Segundo a Abac, no ano passado foram movimentados 1,923 milhão de TEU por meio de cabotagem. o que significa alta de 23,6% sobre 2024 (Carlos Nogueira/Arquivo AT) Um dado chamou a atenção no relatório anual divulgado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) na semana passada: o crescimento da navegação de cabotagem (entre portos dentro do País). Em 2025, a subida foi de 3,4%, somando 303,7 milhões de toneladas, contra 293,56 milhões de toneladas em 2024. O número consolida uma ascensão nos últimos anos, mas que permite voos ainda maiores. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! De acordo com a Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac), no ano passado foram movimentados 1,923 milhão de TEU (unidade de medida de um contêiner padrão de 20 pés) por meio de cabotagem. Alta de 23,6% sobre 2024, quando foram 1,556 milhão de TEU. Quanto ao volume total por segmento, ainda de acordo com os números da Abac, as cargas domésticas se sobressaíram, com 48,12% do total, seguido pelas cargas feeder (contêineres transportados por navios menores que conectam portos regionais a grandes hubs), com 40,22% e cargas para o Mercosul, com 11,66%. “A cabotagem é crucial no Brasil, não só por oferecer transporte de cargas com custos logísticos menores, mas principalmente por conectar de forma eficiente os portos ao longo da costa”, afirma o secretário nacional de Portos, Alex Ávila. Para ele, o aumento da movimentação de cargas por cabotagem é “reflexo do fomento à navegação por meio das políticas públicas e também do crescimento da movimentação doméstica de cargas e o serviço de feeder prestado para embarcações de longo curso”. Diretor-executivo da Abac, Luis Fernando Resano aponta que o crescimento da cabotagem também reflete o aumento na movimentação de contêineres, superior a 10% ao ano ao longo dos últimos 10 anos, como um importante indicativo do que é a maior compreensão do uso da cabotagem. “Temos muito a crescer ainda, porque o potencial da cabotagem para a descarbonização do País é gigantesco. Precisamos fazer com que isso seja visualizado pelos usuários da cabotagem”, pondera. Espaço para mais Mestre e especialista em projetos logísticos, Marcos Nardi entende que o crescimento é importante, mas ainda modesto frente ao potencial brasileiro para esse tipo de movimentação. “Deveremos ter ainda mais adesão a essa modalidade e esses números devem crescer ainda mais”, prevê. Para ele, o aumento da cabotagem é influenciado por vários fatores, como precariedade do sistema atual de transporte brasileiro, alto custo operacional, desbalanceamento da matriz de transportes e exacerbada carga tributária. Todos esses fatores obrigam os embarcadores a buscar alternativas que resultem em custos menores para o mesmo nível de serviço. “O BR do Mar (programa do Governo Federal para incentivar o transporte de cargas pelo mar entre portos brasileiros) foi criado com o intuito de promover esse crescimento, atualizando normas e promovendo a expansão dessa modalidade de transporte”, complementa. Porto de Santos é polo para ajudar o setor Em Santos, a cabotagem tem participação de 20% na movimentação de cargas conteinerizadas, sendo que longo curso responde por 80%. Para especialistas ouvidos por A Tribuna, o cais santista é fundamental para ajudar o setor. “Santos é um polo concentrador e está em uma localização do estratégica em relação a diversas regiões do País, se tornando atrativo para a recepção e expedição dessas cargas para atendimento a essa modalidade, sendo de suma importância para o sucesso dessa expansão”, aponta Marcos Nardi. Outros portos, como Chibatão, no Polo Industrial de Manaus, no Amazonas (67%); Suape, em Pernambuco (75%); e Pecém, no Ceará (79%), até apresentam porcentagens maiores de navegação de cabotagem, de acordo com o relatório da Antaq. Porém, são hubs com essa destinação. A porcentagem apresentada por Santos é vista com bons olhos pelo setor. “Todo mundo quer que a cabotagem cresça, evolua. Há uma boa distribuição. Os principais portos movimentam 20% de toda a movimentação usando cabotagem. E já tem alguns hubs característicos, como Chibatão, Suape e Pecém, onde a cabotagem está bem forte. É a razão de ser desses portos. Mas Santos já tem 20% de cabotagem”, aponta o gerente de estatística e avaliação de desempenho da Antaq, Fernando Serra, que participou da apresentação do relatório. Para Nardi, é importante a ampliação da capacidade portuária em Santos, para evitar atrasos nas atracações. O secretário nacional de Portos, Alex Ávila, também referenda a importância de Santos nesse contexto da movimentação de contêineres. “É natural que o Porto de Santos também ocupe merecida posição de destaque neste segmento de cargas". Ávila pontua que os maiores terminais de contêineres do País estão em Santos, e os números demonstram significativo aumento, em especial impulsionado pela modernização dos terminais, que operam com mais eficiência. Para ele, o aumento do volume de cargas nos portos brasileiros demonstra a importância do setor para a economia nacional, sobretudo para o agronegócio.