[[legacy_image_212185]] O dia seguinte à derrota de Márcio França (PSB) ao Senado e à segunda colocação de Fernando Haddad (PT) no primeiro turno ao Governo Estadual foi de avaliação e discussão de estratégias para o segundo turno das eleições presidencial e para governador. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Em reunião num hotel de São Paulo, da qual também participaram os candidatos a presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e a vice, Geraldo Alckmin (PSB), fez-se um balanço das campanhas e se traçaram metas para impulsionar as candidaturas de Haddad e Lula até a votação do dia 30. Presente na reunião, o ex-prefeito de São Vicente e ex-governador Márcio França comentou a vitória de seu adversário ao Senado, Astronauta Marcos Pontes (PL), que garantiu a única vaga do Estado com 10.714.913 votos (49,68%), quase 3 milhões à frente de França, que somou 7.822.518 (36,27%). “Não dá para explicar direito, foi uma coisa de momento. A gente vinha sentindo uma certa curva, mas não achou que fosse dar tanto assim. O pessoal tá com a cabeça na lua mesmo”, ironizou. Questionado se a coordenação da campanha de Haddad teria subestimado o bolsonarismo, representado pelo candidato Tarcísio de Freitas (Republicanos), ex-ministro da Infraestrutura de Jair Bolsonaro, França afirmou que a escolha em São Paulo foi definida “com emoção”. Explicando melhor o termo, ele disse que “sem emoção” seria fazer campanhas com candidatos de perfis mais de centro, citando os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. As escolhas, no entanto, foram de Lula, segundo França. “No Sul e no Sudeste, a gente sabia que tinha mais dificuldade, mas quem intui essas coisas é quem lidera. Quem lidera é o Lula, a gente vai respeitar dessa maneira e vamos ganhar a eleição aqui”. Indagado se o seu nome seria mais palatável ao eleitorado paulista do que o de Haddad, França desconversou. “Depois que eu conheci o Haddad, acho até que ele é melhor que eu, ele é mais ao centro do que eu. Depois que passa, tudo parece óbvio, mas na hora não é tão óbvio. Fizemos um acordo, e quem estivesse na frente naquele momento seria o candidato. Em julho, quando saiu o Datafolha, o Haddad estava na frente.” Apesar de reconhecer que a vantagem de Tarcísio de Freitas, de mais de 1,5 milhão de votos, é grande, ele se mostrou confiante na virada. “O Tarcísio é um candidato desconhecido, não é daqui, mas é um técnico, enfim, tem os seus méritos. E agora o segundo turno vai dar a chance de debater mais sobre São Paulo. Acho que o Haddad vai ter a oportunidade de mostrar que é mais capacitado para governar o Estado.” Corrida ao PlanaltoAnalisando o segundo turno presidencial, Márcio França defendeu a aproximação da campanha de Lula aos policiais militares e aos evangélicos. “Acho que o presidente Lula tem que ter uma fala especial aos policiais militares. São um milhão de pessoas, que parte de nosso campo político vê com ressalvas, e está errado, porque não são pessoas favorecidas pelo Bolsonaro. E (uma fala) aos evangélicos pentecostais”. Apostando que a retórica de Lula prevalecerá nos debates contra Jair Bolsonaro, França não escondeu a vontade de ser, ele, o candidato ao Governo paulista no segundo turno. “O segundo turno é disputa de milímetro. Há uma vantagem bacana (de Lula), e o segundo turno amplia essa conversa. Eu fico com um pouco de ciúme por não estar nesse segundo turno. Eu adorava, porque tem aquele debate um a um, que você fica mais franco. O Lula é muito mais preparado do que o Bolsonaro.” “A essência dessa disputa é a eleição presidencial, nós vamos ganhar com o Lula. Para isso, é importante fazer um movimento em São Paulo, para ter mais 500 mil, 1 milhão de votos” do que no primeiro turno, calcula França.