Adolescente levou soco no peito e foi ferido no braço; mãe afirma que faltou supervisão (Arquivo pessoal) Um adolescente de 13 anos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) foi ameaçado e agredido dentro de uma escola no bairro Rio da Prata, em Bertioga, na sexta-feira (24). O garoto foi xingado por outro aluno da unidade com palavras de baixo calão e atacado com um soco no peito. No mesmo dia, o caso foi registrado na Polícia Civil e o estudante passou por exame de corpo de delito. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O caso aconteceu na Escola Estadual Willian Aureli. No registro do boletim de ocorrência, o pai do adolescente contou que tudo aconteceu durante um show de talentos que estava sendo realizado na unidade de ensino. O garoto estava no pátio da escola, conversando com amigos, quando uma aluna que não conhecia passou por ele e o arranhou nos braços. Ela chegou a pedir desculpas, mas logo se afastou, segundo o pai. Logo depois, outro aluno, que estava apresentando uma batalha de rimas, desceu do palco e foi em direção ao adolescente apontando o dedo para ele e dizendo: “Por que você fez isso?” Ele ainda xingou o adolescente com palavras de baixo calão e, em seguida, o agrediu com um soco no peito, fazendo com que ele fosse projetado na parede, machucando as costas e a cabeça. A vítima ainda foi ameaçada pelo outro aluno, dizendo que se ficasse ali tomaria mais "porrada". Em casa, diz o pai, o filho chegou com o rosto vermelho e reclamando de falta de ar. Após saber o que tinha acontecido, o homem foi até a escola e conversou com um professor que estava representando a diretora no momento. Ainda segundo o pai, ele não foi bem recebido pelo docente, que informou que não poderia fazer nada sobre o caso e se recusou a olhar as imagens de câmeras de segurança para identificar os agressores. O professor também teria dito ao pai da vítima que ele deveria procurar seus direitos e que, no colégio, ele "fazia as leis". O caso foi registrado como injúria, ameaça e vias de fato na Delegacia de Bertioga. O adolescente ainda passou por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) de Guarujá. Relato da mãe A reportagem de A Tribuna conversou com a mãe do adolescente, Idiane da Silva. Ela reclama da falta de supervisão na escola e que, quando o filho foi agredido, não houve nenhuma intervenção de responsáveis da unidade. Ela acrescenta que o professor citado questionou o que o filho teria feito para ser agredido, alegando que "niguém levaria um soco sem motivo". A mãe relata que, por conta do TEA, o filho acaba esquecendo das situações vividas durante as brincadeiras, mas as primeiras noites após a agressão, segundo Idiane, foram complicadas. “Foi um sono muito mais agitado. Ele dormiu comigo e com o pai. Agora, ele diz que não quer voltar para a escola, mas precisamos passar pela psicóloga lá”, comenta a mãe. Idiane diz que o ocorrido desestabilizou o filho. “Ele é um rapazinho com intelecto de uma criança de 8 anos e estamos na luta para poder desenvolvê-lo, para que seja uma pessoa de bem, feliz e saiba lidar com as adversidades da vida mesmo que não estejamos mais aqui com ele”, desabafa a mãe. Posicionamento do Estado A reportagem de A Tribuna entrou em contato com a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP), que informou, por meio de nota, que é veementemente contra qualquer tipo de agressão, seja ela dentro ou fora da unidade escolar e tem o compromisso com a política pública inclusiva. A secretaria lamentou o caso e esclareceu que os responsáveis dos envolvidos foram convocados para reunião e acolhimento. Ainda de acordo com a pasta, a Diretoria de Ensino de Santos está apurando a conduta da gestão escolar, para tomar as medidas cabíveis. Na nota, a Seduc diz ainda que a unidade de ensino está em constante diálogo com os responsáveis em relação ao diagnóstico do aluno e a documentação necessária para adaptação do currículo e apoio sistemático, levando em consideração as especificidades do estudante. O caso foi registrado no aplicativo do Conviva-SP e a secretaria informou que um psicólogo do programa Psicólogos nas Escolas será colocado à disposição do colégio e do estudante, se autorizado pelos responsáveis. Por fim, a Seduc afirmou que a Diretoria de Ensino e a unidade escolar estão à disposição da comunidade para quaisquer esclarecimentos.