Os Estados Unidos, a oposição venezuelana e seus aliados estão decididos a fechar o cerco contra Nicolás Maduro, mas “sem uso da força” – embora os EUA não tenham renunciado à opção militar. Foi o que reforçou o vice-presidente norte-americano, Mike Pence, durante reunião do Grupo de Lima na segunda-feira (25), em Bogotá. Em uma declaração lida pelo chanceler colombiano, Carlos Holmes Trujillo, o Grupo de Lima pediu para a Corte Penal Internacional (CPI) considerar a “violência criminosa” de Nicolás Maduro. Os países “decidem solicitar à Corte Penal Internacional que leve em consideração a grave situação humanitária na Venezuela, a violência criminosa do regime de Maduro contra a população civil e a negação do acesso à assistência internacional, que constituem crime contra a humanidade”, diz a declaração. Os membros do Grupo “reiteram sua convicção de que a transição para a democracia deve ser conduzida pelos próprios venezuelanos pacificamente e no âmbito da Constituição e do direito internacional, apoiada por meios políticos e diplomáticos, sem uso da força”. O Brasil também descartou uma “solução militar”. “Para nós, a opção militar nunca foi uma opção. O Brasil sempre apoiou as soluções pacíficas de qualquer problema que ocorra nos países vizinhos”, declarou o vice-presidente, Hamilton Mourão, durante as deliberações do bloco. O chanceler Ernesto Araújo garantiu que a posição do Grupo de Lima é buscar uma saída “pacífica”. “Esperamos uma transição pacífica para a democracia. Mas o presidente [Donald] Trump deixou claro: todas as opções estão sobre a mesa”, alertou Pence na reunião da qual participou Juan Guiadó, reconhecido por 50 países como presidente encarregado da Venezuela. Pence reforçou que o governo Trump está “100%” ao lado de Guaidó, uma posição seguida por seus principais aliados na América do Sul, Brasil e Colômbia, no âmbito das deliberações que buscam definir os próximos passos contra Maduro, após os distúrbios violentos do fim de semana durante a entrega frustrada de ajuda à Venezuela. “Ser permissivos com a usurpação do poder seria uma ameaça para toda a América”, afirmou Guaidó, que tinha pedido para deixarem “todas as opções” contra Maduro abertas. “Não há dilema entre guerra e paz, é a paz que deve prevalecer [...]. O dilema é precisamente entre democracia e ditadura”, afirmou o presidente interino.