O pré-candidato à Presidência da República Renan Santos, de 42 anos, fundador do partido Missão e um dos criadores do Movimento Brasil Livre (MBL), esteve na Baixada Santista nesta quarta-feira (6). Ele visitou o Grupo Tribuna, onde concedeu entrevista. Durante a passagem pela região, ele apresentou algumas das principais diretrizes de sua pré-campanha, reunidas em propostas que vem divulgando publicamente, sobretudo nas redes sociais. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Entre essas propostas, que ele aponta como centrais dentro de um programa mais amplo, estão a chamada guerra contra o crime organizado, o endurecimento do sistema penal com base no conceito de direito penal do inimigo e um plano de desfavelização. Também fazem parte desse conjunto a interiorização das atividades produtivas, a fusão de municípios considerados inviáveis financeiramente e a criação de mutirões de trabalho vinculados ao Bolsa Família para que as pessoas trabalhem mais, ao invés de viver somente do benefício. Na área da segurança pública, Renan afirma que o Brasil já vive uma situação de conflito, marcada pela atuação de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Segundo ele, esses grupos exercem domínio territorial e precisam ser enfrentados de forma mais direta. “O Brasil não vive um período de paz”, afirmou, ao defender respostas mais duras por parte do Estado. No campo urbano, a desfavelização aparece como uma das principais bandeiras. A proposta envolve da urbanização de áreas já consolidadas à remoção de moradias em locais considerados inadequados, além de investimentos em habitação, infraestrutura e serviços básicos. Para o pré-candidato, o modelo atual é insustentável. “A favela, do ponto de vista arquitetônico, urbanístico e humanitário, é uma anomalia. A favela precisa deixar de existir”, declarou. Ele afirma que o processo exigiria planejamento de longo prazo, com execução entre dez e 15 anos e altos investimentos. Ele manteve declarações recentes que repercutiram nas redes sociais, como quando classificou áreas vulneráveis do Maranhão como uma “filial do inferno”. “As pessoas vivem de maneira degradante”, disse, ao relatar experiências em regiões daquele Estado e ao fazer comparações com áreas vulneráveis da Baixada Santista. Para ele, o uso desse tipo de expressão reflete a realidade e não deve ser suavizado. A segurança pública também foi abordada de forma direta. Ele explicou o lema “prendeu ou matou”, que utiliza repetidamente na pré-campanha. Segundo Renan, no caso de criminosos violentos, não pode haver uma terceira alternativa. “Ou ele é preso ou ele é morto”, afirmou. Ao mesmo tempo, reconheceu que operações podem ter consequências indesejadas, mas defendeu que isso não pode impedir a atuação do Estado. “Em todo conflito violento, inocentes podem morrer, infelizmente, mas isso não pode servir de desculpa para que o Poder Público deixe de agir”, disse. Ele também afirmou que policiais envolvidos em corrupção devem ser punidos com rigor. A visita à Baixada Santista teve como objetivo, segundo ele, compreender melhor a dinâmica do crime organizado na região, especialmente pela presença do Porto de Santos, considerado estratégico para o tráfico internacional de drogas. “Aqui é a porta de saída da droga que é exportada para a Europa”, afirmou. Ele defende uma atuação mais incisiva do Estado e mencionou a necessidade de medidas excepcionais para retomar o controle territorial. Na área econômica, Renan defende a interiorização das atividades produtivas como forma de reduzir desigualdades regionais e diminuir a dependência de recursos públicos. A proposta inclui a criação de cadeias produtivas mais complexas em regiões hoje pouco desenvolvidas, com geração de emprego e renda. Ele também criticou propostas relacionadas à mudança na escala de trabalho 6x1. Segundo ele, a proposta tem caráter eleitoral. “Quem apresenta esse projeto é picareta e tem o objetivo de ganhar voto mentindo para o trabalhador”, afirmou. Para o pré-candidato, a medida pode gerar efeitos negativos na economia e no mercado de trabalho. “Ou ela vai perder o emprego, ou vai aumentar o preço, ou vai ser jogada pra informalidade”, disse. Renan Santos disse que quer adotar modelo econômico parecido com o da Argentina, e o pré-candidato avaliou que as medidas adotadas pelo presidente Javier Milei são necessárias, mas que os resultados levam tempo para aparecer. Ele afirmou que não é possível corrigir décadas de problemas em poucos anos e que o processo de recuperação tende a ser gradual. Ao falar sobre a pré-campanha, ele destacou o crescimento entre eleitores mais jovens e disse apostar em um público que rejeita a polarização política tradicional. Segundo Renan, esse eleitorado busca respostas práticas para problemas do cotidiano e tende a se afastar de discursos ideológicos. Na entrevista, Renan também fez críticas a nomes do cenário político nacional ao falar sobre o eleitorado que rejeita a polarização. Segundo ele, há espaço para uma candidatura alternativa a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao campo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Ao tratar de possíveis adversários, citou diretamente o senador Flávio Bolsonaro (PL) e afirmou que pretende disputar esse eleitor. “Essas pessoas estão buscando verdade. Elas não querem mais ouvir que têm que votar em alguém porque odeiam o Lula ou odeiam o Bolsonaro”, disse. Ele também criticou o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), ao afirmar que o adversário “vive de puxar saco do Bolsonaro” e que não representa uma alternativa real. Encerrando a entrevista, o pré-candidato direcionou uma mensagem à população da Baixada Santista e afirmou que a região teria prioridade em um eventual governo. “Eu vou destruir o PCC, eu vou desfavelizar a região”, finalizou.