Sede corporativa da Huawei em Xangai conta com lagos artificiais, edifícios inspirados em diferentes estilos arquitetônicos e sistema próprio de transporte (Alexandre Lopes/ AT) Se existe uma visita capaz de sintetizar tudo o que a Missão Porto & Mar 2026 encontrou na China até agora, ela aconteceu nesta sexta-feira (29), em Xangai. A comitiva brasileira capitaneada pelo Grupo Tribuna conheceu o campus da Huawei, uma estrutura tão grandiosa que desafia qualquer comparação convencional. Mais do que uma sede corporativa, o complexo parece uma cidade construída para o futuro. Clique aqui para seguir agora o canal de Porto no WhatsApp! Lagos artificiais, pontes, jardins, edifícios inspirados em diferentes estilos arquitetônicos europeus e um sistema próprio de transporte ferroviário para deslocamento dos funcionários transformam o local em um ambiente que lembra cenários vistos apenas em filmes de ficção científica. Em alguns pontos, a paisagem remete a cidades históricas da Europa. Em outros, a impressão é de estar dentro de um centro de inovação projetado para as próximas décadas. A grandiosidade impressionou empresários, executivos e autoridades presentes na missão. Com mais de 20 mil funcionários trabalhando apenas nesse complexo, a Huawei criou um ambiente pensado não apenas para desenvolver tecnologia, mas para atrair talentos, estimular criatividade e fortalecer relações internacionais de negócios. A experiência também ajudou a desconstruir uma percepção ainda comum fora da China. Embora seja mundialmente conhecida pelos smartphones, relógios inteligentes e equipamentos de telecomunicações, a Huawei se transformou nos últimos anos em uma gigante global de tecnologia. Hoje, a companhia atua em áreas como inteligência artificial, computação em nuvem, conectividade, data centers, energia digital, automação industrial e infraestrutura inteligente. Fundada em 1987, a companhia está presente em mais de 170 países e atende bilhões de pessoas por meio de suas soluções tecnológicas. A empresa investe anualmente dezenas de bilhões de dólares em pesquisa e desenvolvimento, sendo considerada uma das organizações que mais investem em inovação no planeta. Com aparência futurista, algumas instalações da Huawei deixaram comitiva brasileira impressionada; objetivo é atrair novos talentos para a companhia (Alexandre Lopes/AT) Transformação portuária Após percorrer parte do campus, a delegação participou de uma reunião com executivos da companhia, que apresentaram a trajetória da empresa e os projetos desenvolvidos para diferentes setores da economia. Entre os temas abordados, chamou atenção o trabalho realizado pela Huawei na transformação digital dos portos. A empresa vem ampliando investimentos em soluções voltadas à automação portuária, inteligência artificial, redes privadas 5G, monitoramento operacional e integração de dados em tempo real. Na China e em projetos internacionais, a Huawei vem ampliando sua participação em soluções voltadas à transformação digital de portos inteligente, permitindo maior eficiência logística, redução de custos operacionais e aumento da segurança das atividades. Essas soluções incluem desde controle automatizado de equipamentos até sistemas capazes de integrar informações de navios, terminais, caminhões e centros logísticos em uma única plataforma digital. A aproximação entre tecnologia e infraestrutura portuária foi um dos temas que mais despertaram interesse entre os integrantes da missão, especialmente diante dos desafios de modernização enfrentados por portos em diversas partes do mundo. Campus da empresa tem até lagos artificiais para proporcionar relaxamento a 20 mil funcionários (Alexandre Lopes/AT) Reflexões necessárias Para Maxwell Rodrigues, consultor para assuntos portuários do Grupo Tribuna, a experiência trouxe reflexões que vão além da tecnologia. “Quando olhamos para a área de negócios no Brasil, muitas vezes relacionamos tudo apenas a custo e desenvolvimento. Aqui eles tiveram uma preocupação genuína com a nossa delegação. Duas pessoas vieram do Brasil para nos receber. Isso é desenvolvimento de negócios na veia”. Segundo ele, a experiência também evidencia diferenças culturais importantes na construção de relacionamentos empresariais. “Muitas vezes queremos novos clientes, mas não queremos investir nos clientes. Depois que vendemos, muitas vezes esquecemos deles. Essa mentalidade precisa mudar. A Huawei mostra uma preocupação muito grande com relacionamento, experiência e construção de confiança”. Integrantes da Missão Internacional Porto & Mar foram recebidos por executivos da Huawei (Alexandre Lopes) Maxwell também destacou o cuidado estratégico observado no próprio ambiente criado pela companhia. “Quando chegamos a um campus como esse, parece que estamos nos Estados Unidos. Isso não aconteceu por acaso. Existe uma estratégia clara de aproximar culturas e tornar o ambiente mais familiar para pessoas do mundo inteiro”. Ao longo da missão, a delegação brasileira conheceu portos automatizados, empresas de inteligência artificial, fábricas inteligentes e sistemas de mobilidade autônoma. Na Huawei, porém, o impacto foi diferente. Mais do que apresentar tecnologias, a empresa mostrou como inovação, negócios, relacionamento e visão de longo prazo podem ser integrados em um mesmo projeto. E foi justamente essa combinação que transformou a visita em uma das mais marcantes da Missão Internacional Porto & Mar 2026 até agora.