Corte Suprema proíbe Juan Guaidó de deixar a Venezuela

STJ ainda congelou contas de líder opositor. Medida foi determinada a pedido do governo

Por: Da AFP  -  30/01/19  -  17:24
Sentença foi anunciada ontem pelo presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Maikel Moreno (centro)
Sentença foi anunciada ontem pelo presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Maikel Moreno (centro)   Foto: Federico Parra/ FrancePresse

O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) da Venezuela, que apoia o governo, proibiu o autoproclamado presidente interino, Juan Guaidó, de sair do país, e congelou suas contas, ao ser investigado por “usurpar” as funções do presidente Nicolás Maduro.


O plenário ordenou a “proibição de saída do país sem autorização até que a investigação termine” e de transação de bens, além do bloqueio de contas, disse o presidente do TSJ, Maikel Moreno, ao acolher uma solicitação feita mais cedo pelo procurador-geral, o chavista Tarek William Saab.


A corte aceitou, também, “o bloqueio de contas bancárias ou qualquer outro instrumento financeiro” do líder opositor “no território venezuelano”, acrescentou Moreno em uma breve declaração à imprensa.


Depois de tomar ciência da solicitação feita ao STJ, Guaidó disse não estar surpreso, por considerar que a medida faz parte de uma rede de “ameaças” contra ele e o Parlamento de maioria opositora, do qual é presidente.


“Não estou desestimando uma ameaça de prisão, não quero que se tome assim de nossa parte. Muito responsavelmente digo a vocês que [não há] ‘nada de novo sob o sol’. Lamentavelmente, é um regime que não dá resposta ao venezuelano, a única resposta é perseguição, repressão”, disse.


Guaidó, de 35 anos, se autoproclamou presidente em 23 de janeiro, após o Congresso declarar Maduro “usurpador” por assumir em 10 de janeiro um segundo mandato que – como grande parte da comunidade internacional – considera ilegítimo por ser resultado de eleições denunciadas como “fraudulentas”.


OEA


O representante especial do parlamento da Venezuela na Organização dos Estados Americanos (OEA), Gustavo Tarre, disse, ontem, que Guaidó “não está pedindo um golpe de estado”. “A única coisa que ele está pedindo é que o pessoal militar sequestrado por um comando ineficiente, servil e corrupto cumpra seu juramento”, disse em uma conferência em Washington.


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