TOC Américas reuniu, desde terça-feira, representantes de empresas diversas da cadeia de suprimentos do setor de todo o mundo, no Panamá (Divulgação) O TOC Américas chegou ao fim ontem após três dias de discussões sobre as transformações no comércio exterior, especialmente no setor de contêineres, no que diz respeito a repensar modelos de negócios, reconfigurar rotas comerciais e reduzir emissões de gases de efeito estufa. O evento reuniu, desde a última terça-feira, representantes de empresas diversas da cadeia de suprimentos do setor de todo o mundo, no Centro de Convenções do Panamá. Clique aqui para seguir agora o canal de Porto & Mar no WhatsApp! O consultor para assuntos portuários Maxwell Rodrigues representou do Grupo Tribuna no encontro. Huib Schot, gerente de vendas da Stinis Lifting Equipment, empresa holandesa que faz a fabricação e a manutenção de máquinas para manuseio de contêineres, diz que, para se obter mais produtividade, é imprescindível “investir em automatização”. “Pois os terminais tendem a crescer, mas os espaços são limitados”, disse ele, que participou do evento. Além disso, Schot salienta que a interação com os usuários é essencial. “Sempre buscamos atender às necessidades específicas de cada terminal, nos portos. As linhas são diferentes e tentamos adotar o produto específico para cada terminal”. O executivo avalia o Brasil poderia receber o TOC Américas para debater o setor com profundidade. “É uma oportunidade para o País. Nós vimos como foi o evento da Associação Americana de Autoridades Portuárias (AAPA) (realizado em Santos em 2022). Foi um dos melhores que eu já vi, não apenas em termos de atendimento, mas pela qualidade dos visitantes”. Meio ambiente Andres Ramirez é o gerente de Vendas na América Latina da Konecranes, empresa que fornece empilhadeiras. Ele destaca que a descarbonização é um tema muito importante para todo o setor produtivo. “A nossa empresa faz a sua parte, internamente estamos diminuindo o impacto ambiental ao mínimo possível e, também, através dos nossos produtos. O usuário final está procurando equipamentos eletrificados e nós acreditamos que pode ser um caminho”. Contudo, Ramirez ressalta que a implementação deve ser paulatina porque exige investimento em infraestrutura e planejamento. “É preciso investir em infraestrutura para levar essa energia ao porto, aos equipamentos e à operação. Utilizamos equipamentos com combustão menor, de consumo menor, até chegarmos à eletrificação”. O executivo destaca ainda que o processo de eletrificação exige mão de obra qualificada. “É uma mudança de paradigma. Os operadores têm que entender que é necessário se adaptar ao processo”. Ele comenta que, “comparado a outros portos do mundo, o Brasil ainda precisa se preparar mais. Há empresas que estão na vanguarda, procurando ser o benchmark, a referência, mas o apoio do Governo também é necessário”. Participação Já o economista e colunista de A Tribuna Roberto Paveck, que participou de um painel no Panamá, notou que as empresas brasileiras eram minoria no evento. “Eu vejo empresas chinesas e europeias divulgando os seus produtos, mas sinto falta de empresas do Brasil se colocando nesse mercado, se posicionando estrategicamente, com maior visibilidade. É um momento de reflexão para mudar esse cenário”. Sobre a evolução digital, outro tema discutido durante o TOC Américas, Paveck afirma que “transformação digital é o resultado da transformação de pessoas. É o momento de se repensar o mercado portuário”, finalizou.