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Mourão sobre mortos em favela no RJ: "Tudo bandido"
Operação policial realizada no estado terminou com morte de 25 pessoas
Por: Estadão Conteúdo  -  07/05/21  -  16:05
Vice-presidente disse que problema nas favelas do Rio precisa ser resolvido "um dia ou outro"   Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, classificou nesta sexta-feira, 7, como "bandidos" os mortos na favela do Jacarezinho na operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro.


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"Tudo bandido! Entra um policial numa operação normal e leva um tiro na cabeça de cima de uma laje. Lamentavelmente, essas quadrilhas do narcotráfico são verdadeiras narcoguerrilhas, têm controle sobre determinadas áreas e é um problema da cidade do Rio de Janeiro", declarou o militar ao chegar para despachar no Palácio do Planalto. "É um problema sério da cidade do Rio de Janeiro, que vamos ter que resolver um dia ou outro", completou o vice-presidente.


Um dia depois da operação policial que matou 25 pessoas na favela do Jacarezinho, um grupo com cerca de 50 pessoas realizou uma manifestação em frente à Cidade da Polícia, que reúne delegacias especializadas da Polícia Civil, nesta sexta. A operação de quinta-feira foi realizada por 250 agentes da corporação.


A Operação Exceptis ocorreu a partir das 6 horas de quinta-feira, 6, pela Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), em conjunto com outras delegacias da Polícia Civil do Rio, com o objetivo de prender 21 acusados de aliciar crianças e adolescentes para o tráfico de drogas na comunidade.


Depois da ação que resultou em 25 mortes, o Ministério Público informou que adotou medidas para verificar os fatos, "de modo a permitir a abertura de investigação independente para apuração dos fatos, com a adoção das medidas de responsabilização aplicáveis". Por decisão do Supremo Tribunal Federal, operações policiais no Rio estão restritas durante a pandemia.


O caso teve repercussão internacional. O escritório de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) pediu uma investigação independente. A operação realizada na quinta-feira, na qual helicópteros foram usados, ocorreu em uma longa história de "desproporcional e desnecessário" uso da força pela polícia, disse o porta-voz da ONU para Direitos Humanos Rupert Colville em uma entrevista da organização em Genebra.


Um dos mais importantes institutos de estudos da violência, o Igarapé, também criticou a operação. Afirmou em nota que é inaceitável o Estado continuar apostando na letalidade como principal estratégia de segurança, sobretudo em lugares mais pobres.


"Privilegiar o confronto indiscriminado coloca nossa sociedade e nossos agentes públicos em perigo. De acordo com dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), a polícia do Rio foi responsável pela morte de 453 pessoas entre janeiro e março deste ano. O número já representava 36% do total registrado em 2020, quando foram registradas 1.245 vítimas", diz o texto.


Já a Comissão Arns manifestou "seu mais veemente repúdio" à operação realizada pela Polícia Civil do Rio na favela do Jacarezinho. "É inaceitável que esta chacina aconteça em meio à pandemia", diz o texto.