Na Praia da Enseada, em Guarujá, está o primeiro serviço do tipo no Brasil; os passeios são feitos em área específica e contam com instrutores (Alexsander Ferraz/AT) O aluguel de motos aquáticas nas praias do Litoral paulista vive um novo momento, a partir da instituição dos Estabelecimentos de Aluguel de Moto Aquática (Eama). Na Praia da Enseada, em Guarujá, está o primeiro serviço do tipo no Brasil, com aval da Marinha e da Prefeitura. O objetivo é qualificar a locação desses equipamentos e combater quem aluga sem os devidos cuidados. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! A iniciativa foi possível após uma atualização das Normas da Autoridade Marítima (Normam), que estabelece as regras sobre o emprego das motos aquáticas exclusivamente em atividades de esporte e recreio. Isso permite passeios guiados por empresas credenciadas para não habilitados, com regras estritas de segurança, uso de colete, chave de segurança (cordão preso ao piloto) e instrução prévia. “A Eama é um exemplo de cooperação entre diversos entes do Estado. Temos a Marinha e a Prefeitura de Guarujá também contribuindo conosco nisso, colocando a Guarda Municipal. Uma organização que já começa em terra. Quando vão para a água, as coisas já estão bem mais organizadas e ficamos por identificar um ou outro ilícito”, afirma o capitão dos Portos de São Paulo, Leandro Mendes. Segundo ele, é realizada uma instrução, por meio de videoaula de dez minutos. Depois disso, é feita uma habilitação pela Capitania de Portos de São Paulo (CPSP). “As pessoas recebem uma qualificação para aquela saída e têm uma área específica para que possam fazer isso, com segurança, em um local em que não vai causar risco para ninguém”, acrescenta o comandante da CPSP. “É uma coisa muito boa para o turismo. Tem tudo para dar certo e para ser um exemplo para outras localidades do País”. A Reportagem foi conhecer o trabalho da Associação de Locadores de Moto Aquática do Estado de São Paulo (Almaesp), que reúne dez empresas de aluguel de motos aquáticas e atua de forma oficial há um mês. Segundo a presidente Letícia Pereira Felício, trata-se de um sonho conjunto que nasceu há cerca de três anos. “Foi um processo muito árduo. Houve quem não acreditasse no projeto. A maioria das empresas já queria se legalizar e viu que era algo essencial para poder oferecer segurança aos clientes”, afirma. O primeiro-secretário da Almaesp, Herivelto Araújo da Silva Júnior, acrescenta que a chegada da norma da Marinha foi a senha para o sonho sair do papel. “O caminho foi longo, mas é possível ver que ser uma Eama é algo viável. É possível habilitar um cliente na faixa de areia, em apenas 30 minutos”, garante. Segundo ele, há diversos termos de responsabilidade. Também é feita uma instrução com a moto aquática ainda sobre um cavalete, à beira da água. “A pessoa pode navegar dentro do balizamento numa área determinada ou optar pelo passeio guiado, mais turístico”. Letícia destaca que a organização da atividade náutica na praia, a padronização de atendimento e segurança, a orientação dos operadores sobre documentação e a importância de ser habilitado são algumas vantagens do serviço legalizado. “O perfil dos clientes também mudou. Hoje, ele tem a percepção de que precisa ser habilitado para um passeio em segurança, o que é primordial. Além disso, a potência do aparelho é reduzida para 110 HP, comparável com um carro de motor 1.0. A Eama veio para facilitar essa habilitação”, pontua a instrutora. O serviço é permitido apenas para maiores de 18 anos. Investimento com garantia Letícia acrescenta que o investimento para um curso legalizado é alto, mas com retorno certo. E há espaço para ações diferenciadas, até mesmo um pedido de casamento a bordo de motos aquáticas. “No ano passado, fundamos a Almaesp. E a Marinha é bem rigorosa para permitir uma Eama. Gastamos R\$ 180 mil para fazer o balizamento, com boias que formam o circuito de 800 metros. E ter o apoio oficial é uma garantia de que teremos retorno”, complementa.