[[legacy_image_222332]] Uma equipe de reportagem do Grupo Jovem Pan foi hostilizada nesta terça-feira (15) por militantes bolsonaristas e teve que ser escoltada por militares para longe de um protesto de viés antidemocrático em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília. Os jornalistas cobriam a manifestação a favor de uma intervenção das Forças Armadas no poder. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Os profissionais de imprensa estavam identificados, com crachá da Jovem Pan, e acompanhavam de perto a concentração do grupo de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL), que rejeita a vitória eleitoral e a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Eles pretendem impedir o petista de ser empossado. Militantes intervencionistas reagiram quando o repórter relatava ao vivo no Jornal da Manhã, da TV Jovem Pan News, que havia um clamor por um golpe militar nas faixas e palavras de ordem do protesto. A emissora de rádio e televisão faz ampla cobertura dos protestos, com entradas dos repórteres, ao longo do dia. "Existe um chamamento para que haja então uma intervenção militar ou intervenção federal, é o que dizem os manifestantes a todo momento, para que possa ter exatamente isso", afirmou o repórter, quando o grupo atrás dele começou a reagir negativamente. "Não, não", gritaram. No momento, a Jovem Pan exibia na tela a imagem do repórter e uma tarja sobre os atos: "Brasília recebe manifestações contra resultado do pleito. Manifestantes também criticam a censura e a suposta 'ditadura do judiciário'". O episódio ocorreu pela manhã, em frente ao QG, perto do acampamento de militantes de direita pró-golpe. O jornalista foi cercado por bolsonaristas, que criticaram o relato do repórter, diziam que ele deveria "falar a verdade" e o filmavam. "Mentiroso", gritou um homem. "Vergonha o repórter da Jovem Pan". Sob vaias, o jornalista não reagiu. Cinco militares da Polícia do Exército cercaram os profissionais de imprensa e pediram que os manifestantes se afastassem para que a equipe da Pan deixasse o local. "Quem diria. Até a Jovem Pan foi hostilizada por bolsonaristas na porta do quartel em Brasília. O repórter saiu escoltado pelos soldados do Exército", reagiu a deputada Joice Hasselmann (PSDB-SP). A base de apoiadores de Bolsonaro se identificava com a emissora, que tem programas e comentaristas simpáticos ao presidente. Bolsonaro recomendava a programação da Pan. Seus militantes fizeram campanha em defesa da emissora durante as eleições, quando foi punida pela Justiça Eleitoral, e alegou estar sob censura. O ataque dos bolsonaristas à imprensa repercutiu entre políticos O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) disse que ações de golpistas devem ser repudiadas e criminalizadas. "A emissora que tanto planta ódio, colhe agora as consequências de alimentar o fascismo. Mas independente disso, ações como essas dos golpistas devem ser repudiadas e criminalizadas", escreveu o parlamentar.