[[legacy_image_283683]] Mesmo após o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) determinar a desmontagem do navio oceanográfico Professor W. Besnard, atualmente atracado entre os armazéns 5 e 6, no Porto de Santos, o início da operação de retirada da histórica embarcação é incerto. A Autoridade Portuária de Santos (APS) está levantando orçamentos para que a decisão judicial seja cumprida. Assim que o custo for estimado, os orçamentos serão enviados pela APS à Prefeitura de Ilhabela, no Litoral Norte, que é a responsável pela embarcação e não contestou a decisão judicial, porém ainda não definiu o que será feito, como e de onde virão os recursos. Procurada ontem pela Reportagem, a Prefeitura informou “que ainda está definindo as ações sobre o navio Professor W. Besnard”. Quanto ao desmantelamento do navio, a Autoridade Portuária informou, em nota, que “a Justiça tomou a decisão também por considerar que a embarcação representa risco ao meio ambiente se permanecer no local onde está. Laudo aponta ainda que o navio está sem condições de navegabilidade, podendo afundar em caso de remoção pelo canal do estuário. No momento, a APS toma as providências determinadas pela Justiça para desmantelar o navio e evitar danos ambientais”. Degradada, a embarcação não é utilizada desde 2008 e foi utilizada por 40 anos, realizando mais de 150 viagens à Antártida, entre outras missões oceanográficas. O navio está atracado na área onde será erguido o futuro Parque Valongo. A Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP) atestou, baseada em laudo técnico, que o navio, além de representar um risco ambiental, não tem condições de navegabilidade a fim de ser rebocado até Ilhabela para atender a proposta inicial. A Prefeitura de Ilhabela e a Universidade de São Paulo (USP), antiga responsável pelo navio, firmaram acordo em 2016 para promover um naufrágio controlado e transformar o navio em um museu subaquático, possibilitando a criação de um recife artificial e tornando o navio um ponto turístico de mergulho. Contudo, a proposta não avançou. A APS esclareceu ainda, no início de julho, conforme publicado em A Tribuna, que “a Justiça deixou claro os riscos do afundamento: ‘O afundamento de estrutura totalmente contaminada está fora de cogitação, agora sim, sob pena de risco efetivo ao meio ambiente natural’”. No fim de 2022, foram retirados 78 mil litros de água e resíduos oleosos do interior do Professor W. Besnard. A operação emergencial foi realizada por uma equipe técnica da APS, com apoio do Ibama. Memória preservadaPor fim, a APS destacou que todo o material de interesse histórico, de preservação da memória do navio, foi levado para o Museu da USP, "após detalhada avaliação da própria universidade". Mesmo assim, por sugestão da Prefeitura de Santos, a APS consultará a Justiça para ver se pode destinar um pedaço da embarcação, provavelmente parte da proa, para ficar em exposição, em terra, no futuro Parque Valongo. HomenagemO nome do navio é uma homenagem ao professor Wladimir Besnard, que fundou e dirigiu o Instituto Oceanográfico da USP por 14 anos. Ele nasceu em 1890, na Rússia, e chegou ao Brasil em 1947. Por anos, defendeu que o instituto possuísse uma embarcação com autonomia suficiente para navegar em águas profundas. Ele morreu em 1960, aos 69 anos, antes que o navio chegasse ao Brasil, o que ocorreu em 1967.