O vereador Raulzinho da Farmácia (PRD) criticou julgamentos feitos nas redes sociais e disse que muitas pessoas julgam sem conhecer (Reprodução/ YouTube/ Câmara Municipal de Apiaí - SP) Em pronunciamento na tribuna da Câmara Municipal de Apiaí, no Vale do Ribeira, interior de São Paulo, o vereador Raul Adil Alves Miranda (PRD), de 47 anos, conhecido como Raulzinho da Farmácia, afirmou que viveu “um fatídico momento, um triste momento, um injusto momento”, que, segundo ele, acabou se transformando em “um verdadeiro espetáculo, um show de pirotecnia”. O parlamentar é investigado pela Polícia Civil pela troca de mensagens de cunho sexual e fotos íntimas com adolescentes. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O vereador relatou ter passado por dias de tensão e tristeza e questionou, em sua fala, os motivos de enfrentar essa situação. Segundo ele, para preservar a normalidade dos trabalhos legislativos e proteger a imagem da Câmara e da população de Apiaí, solicitou o afastamento da função que exercia na Mesa Diretora, como segundo secretário. “Para preservar a normalidade dos trabalhos desta honrosa casa e proteger a imagem da Câmara Municipal e da população de Apiaí, solicitei o meu afastamento”, afirmou. Ele explicou que, com o coração e a mente em paz, deixou a função para ter liberdade de tomar qualquer atitude que considere necessária. Durante o discurso, Raul afirmou que vieram a público informações de um inquérito em seu nome e classificou o episódio como “uma grande confusão de fato”. Disse que a situação está sendo tratada com o devido processo legal e com respeito à Justiça, instituição pela qual declarou ter “imensa admiração”. O vereador ressaltou que as investigações tramitam em segredo de Justiça e afirmou que não fará novas manifestações públicas. “Não vou conceder entrevistas ou comentários de mídias sociais, escrita ou televisiva. Esse é o caminho mais responsável nesse momento”, disse, pedindo compreensão da população. Em diversos momentos, Raul pediu que as pessoas confiem na Justiça. “Confie na justiça dos homens, confie que os fatos serão apurados com o equilíbrio, a responsabilidade e o rigor da lei”, afirmou. Em seguida, recorreu à fé, dizendo confiar “acima de tudo na justiça de Deus”, por acreditar que Deus conhece seu coração, sua verdade e sua história. Satisfação à população O parlamentar afirmou que deve satisfação do exercício do mandato a toda a população do município e não apenas aos eleitores que o escolheram. Disse que uma trajetória não se constrói da noite para o dia, mas com caráter, trabalho e dedicação. Raul também agradeceu o apoio que afirmou ter recebido após a repercussão do caso, relatando visitas em sua casa e “centenas e centenas” de mensagens de carinho. Segundo ele, cada abraço e cada palavra de apoio foram fundamentais para levantar a cabeça e seguir em frente. O vereador criticou julgamentos feitos nas redes sociais e disse que muitas pessoas julgam sem conhecer. Relatou ter sido alvo de comentários ofensivos, inclusive de pessoas com quem conviveu, o que classificou como doloroso. Ainda assim, afirmou que escolheu responder com trabalho. Continuará mandato Ao longo do discurso, Raul reafirmou que seguirá exercendo o mandato até o último dia. Disse que nunca afirmou trabalhar pela reeleição, mas, sim, cumprir o mandato que lhe foi confiado. “Permaneço honrosamente exercendo meu mandato, trabalhando nesta casa até o último dia”, declarou. Na parte final, afirmou que ser investigado não significa ser culpado. Disse que seguirá enfrentando o que vier pela frente e que sua dignidade, lealdade e hombridade não serão derrubadas. O pronunciamento foi encerrado com agradecimentos à família, aos colegas vereadores e à população, sob aplausos no plenário no último dia 12 de fevereiro. Relembre o caso O vereador foi preso em 30 de janeiro por armazenamento de pornografia infantojuvenil em sua casa, em Apiaí, no Vale do Ribeira, no interior de São Paulo. Segundo as investigações da Polícia Civil, o político trocava mensagens íntimas, de cunho sexual e com nudez explícita, com três adolescentes, além de fornecer anabolizantes e substâncias ilícitas aos menores. A investigação começou após um pai procurar a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Piracicaba, relatando que encontrou no celular do filho, de 16 anos, conversas de cunho sexual e troca de imagens íntimas com o vereador. Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, policiais localizaram imagens de conteúdo íntimo em aparelhos do investigado. Os agentes também apreenderam medicamentos e outros materiais em sua residência e na farmácia da qual é proprietário. Raul foi preso em flagrante e levado à Delegacia de Capão Bonito. Após audiência de custódia, a Justiça determinou sua soltura em 31 de janeiro, após acolher argumentos da defesa, que alegou irregularidades na prisão.