[[legacy_image_70713]] Na passagem por Brasília, na quinta-feira (28), o líder opositor Juan Guaidó, autoproclamado presidente da Venezuela, reiterou que pretende anistiar militares e civis, atualmente leais ao governo de Nicolás Maduro, que decidirem apoiar sua interinidade. Segundo ele, a medida deverá se estender para os oficiais que estão no comando no país. Questionado se prevê alternativas para a saída de Maduro do poder, o interino respondeu que crimes de violações não podem ser anistiados. “Violações aos direitos humanos não são anistiáveis. Isso não está no cenário. A violação de direitos humanos e perseguição geram cicatrizes na sociedade”, afirmou. Vários líderes estrangeiros examinam a hipótese de construção de uma saída negociada para Maduro, para que deixe o comando da Venezuela sem confrontos nem acirramento da crise política. Para Guaidó, a transição democrática requer estabelecer meios para a governabilidade, o que passa pela anistia. Risco de morte Reconhecido por cerca de 50 países como presidente interino da Venezuela, Guaidó afirmou, na tarde de quinta-feira, que há, hoje, 300 mil venezuelanos em risco de morte. Esses venezuelanos, segundo ele, não puderam nem contar com a entrega da ajuda humanitária internacional ao país. A declaração foi dada após reunião com o presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto. O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, também participou da reunião. Bolsonaro, por sua vez, prometeu ajudar o líder opositor venezuelano a restabelecer a democracia na Venezuela. O presidente brasileiro disse que as ações do país na crise se pautarão pela legalidade e as tradições diplomáticas brasileiras e pelo que foi definido pelo Grupo de Lima – bloco de países da região que monitora a crise. “Apoiamos todas as resoluções do Grupo de Lima para o objetivo que interessa a todos nós: liberdade e democracia na Venezuela”, disse o presidente. “Não pouparemos esforços dentro da legalidade e de nossas tradições para restabelecer a democracia na Venezuela: eleições limpas e confiáveis. Seu país pode contar conosco para a recuperação econômica”. O presidente também vinculou a crise no país ao apoio de governos brasileiros que o antecederam e apoiaram o chavismo, em uma crítica indireta ao PT. “Dois ex-presidentes do Brasil tiveram culpa no que esta acontecendo na Venezuela”, disse. “Graças a Deus, o povo aqui acordou e se mirou no que acontecia no seu país e resolveram dar um ponto final no populismo e na demagogia”, disse Bolsonaro. O presidente concluiu seu pronunciamento dizendo que tanto ele quanto Guaidó buscam “uma igualdade na prosperidade” para seus países. “Já te chamo de irmão de agora em diante se assim me permite”, afirmou. "Estamos juntos a partir de agora e conte conosco. Deus é brasileiro e venezuelano”, concluiu Bolsonaro.