Segundo o estudo, a maior parte dos desafios enfrentados pelos portos brasileiros possui caráter estrutural e exigirá respostas permanentes (Alexsander Ferraz/AT) Instabilidade política, conflitos geoeconômicos, excesso regulatório, aumento da carga tributária, interrupções em infraestruturas digitais críticas e falhas nas cadeias globais de suprimentos. Esses foram os seis temas classificados como críticos no curto prazo identificados no estudo Riscos Globais Portuários, divulgado nesta terça-feira (30) pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! O levantamento inédito identifica os principais desafios capazes de impactar o setor portuário brasileiro até 2035 e oferece subsídios estratégicos para o planejamento de longo prazo. Segundo o estudo, 73,7% dos riscos avaliados permanecem elevados tanto no curto quanto no longo prazo, demonstrando que a maior parte dos desafios enfrentados pelos portos brasileiros possui caráter estrutural e exigirá respostas permanentes. “Mais do que identificar riscos, esse projeto oferece diretrizes para fortalecer a capacidade de adaptação do setor portuário. É um trabalho que transforma diagnóstico em planejamento e conhecimento em melhores decisões regulatórias”, afirma o diretor-relator Alber Vasconcelos. Na dimensão ambiental, as mudanças climáticas aparecem como o principal risco para 2035. Eventos extremos, elevação do nível do mar, erosão costeira, escassez de recursos naturais e os desafios da descarbonização do transporte marítimo tendem a influenciar diretamente a infraestrutura e as operações portuárias. Na área tecnológica, o levantamento aponta que a crescente digitalização dos portos amplia a necessidade de investimentos em segurança cibernética, proteção das infraestruturas críticas, integração entre sistemas digitais e operacionais e qualificação de profissionais para acompanhar o avanço da automação e da inteligência artificial. Na esfera econômica, fatores como instabilidade política, excesso regulatório, aumento de impostos e perda de competitividade internacional figuram entre os principais desafios para o setor. No cenário geopolítico, conflitos comerciais e alterações nas rotas globais de comércio podem modificar significativamente os fluxos logísticos mundiais. Integrante da Agenda Ambiental e de Segurança Aquaviária para o biênio 2025-2026, o estudo foi desenvolvido no âmbito do acordo de cooperação técnica firmado entre a Agência e a Universidade Federal do Maranhão (UFMA). “Mais do que mapear ameaças, o estudo consolida uma ferramenta de inteligência regulatória que permitirá orientar decisões de investimento, políticas públicas e estratégias de gestão de riscos, fortalecendo a capacidade de adaptação e de resposta do setor portuário diante de um ambiente global cada vez mais complexo e dinâmico”, explica, em nota, a Antaq. O levantamento O levantamento adaptou à realidade brasileira a metodologia utilizada pelo Fórum Econômico Mundial em seu relatório anual de riscos globais. Para isso, reuniu revisão da literatura científica, análise de relatórios de sustentabilidade publicados por portos brasileiros e contribuições de 125 especialistas e gestores do setor portuário. Como resultado, foram elaborados um relatório completo e um relatório executivo. Resumo: como foi realizada a adaptação metodológica ao contexto brasileiro, integrando literatura científica, relatórios de sustentabilidade portuária e consulta a 125 especialistas, resultando na produção de duas versões do estudo — completa e executiva. Levantamento será referência para elaboração de políticas públicas (Alexsander Ferraz/AT) Fortalecer planejamento estratégico Além do diagnóstico, o estudo Riscos Globais Portuários apresenta recomendações voltadas ao fortalecimento da resiliência do sistema portuário brasileiro. Entre elas estão a implementação de estratégias integradas de adaptação climática e modernização digital, a criação de um sistema contínuo de monitoramento de riscos e o fortalecimento de parcerias com universidades e centros de pesquisa. Outros pontos são o incentivo ao desenvolvimento de soluções inovadoras e a incorporação da gestão de riscos aos processos de planejamento estratégico das autoridades portuárias. As recomendações também incluem mecanismos de financiamento para investimentos em infraestrutura resiliente e capacitação de recursos humanos, reconhecendo que a preparação para os desafios futuros dependerá da atuação coordenada entre poder público, autoridades portuárias, operadores, armadores e demais agentes da cadeia logística. Os resultados do estudo passam a integrar a base técnica da Antaq para orientar a formulação de políticas regulatórias e podem servir de referência ao Ministério de Portos e Aeroportos na elaboração de políticas públicas ao setor. “Na agência, os achados também poderão ser considerados na avaliação da pertinência de fatores relacionados às análises de reequilíbrio dos contratos, fortalecendo uma atuação regulatória cada vez mais baseada em evidências e contribuindo para a modernização do setor portuário diante dos desafios globais”, diz a Antaq.