria uma coordenação muito bem sintonizada, com muita tecnologia, para organizar todo esse fluxo para o Porto. Pelo tamanho do Porto de Santos, isso é imprescindível. Minha compreensão é que o planejamento feito lá em 2014 para o agendamento da organização do acesso precisa evoluir para integrar uma zona de atividades logísticas, como na Espanha. Por sinal, a Espanha é um dos principais países em termos de estrutura para esse tipo de coisa. Então, a gente precisa estruturar uma zona de atividades logísticas nas proximidades de Santos e consegue fazer toda a otimização do fluxo a partir de lá. O fluxo gerido não é só rodoviário. Pode-se pensar em otimizar fluxos ferroviários. Além disso, fazer fluxos de barcaças por hidrovais. É preciso dar umma olhada nisso com calma. Acho que esse estudo que foi feito precisa ser resgatado. O assunto precisa evoluir nesse sentido" Caio Morel, diretor executivo da Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres (Abratec) "Penso que três fatores levam aos frequentes congestionamentos de trânsito no entorno do Porto de Santos. O primeiro fator se prende à utilização predominante do modal rodoviário no transporte de cargas originadas e destinadas ao Porto. Esta situação já poderia ter sido resolvida, não fossem os embates regulatórios em torno da concessão da Ferrovia Interna do Porto de Santos (Fips) e da implementação da pera ferroviária. Existe, a partir de agora, um horizonte de três anos para termos a infraestrutura necessária ao aumento do transporte ferroviário, diminuindo a circulação de caminhões na zona portuária e, consequentemente, os congestionamentos. O segundo fator se relaciona à capacidade insuficiente das vias de acesso e, para este problema, temos a previsão de obras para a reforma da Avenida Perimetral da Margem Direita e melhorias na Avenida Perimetral da Margem Esquerda. As duas estão previstas no novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O terceiro fator diz respeito às deficiências na manutenção das vias, sempre muito esburacadas e que atrapalham o fluxo, um problema crônico que precisa ser solucionado pela nova administração da Autoridade Portuária de Santos (APS). Podemos salientar como o grande desafio desta gestão da APS, pois deverá também executar as obras de dragagem de aprofundamento do canal para 17 metros, outro serviço fundamental de infraestrutura portuária incluída no novo PAC" Ricardo Pupo Larguesa, engenheiro de computação, sócio-fundador da T2S, professor e pesquisador na Fatec Rubens Lara "Existem diversas estratégias para mitigar congestionamentos como os que foram observados ao longo desta semana no Porto de Santos. Entre as principais alternativas, destacam-se as obras de infraestrutura, como a construção de pontes, viadutos, ampliação de faixas e criação de bolsões de estacionamento. Paralelamente, soluções tecnológicas podem ser aplicadas ao setor, como monitoramento em tempo real, plataformas digitais de agendamento e a implementação de veículos autônomos e conectados, também são essenciais. Uma resposta eficaz a esse desafio seria desenvolver uma plataforma unificada que consolide os sistemas de agendamento de todos os operadores portuários. Com a supervisão do poder público, essa plataforma otimizaria a gestão do fluxo de veículos, alinhando-os à demanda antecipada e reduzindo os congestionamentos. Com essa estratégia centralizada, as autoridades teriam em mãos uma ferramenta robusta para antecipar e organizar o tráfego de maneira eficaz, minimizando gargalos e garantindo uma circulação mais ágil na área portuária"