(Imagem gerada por IA) A infraestrutura brasileira, historicamente marcada por gargalos logísticos e desafios regulatórios, encontrou nos últimos anos um novo ritmo de desenvolvimento no setor aquaviário. No centro dessa transformação, destaca-se a figura de Flávia Takafashi, diretora da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Sua gestão não foi apenas um período de continuidade administrativa, mas um marco de modernização, rigor técnico e sensibilidade estratégica. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Diferentemente de muitas indicações para órgãos reguladores que obedecem estritamente a critérios políticos, a ascensão de Flávia Takafashi é o reflexo de uma carreira consolidada na própria máquina pública. Servidora de carreira, sua nomeação trouxe para a diretoria colegiada da Antaq um profundo conhecimento dos mecanismos internos da agência e dos meandros do antigo Ministério da Infraestrutura. Essa base sólida permitiu que ela navegasse com habilidade entre as demandas do setor privado e as obrigações do Estado, sempre priorizando a segurança jurídica — um ativo essencial para atrair investimentos de longo prazo em portos e hidrovias. O legado de Flávia Takafashi é visível nos números e na desburocratização do setor. Durante sua gestão, a Antaq viveu um dos períodos mais produtivos de sua história. Entre os pilares de sua marca administrativa, destaco alguns aos leitores. Aceleração dos arrendamentos portuários: sob sua influência, a agência refinou o modelo de leilões, garantindo que terminais estratégicos fossem repassados à iniciativa privada com compromissos claros de investimento e modernização. Isso resultou em bilhões de reais em Capex (investimento em capital) para o sistema portuário nacional. Fomento à navegação de cabotagem: Flávia foi uma defensora entusiasta de políticas que incentivam o transporte de cargas entre portos brasileiros. Ela compreendeu que o Brasil, com sua vasta costa, não pode depender exclusivamente do modal rodoviário. Sua atuação ajudou a destravar entraves operacionais para que o projeto BR do Mar pudesse ganhar tração. Agenda ESG e sustentabilidade: uma marca inovadora de sua gestão foi a integração de critérios ambientais e de governança nas normas regulatórias. Flávia promoveu o Índice de Desempenho Ambiental (IDA) dos portos, incentivando gestores a adotarem práticas sustentáveis, transformando a sustentabilidade de uma obrigação em um diferencial competitivo. Diálogo institucional: a diretora estabeleceu uma ponte sólida com o Tribunal de Contas da União (TCU) e outros órgãos de controle, reduzindo a judicialização de processos e garantindo que os editais de desestatização fossem robustos o suficiente para resistir a questionamentos. Em um setor predominantemente masculino, a liderança de Flávia Takafashi também carrega um simbolismo. Ela provou que a autoridade na regulação de infraestrutura se conquista com dados, diálogo e firmeza de propósito. Sua gestão foi pautada pela transparência e pela abertura ao mercado, ouvindo os usuários dos portos e os operadores para construir uma regulação que fosse, ao mesmo tempo, fiscalizadora e indutora de crescimento. O sucesso da gestão de Flávia na Antaq serve como um estudo de caso para a administração pública brasileira. Frequentemente, o debate sobre a eficiência do Estado esbarra na indicação de nomes sem afinidade com as pastas que ocupam. No caso dela, o resultado foi o oposto. “Gente certa no lugar certo” não é apenas um clichê de recursos humanos, é uma estratégia de soberania econômica. Quando um regulador possui o domínio técnico do que está arbitrando, o mercado responde com confiança. A confiança, por sua vez, gera investimento. E o investimento se traduz em portos mais ágeis, custos logísticos menores e um Brasil mais competitivo no comércio exterior. Flávia Takafashi deixa a Antaq com um setor muito mais organizado do que encontrou. Sua marca é a da técnica sobre a retórica e a da eficiência sobre a burocracia. O setor aquaviário brasileiro hoje é mais moderno, mais verde e mais seguro juridicamente graças a uma liderança que soube alinhar o interesse público às necessidades de desenvolvimento de uma potência global. Maxwell Rodrigues é consultor para assuntos portuários do Grupo Tribuna.