Burlier acredita que a cabotagem depende da integração com os demais modais para ampliar participação (Arquivo/ AT) O olhar para a cabotagem e os ganhos em diferentes esferas do transporte de cargas estão entre os assuntos do 2º Encontro Porto & Mar, promovido pelo Grupo Tribuna na próxima terça-feira. Pela primeira vez, o evento acontecerá no Píer Mauá, o Terminal Internacional de Cruzeiros no Rio de Janeiro. Localizada no coração do Porto Maravilha, a área de 70 mil metros quadrados (m²) é composta por cinco armazéns. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! O assunto será tratado na palestra do secretário nacional de Hidrovias e Navegação do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), Otto Burlier, que terá como tema O novo tabuleiro da cabotagem: como o modal marítimo doméstico mitiga o Custo Brasil diante da nova Lei de Fretes e da instabilidade global. O início será às 15h10. Burlier lembra que, apesar da costa extensa, da proximidade das atividades econômicas com o litoral e da distribuição dos portos pelo Brasil, a matriz brasileira de transportes permanece concentrada no modo rodoviário. “A escolha do transporte considera toda a operação, incluindo acessos portuários, terminais, frequência dos navios, tempo de trânsito, burocracia, previsibilidade e custos da primeira e da última milhas. Também pesam a complexidade tributária e a preferência histórica pelo transporte rodoviário”, afirma. O secretário acredita que a cabotagem, embora mais competitiva em rotas regulares de médias e longas distâncias e com volume suficiente de cargas, depende da integração com os demais modais para ampliar a participação. “Essa integração é um dos focos do Plano Nacional de Logística (PNL) 2050, que orienta o planejamento de longo prazo a partir da articulação entre os diferentes modos e infraestruturas de transporte”, completa. Burlier lista oito entraves para o crescimento da cabotagem: deficiência nos acessos e nas estruturas portuárias; custos e demora das operações; baixa frequência e previsibilidade dos serviços; burocracia e complexidade dos procedimentos; custos da primeira e da última milhas; desequilíbrio dos fluxos regionais; disponibilidade limitada de embarcações adequadas; custos de combustíveis e de outros insumos. “A expansão exige ações integradas. Aumentar a oferta de navios não é suficiente sem portos, acessos e operações terrestres preparados”, argumenta. Redução de custos A cabotagem pode reduzir custos no transporte regular de grandes volumes por longas distâncias. A capacidade dos navios permite diluir despesas, melhorar a eficiência energética e reduzir a pressão sobre as rodovias. “O ganho deve ser avaliado de porta a porta, pois os caminhões geralmente realizam a primeira e a última milha. Por isso, os modos marítimo e rodoviário são complementares”, reforça Burlier. Evento e inscrições Além da palestra do secretário Otto Burlier, outras duas estão programadas para o 2º Encontro Porto & Mar (veja no quadro). A abertura, às 14 horas, será feita pelo diretor-presidente de A Tribuna, Marcos Clemente Santini, e por Flavio Vieira da Silva, diretor-presidente da PortosRio. Também haverá o painel O futuro da concorrência e da infraestrutura nos portos brasileiros, mediado pelo consultor para assuntos portuários do Grupo Tribuna, Maxwell Rodrigues, com início às 16h20. As inscrições para o 2º Encontro Porto & Mar estão quase esgotadas e podem ser feitas no link.