[[legacy_image_205642]] O presidente Jair Bolsonaro (PL) rebateu nesta quinta-feira, 8, as acusações de uso político das comemorações do Bicentenário da Independência no 7 de setembro. O chefe do Executivo disse que a iniciativa foi da população, apesar de ter convocado seus apoiadores, e questionou a ausência de outros candidatos ao Palácio do Planalto nas manifestações. Partidos de oposição viram abuso de poder político e econômico do candidato à reeleição nos atos desta quarta-feira. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! "Tão me acusando do que? Eu estive no 7 de setembro aqui em Brasília, acabou o desfile cívico-militar, tirei a faixa e fui para dentro do povo. Se qualquer outro candidato quisesse comparecer ali, não teria problema nenhum. Não era um ato meu, era um ato da população, a qual nós devemos lealdade", declarou Bolsonaro, em sabatina do jornal Correio Braziliense. "Poderia qualquer outro ter comparecido, por que não foram? Ignoraram a força do povo", emendou. O PDT acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta, 8, e pediu uma investigação sobre suposto abuso de poder político e econômico do presidente no 7 de setembro. Bolsonaro assistiu ao desfile cívico-militar na Esplanada, perto do prédio do Ministério da Defesa, e depois subiu em um trio elétrico, a poucos metros dali, onde discursou e pediu voto aos apoiadores. O PDT argumenta que o Bicentenário da Independência, por ser um ato público destinado a "louvar um fato histórico", não poderia ser usado como palanque eleitoral. CongressoBolsonaro disse que faltou nesta quinta-feira, 8, à solenidade no Congresso Nacional para celebrar o Bicentenário da Independência porque havia muitos apoiadores para atender no Palácio da Alvorada. O chefe do Executivo cancelou sua ida à cerimônia do Legislativo após os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, terem faltado ao desfile cívico-militar do 7 de Setembro, nesta quarta-feira, na Esplanada dos Ministérios. [[legacy_image_205643]] "Não fui porque tinha muita gente para atender no cercadinho hoje. Tinha um grupo enorme de crianças, o homeschooling, aquela garotada que estuda em casa com seus pais. E o 7 de setembro foi ontem, não foi hoje. Então, eu deixei a agenda política de fora e fui atender, tinham umas 300 pessoas no cercadinho, foi um recorde hoje", declarou Bolsonaro, em sabatina do jornal Correio Braziliense. A ausência de Fux, Pacheco e, até mesmo Lira, aliado de primeira hora de Bolsonaro, no desfile oficial do 7 de Setembro foi vista como um indicativo do isolamento político do presidente, que usou a data comemorativa dos 200 anos da Independência do País para animar sua militância e tentar impulsionar sua candidatura à reeleição. Os chefes dos outros Poderes temiam ser associados a um ato político-eleitoral. "Há dois momentos no 7 de setembro: primeiro o desfile cívico, e depois os desdobramentos, que têm um cunho naturalmente político-eleitoral em torno do presidente da República. Como não havia uma clareza do que era um momento e outro, se eles se misturariam, minha preferência foi não participar do evento", disse Pacheco hoje. Ao ser questionado na entrevista sobre qual balanço faria sobre as manifestações do 7 de setembro, Bolsonaro disse que fez um apelo, "pela última vez", para que a população fosse às ruas. O presidente voltou a afirmar que todos têm que "jogar dentro das quatro linhas" da Constituição. O chefe do Executivo costuma usar essa frase para criticar, de forma indireta, o Supremo Tribunal Federal (STF). Em discurso na Esplanada dos Ministérios nesta quarta-feira, 7, o chefe do Executivo fez menção indireta ao STF. "Com a reeleição, traremos para dentro das quatro linhas da Constituição todos que ousam ficar fora delas. É obrigação de todos jogarem dentro das quatro linhas da Constituição", declarou o presidente na ocasião. Na sabatina, Bolsonaro minimizou o fato de ter sido vaiado ontem no Maracanã por parte dos torcedores durante o jogo entre Flamengo e Vélez Sarsfield. "Fui muito bem recebido. Sempre tem uma minoria que fala alguma coisa lá", afirmou.