Modelo pode envolver até R\$ 23,4 bilhões ao longo de 25 anos de contrato (Alexsander Ferraz/AT) A modelagem da concessão do canal de navegação do Porto de Santos, atualmente em fase de consulta pública, pode afastar empresas interessadas por causa do nível de risco imposto ao futuro concessionário. O alerta é do diretor-executivo da DEME Brasil, Disney Barroca Neto. A empresa, de um grupo belga, venceu a primeira concessão de canal de acesso portuário do País, em Paranaguá (PR). Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Segundo ele, o modelo proposto para Santos ainda precisa de maior amadurecimento técnico e traz exigências financeiras e operacionais consideradas elevadas para a iniciativa privada. A DEME atua no Brasil desde 2006, por meio da Dragabras. Em outubro do ano passado, a companhia venceu o leilão da concessão do canal de acesso de Paranaguá, em parceria com a FTSpar. A nova empresa criada para a operação, chamada Paranaguá Port Channel Company, terá 70% de participação da DEME e 30% da parceira local. A concessão terá duração de 25 anos. Barroca destacou que, no caso de Paranaguá, o concessionário não é remunerado diretamente pela dragagem, mas pelo aumento da movimentação portuária, o que, segundo ele, cria alinhamento de interesses entre empresa, autoridade portuária e usuários. “Se eu dragar muito, se eu dragar pouco ou se eu não dragar, isso não muda nada no meu perfil de receita. O que me remunera é o volume de movimentação do Porto de Paranaguá”. Segundo o executivo, a modelagem de Paranaguá contou com uma base técnica robusta e anos de estudos acumulados, situação que, na avaliação dele, não se repete em Santos. “Do ponto de vista de estudo técnico, o Porto de Santos não tinha tantos estudos prévios para disponibilizar para quem executou essa modelagem. Isso aumenta muito o perfil de risco”. Outro ponto criticado é o modelo financeiro previsto. “O nível de receita e a outorga que estão sendo exigidos no Porto de Santos são muito altos”, afirmou. “Você tem que pagar R\$ 200 milhões por ano para a Autoridade Portuária e mais a outorga variável. Quando você coloca esses números, já chega no início do contrato em mais ou menos R\$ 450 milhões”. O executivo afirmou ainda que alguns riscos previstos na matriz contratual preocupam o mercado, como os ligados à sedimentação futura do canal e até eventuais acidentes marítimos. “Tem vários exemplos, mas esses riscos que o concessionário precisaria assumir são riscos incertos em cima de um perfil de receita, de renúncia de receita, muito acentuado”. A DEME ainda não definiu se participará da futura disputa em Santos. “Hoje, não sou capaz de dizer se a gente teria interesse”.