Papa analisa cenário político e se coloca contra expulsões no PSDB

Deputado federal diz que redesenho é natural e saudável, e que ambiente eleitoral precisa ser superado

Por: Bruno Gutierrez  -  09/11/18  -  21:54
Deputado federal encerra mandato em janeiro do próximo ano
Deputado federal encerra mandato em janeiro do próximo ano   Foto: Alexsander Ferraz/AT

O novo cenário político brasileiro começou a se desenhar após as eleições deste ano. O PSL, considerado partido nanico até o pleito de 2018, elegeu o presidente Jair Bolsonaro, três governadores, quatro senadores e 52 deputados. Em contrapartida, partidos tradicionais como PSDB, PT, MDB, PP e DEM perderam espaço na nova conjuntura.


Esta foi a maior renovação do Congresso desde 1998. Com isso, grupos políticos começam a se articular. Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede) conversaram recentemente, em um embrião de uma oposição ao governo Jair Bolsonaro em uma linha à esquerda. Do outro lado, forças do centro também iniciam conversas no mesmo sentido de contrapor o presidente eleito.


O jornal Valor Econômico relatou a possibilidade da criação de um novo partido político encabeçado pelo governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, que está de saída do MDB, e que poderia atrair figuras expressivas como os Geraldo Alckmin (presidente nacional do PSDB) e o senador Tasso Jereissati, do Ceará, o governador de São Paulo, Márcio França (PSB), Paulo Skaf (MDB) e Aldo Rebelo (Solidariedade).


O deputado federal João Paulo Tavares Papa (PSDB-SP) enxerga essa movimentação com naturalidade. Além disso, o tucano não descarta até, futuramente, uma fusão do próprio PSDB com algum outro partido.


"Acho natural que isso ocorra. Vários partidos e vários líderes partidários estão conversando em termos de fusões partidárias. Toda esse processo de renovação, que aconteceu de forma tão aguda, implica numa revisão de conceitos, numa reaglutinação de pessoas em função de alinhamento de pensamento político. Acho absolutamente natural que surjam novos partidos, na forma de frentes ou mesmo na fusão partidária. Pode até acontecer com o PSDB também se fundir com outro partido ou não. Isso é tudo parte de um processo natural que iniciou no dia seguinte a eleição atual. O redesenho partidário vai ocorrer e é algo saudável", analisou.


Em relação a aproximação do governador eleito de São Paulo, João Doria (PSDB) ao presidente eleito Jair Bolsonaro, Papa disse que o movimento é correto, no sentido de ter uma relação institucional entre estado e União.


"Se fosse o outro lado, ele teria que fazer a mesma coisa. Se tivesse sido eleito o Fernando Haddad, até pelos interesses de São Paulo, essa aproximação com o governo seria necessária e natural. Isso é uma questão institucional. Um governador não tem o direito de criar dificuldades políticas na relação com o Governo Federal devido a sua visão ideológica. Se assim o fizer, ele vai estar prejudicando a população que representa. Os governadores tem que cair na real e aceitar o fato de que o presidente da República, a partir de janeiro, será Jair Bolsonaro e a relação tem que ser a melhor possível. São Paulo é a locomotiva economica do Brasil e esses governos precisam estar afinados", ponderou.


No entanto, no campo ideológico, o congressista não vê similaridades entre PSDB e PSL, partido do presidente. Na visão dele, os tucanos não deveriam dar uma guinada à direita, nos moldes da legenda de Bolsonaro, mas sim buscar a própria visão política.


"Não acho que o PSDB tenha que se alinhar no campo ideológico ao PSL. O PSDB tem que ter a sua visão de mundo, o seu posicionamento ideológico. É um partido tradicional, social democrata, que já fez governos muito importantes em São Paulo, transformador no Brasil como foi o governo Fernando Henrique Cardoso. O PSDB tem um legado de realizações e de visão política. Eu defendo que o PSDB se preserve, ao máximo, para consolidar a sua visão de País e de mundo. E não deve se misturar ou confundir com a visão de mundo do PSL ou de qualquer partido que esteja entre os principais do País", disse.


Expulsões no PSDB


EmA Tribuna, o presidente estadual do PSDB, Pedro Tobias, chegou a dizer que o apoio membros do partido a Márcio França no segundo turno das eleições era "imperdóavel". Apoiador de Doria, João Paulo Papa se colocou contrário a expulsão de tucanos que estiveram do lado do atual governador.


"Eu não sou a favor de expulsão de quem quer que seja. Essas posições assumidas são pessoais e tem que ser superadas no momento seguinte. Claro, quem tiver vontade de dar uma contribuição maior ao governador eleito, muito bem. Quem não estiver à vontade, que não esteja tão próximo. Isso é uma coisa natural que vai se acomodando ao longo do tempo".


Sobre o caso do prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), que apoiou o candidato pessebista, o deputado pediu respeito e ressaltou que espera que o governador eleito tenha consideração tanto pelo chefe do Executivo santista quanto pela população. "É obrigação dele (Doria) fazer isso", analisou.


Deputado espera que Doria respeite prefeito e a população santista
Deputado espera que Doria respeite prefeito e a população santista   Foto: Alexsander Ferraz/AT

Governo Doria


A princípio, João Paulo Tavares Papa não deve ter uma função dentro do governo João Doria. O tucano informou que não recebeu convites para participar da administração estadual. No entanto, ele garantiu que irá seguir como interlocutor junto ao governo paulista para levar as demandas da Baixada Santista.


"Hoje, e no futuro, eu vou continuar morando aqui, defendendo a Baixada Santista, atuando como puder atuar, como engenheiro, como cidadão, como um gestor público se for o caso em algum momento. Vou continuar defendendo os interesses da nossa região. Hoje, eu tenho uma relação boa com o governador eleito e com o vice-governador, Rodrigo Garcia, e vou usar essa comunicação para defender as questões do nosso interesse, do interesse da Baixada Santista. Por enquanto, é o que existe no front. Não há nenhum outro compromisso", falou.


Papa disse que a região pode esperar que o governador se debruce em alguns pontos principais como o Polo Industrial de Cubatão, o Porto de Santos,as balsas, a ligação seca Santos-Guarujá, saúde e segurança. O político também descartou uma retaliação por parte de Doria devido a disputa eleitoral com Márcio França.


"Isso é uma tremenda bobagem. Quem governa São Paulo, esse estado tão organizado e evoluído politicamente, governa tendo cuidado e compromissos com o interior, com a região metropolitana de São Paulo e com o litoral, que é uma das regiões mais importantes politicamente e economicamente do estado. Não há nenhuma possibilidade de isso acontecer. É um desrespeito a inteligência da população da Baixada Santista", classificou.


Prefeito em 2020: mistério


Sempre que perguntado sobre a possibilidade de concorrer ao cargo de prefeito de Santos, Papa não assume e nem nega a possibilidade. O político, que governou a Cidade entre 2005 e 2012, ressaltou que uma candidatura como essa depende de uma conjuntura, e não somente da vontade dele.


"É difícil responder essa pergunta. Uma campanha para prefeito nunca é uma decisão pessoal. Isso é fruto de uma reflexão ampla, coletiva, de circunstância. Hoje, eu não sei. Tenho que reorganizar minha vida, começar novas atividades. Sendo ou não candidato novamente a algum cargo eletivo, eu não vou me afastar da política regional. Não vou me afastar de Santos. Acho que posso e devo contribuir com ideias, propostas e na discussão de temas importantes. Vou estar muito presente no cotidiano político e social da região. Tenho conversado bastante com prefeitos. Conversei muito com o (Alberto) Mourão (prefeito de Praia Grande), que foi coordenador da campanha do João Doria. Estamos juntos na discussão de prioridades na Baixada para ajudar o governador João Doria a estabelece-las. Estarei muito ativo nesse aspecto. Uma candidatura, pode ser ser resultante do momento e dessa minha participação no dia a dia da política local", finalizou.


Assim como em outras oportunidades, Papa manteve mistério sobre candidatura
Assim como em outras oportunidades, Papa manteve mistério sobre candidatura   Foto: Nirley Sena/AT

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