A Avenida Perimetral, em Santos, oferece risco de acidentes devido aos buracos (Alexsander Ferraz/ AT) Responsável por receber um grande fluxo de veículos, a Avenida Perimetral liga dois pontos importantes de Santos - o Centro Histórico e a Ponta da Praia -, movimentando a economia e o Porto. Apesar da importância, há um grande volume de buracos e irregularidades no asfalto que acabam causando sérios problemas. Um bom exemplo disso é mostrado em vídeo que circula nas redes sociais desde 23 de março: um motociclista sofreu uma queda na via, sentido Centro. Embora ele não tenha ficado ferido, a imagem impressiona pelo tombo. Com o trânsito constante de veículos pesados, há riscos de acidentes mais graves. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! A Reportagem de A Tribuna percorreu os dois sentidos da Perimetral (Sérgio da Costa Matte e Mário Covas Júnior) na última semana. Nesse período, constatou situações que atrapalham o dia a dia de quem depende do local para transitar. Há buracos de todos os tamanhos em trechos em que a velocidade dos veículos acaba sendo maior e também onde é menor, como perto da curva onde está o monumento ao trabalhador portuário, para quem se dirige à Ponta da Praia. Nas proximidades da passarela utilizada pelos turistas do Terminal de Passageiros Giusfredo Santini, administrado pelo Concais, o desnivelamento da pista é grande, o que se repete em alguns outros pontos. No caminho entre as avenidas Senador Dantas e Siqueira Campos, na parte de trás da sede da Autoridade Portuária de Santos (APS), os buracos também proliferam. Quando a Perimetral vira Mário Covas Júnior, a situação é um pouco melhor relacionada à quantidade de buracos e o desnivelamento, mas ainda existem. Nota-se também ao longo de todo o trecho percorrido que existem serviços de tapa-buracos - pela cor do asfalto muitos deles parecem ser relativamente recentes. Uma dessas operações, inclusive, acontecia no sentido Centro, na altura da Avenida Afonso Pena. De qualquer forma, é igualmente perceptível que ainda existe muito o que fazer para melhorar as condições de quem trafega pela Perimetral. Outro lado Procurada, a APS informou, em nota, que os trabalhos de repavimentação foram retomados no dia 13 de março, após a conclusão de uma nova licitação. “A empresa anteriormente responsável pelo serviço manifestou interesse em rescindir o contrato em agosto de 2025. A rescisão não ocorreu, e o contrato se encerrou em 6 de fevereiro deste ano, mas a empresa apresentou queda no nível de atendimento. Isso, somado às condições climáticas do período e o intervalo para o início das atividades do novo contrato, impactou as condições das vias”, explica o texto. O novo contrato de manutenção de vias em ambas as margens do Porto de Santos e em áreas sob a responsabilidade da Autoridade Portuária tem prazo de 30 meses de duração. O compromisso, de acordo com a APS, abrange a recuperação de pavimento asfáltico e de paralelepípedos, reparos no sistema de drenagem de águas pluviais e o fornecimento de equipamentos, materiais e mão de obra para a execução dos trabalhos, entre outros serviços especializados. Após a retomada, observa a APS, os trabalhos vêm ocorrendo diariamente. Como exemplo, a empresa pública federal cita a Avenida Augusto Barata, em frente à BTP, sentido Ponta da Praia, e a Avenida Antônio Prado, no trecho entre a Rua Cristiano Otoni e a passagem de nível do Armazém 1. Nos dois casos, recapeamento. A Autoridade Portuária explica que os serviços de recapeamento ocorrerão nos trechos identificados com essa necessidade. “Eles iniciaram em 13 de março deste ano e continuam conforme definido em cronograma. Já a operação tapa-buracos ocorre diariamente, sob demanda”. Caminhoneiros sofrem com situação da pista Os caminhoneiros que vêm ao Porto de Santos não escondem a insatisfação com os problemas envolvendo as vias da Perimetral e da Avenida Mário Covas Júnior. Com 52 anos e na profissão há 10, Adélio Dorcelino Enguel é de Araçatuba e está semanalmente no complexo santista. “É ruim demais, uma buraqueira incrível. Imagine o fluxo de caminhões nesse trecho do Porto. É muito grande. Não há asfalto que resista. Tudo trincando, aí chove e a água penetra ali, estragando todo o asfalto”, analisa, apontando para o cenário que se apresentava bem à frente dele. Nascido em Paranavaí, no Paraná, Renato Marteli tem 32 anos e, embora seja caminhoneiro há cinco, passou a frequentar o Porto de Santos nos últimos seis meses. Apesar do pouco tempo, a percepção é a mesma. “Tenho visto muitos buracos, desnivelamento de pista e o trânsito. Eu acho que sempre aumenta (a quantidade de buracos)”, comentou, enquanto almoçava. Só piora Outro que aproveitava para comer era o também paranaense Claudecir Gonçalves, de Jandaia do Sul. Com 39 anos, ele trabalha na estrada desde 2015 e existem ocasiões em que vem até duas vezes por semana ao complexo santista. “Sempre foi ruim. Nunca vi melhor. Sempre acabo descobrindo algum buraco novo na via. Parece que tampam um e surgem dois”, sentencia. Ciclovia do local também precisa de melhorias A ciclovia existente no mesmo trecho percorrido pela Reportagem também merece atenção. Apesar da pintura e sinalização, em especial no trecho da Avenida Mário Covas Júnior, o presidente da Associação Brasileira de Ciclistas (ABC), Jessé Teixeira Félix, lembra que manutenção não se restringe a isso e, embora valorize o diálogo da entidade com a Autoridade Portuária de Santos (APS), pede cuidados constantes e melhorias. “Na da Perimetral (Sérgio da Costa Matte), falta, por exemplo, uma iluminação melhor e demarcação de solo mais clara. A passagem entre o final da ciclovia e a entrada na da João Pessoa é o maior problema. Ninguém sabe que ali é uma passagem de bicicletas e há um trânsito pesado de caminhões. Não há pintura nem demarcação”, afirma Jessé, que solicita também a colocação de defensas para proteger o ciclista em caso de queda. Na ciclovia da Mário Covas Júnior, o presidente da Associação Brasileira de Ciclistas pede iluminação e piso melhores. “Ele (o piso) é muito ruim. Tem que ser trocado com urgência. Quem tem bicicleta de alto rendimento tem medo de perdê-la não por roubo, mas em razão do piso. Preferem usar o viário disputando espaço com os caminhões”, justifica. Revitalização Em nota, a APS informa que concluiu em dezembro passado uma revitalização, “que teve como finalidade reestabelecer as condições adequadas de uso da ciclovia, promovendo maior segurança aos ciclistas e melhoria da acessibilidade urbana e incentivo ao uso de meios de transporte não motorizados”. As atividades realizadas ao longo do trecho, segundo a empresa pública federal, foram o alteamento da ciclovia para nivelamento com a calçada existente, manutenção das calçadas, execução de nova pintura e sinalização horizontal e vertical, e ajuste nas drenagens e tampas de bueiros existentes. “Todas atenderam aos requisitos técnicos de acessibilidade e segurança estabelecidos pelas normas vigentes”. Além disso, acrescenta a APS, a adequação dos trechos críticos “contribui para eliminação de situações de riscos, proporcionando mais conforto e proteção aos usuários, além da promoção da integração da infraestrutura cicloviária do Município, em consonância com as diretrizes de mobilidade sustentável adotadas pela cidade de Santos”.