[[legacy_image_253711]] Vítima de um suposto atropelamento e omissão de socorro. João Batista Ferreira da Silva, de 44 anos, morreu poucas horas após um acidente envolvendo um carro na Interligação Anchieta-Imigrantes, na altura de Cubatão, na última sexta-feira (10). O homem estava de bicicleta quando se envolveu na batida e o motorista fugiu sem prestar ajuda. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Após o acidente, a vítima foi encaminhada em estado grave para a Santa Casa de Santos. João não resistiu e morreu dentro da unidade de saúde. A morte aconteceu antes de a família descobrir sobre a batida. Natural de Minas Gerais, a vítima morava no Jockey Clube, em São Vicente. Ele deixou sua terra-natal para ganhar a vida no Estado de São Paulo e trabalhava como pedreiro na Baixada Santista. Em entrevista para A Tribuna, a enteada da vítima Mariana de Jesus Barbosa, de 24 anos, conta que a família vive um momento de indignação e revolta desde que enterraram João Batista no último domingo (12). “À princípio, como ele saia com amigos, ele podia chegar um pouco mais tarde. Minha mãe já sabia os horários, mas nesse dia ela já tinha perguntado, viu que passou do horário e ficou preocupada. Nisso, entre 1h30 ela conseguiu falar com uma pessoa que atendeu o telefone e era um funcionário da Santa Casa de Santos”, diz. A esposa da vítima foi até o hospital junto ao patrão de João. Antes mesmo de sua chegada, o mineiro já havia morrido. A jovem explica que, assim que chegou, sua mãe já foi recebida por uma equipe que conversou e a preparou para receber a notícia do falecimento de seu companheiro. Em seguida, fez o reconhecimento do corpo. Como Mariana é gestante, não foi avisada sobre a morte do padrasto dela de imediato. Foi apenas avisada no dia seguinte. A espera foi para evitar com que o nervoso prejudicasse, de alguma forma, a gestação do filho dela. “Quando eu soube, tentei me acalmar e fiquei bem nervosa, principalmente pela minha mãe também. Ele era da nossa família”. João era casado há 12 anos com a mãe de Mariana e, desde então, conviveram juntos dentro da mesma casa. A jovem cita que sempre houve uma relação de muito respeito e harmonia entre eles. “Só temos informação que um veículo atingiu ele, porque estava no documento da Santa Casa, e quem encontrou foi o pessoal da Ecovias. Parece que lá não tem câmeras por perto, então não sabemos a placa do carro. Como era um dia chuvoso, acreditamos que não tinha muito movimento. A bicicleta dele ficou intacta, sequer tinha uma roda amassada. O problema foi todo nele”, comenta. Tudo que Mariana alega saber é que o padrasto dela saiu para trabalhar em um dia comum, ficou um tempo conversando com o patrão e colegas após a saída do trabalho e às 8 horas foi embora. “Ele estava trabalhando na Vila Margarida e nós moramos no Jockey Clube. Tem um acesso que é pela rodovia e acreditamos que ele achou que seria mais tranquilo, porque devia estar muito cheio. Nos entornos enche bastante e ele estava com equipamentos do serviço”, afirma. João deixou uma esposa, dois filhos e duas enteadas. A família da vítima mora em Minas Gerais e apenas a mãe conseguiu comparecer ao velório dele. Por falta de dinheiro, o filho não pôde comparecer e a outra filha está morando fora do Brasil. “É horrível. A morte dele foi muito trágica. Acidentes acontecem, mas você não prestar atendimento já mostra que a pessoa estava errada. Às vezes, os poucos minutos que a pessoa tivesse parado e acionado a ambulância, teria salvado a vida dele. Mas se não tem monitoramento, como a gente encontra o culpado?”, alega. Agora a família aguarda por respostas da Justiça e uma investigação para concluir o caso e entender o que aconteceu na noite em que João morreu. “Queríamos que, no mínimo, essa pessoa seja indiciada para dar alguma explicação, porque não sabemos de nada além de que ele morreu”. MemóriasMariana relata que vive uma mistura de sentimentos, afinal se o motorista não tivesse omitido o socorro, talvez João tivesse chance de sobrevivência e poderia retornar para casa em algum momento após a recuperação. “Ele tinha família, filhos e pessoas que o amavam”. Dentre os diversos amores na vida de João, estava o cãozinho da família chamado ‘Bolinha’. Os dois tinham uma relação profunda de carinho e costumavam terminar o dia juntos. O cachorro já notou a falta do dono. “Quando cheguei no sábado, o cachorro não tinha dormido à noite. Ele ficou bem agoniado e ficou com a minha mãe. Os dois agitados. Agora ele está começando a ficar triste porque está percebendo que o João não está voltando para casa”, relembra. A jovem é categórica ao dizer que a vítima saiu para trabalhar em mais um dia comum e nunca mais voltou. Agora resta a saudade. “Ele era quieto, com aquele jeito mineiro dele. Era simpático com todo mundo, dava risada. Gostava de tomar uma cerveja com os amigos e era muito querido pelo pessoal do bairro. Era uma pessoa que vivia para trabalhar, acordava todos os dias às 5 horas e no final do dia ficava no sofá com o cachorro, sentado vendo televisão. Uma vida tranquila”. A Ecovias, concessionária responsável pelo Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI), informou que a ocorrência foi aberta por volta das 22h30 e foi finalizada às 1h15 da manhã. O acidente aconteceu na faixa 1 da SP-059 (Interligação Baixada) por veículo não identificado. A concessionária, em nota, lamentou o ocorrido e informou que, nove minutos após o registro do acidente, a ambulância da Ecovias estava no local, prestando atendimento à vítima. Também reforçou que o acidente foi registrado no fim da noite, na altura do km 01 da Interligação Baixada, em Cubatão, dentro de um trecho que possui iluminação artificial. Sobre o monitoramento por câmeras, a concessionária disse que sua principal função é monitorar o tráfego de veículos, podendo identificar congestionamentos, incidentes e outras ocorrências que exijam uma ação. Por isso, a Ecovias explicou que as câmeras são instaladas em pontos altos, que permitem visualizar grandes trechos e a mais próxima fica a 1 quilômetro do local, mas estava virada na direção do maior fluxo de veículos no momento do acidente. Ainda em nota, a concessionária esclareceu que não tem poder de polícia para fiscalizar, multar ou perseguir qualquer motorista infrator, mesmo dentro de seu trecho de concessão. A Ecovias alegou que apenas fornece tecnologia e recursos em apoio ao policiamento, responsável por esse trabalho. A Santa Casa de Santos, por meio de sua assessoria, disse que não tem autorização para dar informações sobre pacientes. Sendo assim, não houve posicionamento sobre o caso de João. A Polícia Civil esclareceu que o caso citado foi encaminhado ao 2° DP de Cubatão para investigação. "A bicicleta da vítima foi apreendida e periciada. Os laudos estão em andamento e serão analisados pela autoridade policial assim que finalizados", diz a nota da Secretaria de Segurança Pública (SSP), garantindo que diligências prosseguem para esclarecimento de todas circunstâncias dos fatos. A Tribuna procurou a Polícia Militar Rodoviária (PMR) para mais informações sobre o caso, mas não recebeu retorno até a publicação desta matéria.