O canal, construído pelos EUA no início do século 20, foi transferido ao controle do Panamá em 1999, como parte de um acordo bilateral (Divulgação) O secretário-geral da Organização Marítima Internacional (OMI), Arsenio Dominguez, descartou ontem qualquer possibilidade do Canal do Panamá deixar de ser administrado pelo governo local e voltar às mãos dos Estados Unidos. Dessa forma, Dominguez, que é panamenho, tenta colocar um freio nas declarações do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, que desde o final do ano passado faz ameaças nesse sentido e se queixa das taxas cobradas para passagem das embarcações. Em entrevista à Agência France-Presse (AFP), o secretário-geral da OMI não fugiu da questão, mesmo com o complexo logístico panamenho não estando sob sua gestão. “Isso não é da alçada do secretário-geral, pois não é algo que seja regulamentado dentro da organização, mas para mim está muito claro e não é um tema de muita conversa, porque os tratados foram assinados em 1977. O canal passou para as mãos do Panamá, que continua operando esta hidrovia vital e continuará a fazê-lo”. Às vésperas do Natal, Trump abriu baterias contra o Canal do Panamá e indicou, sem mencionar de forma clara, que o corredor comercial não deveria beneficiar os chineses. “O Canal do Panamá é considerado um ativo nacional vital para os Estados Unidos, devido ao seu papel crucial para a economia e segurança nacional. Ele foi dado ao Panamá para administração, não para outros países, e certamente não para impor tarifas exorbitantes aos EUA, sua Marinha e suas empresas”. O canal, construído pelos EUA no início do século 20, foi transferido ao controle do Panamá em 1999, como parte de um acordo bilateral. Atualmente, ele é utilizado para o transporte de aproximadamente 5% do comércio marítimo global, coma passagem de cerca de 14 mil navios por ano - Estados Unidos e China são os maiores usuários, o que atrai os olhares de boa parte do mundo para essa questão. “Se os princípios, tanto morais quanto legais, deste gesto magnânimo de doação não forem respeitados, exigiremos que o Canal do Panamá nos seja devolvido. (...) Esse completo roubo do nosso país vai parar imediatamente”, disse Trump, em dezembro. Na semana passada, o presidente eleito elevou o tom ao não descartar sequer o uso de força militar para retomar o canal e obter o controle da Groenlândia, que pertence à Dinamarca. “Não, não posso garantir nada sobre nenhum dos dois. Mas posso dizer o seguinte: precisamos deles para a segurança econômica”. .