Shoppings chineses apostam no mix de tecnologia, sofisticação e novidades para o público local e estrangeiros (Alexandre Lopes/AT) Durante décadas, muitos brasileiros associaram os produtos chineses à expressão popular ‘xing ling’ — rótulo ligado a itens baratos, simples e de qualidade duvidosa. Mas a experiência de consumo em locais como Pequim, Xangai e Hong Kong revela uma realidade muito mais sofisticada, tecnológica e complexa do que os antigos estereótipos sugerem. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! A China de hoje reúne dois mundos que convivem de maneira impressionante: continua sendo uma potência global na produção de bens de consumo em larga escala, mas também se consolidou como um dos mercados mais modernos e sofisticados do varejo internacional. E essa transformação aparece logo nos primeiros contatos com o comércio local. Ainda existem mercados populares, feiras tradicionais e centros comerciais voltados ao consumo de baixo custo, onde turistas encontram souvenirs, eletrônicos, acessórios e roupas por preços extremamente acessíveis. Em muitos desses locais, a negociação continua fazendo parte da experiência cultural, especialmente em regiões mais turísticas. Foi justamente essa capacidade chinesa de produzir em grande escala e com baixo custo que ajudou a construir, ao longo dos anos, a imagem que chegou ao Ocidente — e especialmente ao Brasil. Mas a China mudou. E mudou rápido. Hoje, grandes cidades chinesas abrigam alguns dos ambientes de consumo mais modernos do planeta. Em Xangai, regiões como Nanjing Road e Pudong concentram lojas de luxo, centros comerciais futuristas e experiências de varejo comparáveis às encontradas em cidades como Nova Iorque, Londres, Paris e Dubai. Em Hong Kong, bairros como Central e Causeway Bay seguem entre os maiores polos globais de compras premium, reunindo desde grifes europeias tradicionais até marcas asiáticas que ganharam espaço no mercado internacional. Quem deseja experimentar culinária local ao viajar tem opções de sobra (Alexandre Lopes/AT) Integração tecnológica Mais do que shopping centers sofisticados, o que impressiona é a integração entre tecnologia, consumo e experiência do usuário. A China está entre os países mais avançados do mundo em pagamentos digitais. Em muitos estabelecimentos, o dinheiro em espécie praticamente desapareceu da rotina. O celular se tornou carteira, cartão, aplicativo de compras e plataforma de serviços ao mesmo tempo. Pagamentos instantâneos por QR Code, integração com aplicativos e sistemas automatizados fazem parte do cotidiano até mesmo em pequenos estabelecimentos. O varejo inteligente também avança rapidamente. Lojas com autoatendimento, reconhecimento facial, integração digital e experiências automatizadas se espalham pelas grandes cidades chinesas, reforçando a sensação de que parte do futuro do consumo já está acontecendo ali. Outro setor que chama atenção é o de tecnologia e eletrônicos. Marcas chinesas como Xiaomi, Huawei, DJI e Lenovo deixaram de ser apenas alternativas de baixo custo para disputar mercado global em inovação, design e tecnologia de ponta. Em muitos casos, turistas encontram produtos lançados primeiro na China antes da chegada aos mercados ocidentais. Em meio ao avanço tecnológico chinês, ainda há espaço para a tradição chinesa (Alexandre Lopes/AT) Sofisticação Além disso, cresce o protagonismo das próprias marcas chinesas em diferentes segmentos. Empresas locais passaram a investir fortemente em design, posicionamento de marca, experiência do consumidor e sofisticação de produto, abandonando a antiga imagem de simples fornecedoras industriais. A transformação também é percebida na indústria automotiva, no mercado de veículos elétricos, nos produtos inteligentes para casa e até no segmento de luxo, áreas em que a China passou de imitadora para protagonista global em poucos anos. Comércio de rua em Pequim também conta com diversificação de lojas e integração digital para compras (Alexandre Lopes/AT) Ao mesmo tempo, o país ainda preserva espaços ligados ao comércio popular e aos mercados informais, incluindo o universo das réplicas, que continua despertando curiosidade entre turistas estrangeiros. Porém, mesmo nesses ambientes, a percepção predominante é outra: a de um país que elevou drasticamente seus padrões de qualidade, tecnologia e capacidade de inovação. No fim, a China que o visitante encontra hoje é muito diferente daquela que ainda existe no imaginário de parte do mundo: um país onde consumo popular, luxo, inovação e tecnologia convivem no mesmo espaço — e ajudam a redefinir o futuro do comércio global. Washington Flores Junior, Bruno Orlandi e Rui Klein (Alexandre Lopes/AT) “Tudo o que vimos, em especial na Baidu, foi fantástico, principalmente o trabalho em relação à inteligência artificial. Os chineses têm muito a nos ensinar nesse campo. Chama atenção a rapidez com que eles fizeram essa transformação, com uma evolução enorme”, Washington Flores Junior, diretor-presidente da Bandeirantes Deicmar “Tivemos a oportunidade de ver muita tecnologia no Parque Científico de Zhongguancun. Com certeza, a gente leva na bagagem para Santos uma ampla compreensão desse processo para investir e cada vez mais buscar a excelência nas operações no setor portuário”, Bruno Orlandi, secretário de Assuntos Portuários e Emprego de Santos “Tivemos a oportunidade de conhecer toda a tecnologia chinesa aplicada em produtos, softwares e inteligência artificial. No Brasil, temos muitas aplicações possíveis e já interagimos com o pessoal da Baidu para avaliar oportunidades de desenvolvimento de produtos e testes em nossas rodovias”, Rui Klein, diretor de Concessões da EcoRodovias Ricardo Miranda, Cláudia Borges e Luis Floriano (Alexandre Lopes/AT) “A gente viu que a China tem um modelo social, econômico e político muito particular, com a tecnologia cada vez mais presente no mundo deles. Sem perder as raízes, os chineses se mostram muito mais abertos e buscam aplicar a tecnologia em prol da população, não só para criar riqueza”, Ricardo Miranda, diretor de Tecnologia da Santos Brasil. “O primeiro dia de agenda foi muito rico, uma experiência ímpar. Vimos a evolução tecnológica e, em Zhongguancun, pudemos observar o quanto os chineses estão avançados em todos os tipos de tecnologia, desde o uso de hidrogênio, medicina, robótica, foguetes e infraestrutura. Temos muito a aprender com eles”, Cláudia Borges, diretora-executiva da ABTP. “Desde a Missão Internacional para Israel (em 2023), a gente vê que a tecnologia é inevitável e torce para que tudo isso que conhecemos no exterior chegue logo ao Brasil. Sem dúvida, isso é melhor para empresa, cliente e trabalhador, que pode ser qualificado e passar a ter novas funções”, Luis Floriano, diretor-presidente do Concais.