Calouro pediu desligamento da universidade em Santos após repercussão das ameaças contra colega universitária (Reprodução/ Redes sociais) A universitária que foi ameaçada pelo calouro Yuri Cassano, de 20 anos, pediu medida protetiva de urgência contra ele em Santos, no litoral de São Paulo. Segundo a denúncia, o estudante afirmou que estupraria e agrediria fisicamente a jovem após ela recusar manter relações sexuais e não demonstrar interesse em um relacionamento. O caso foi registrado como ameaça, injúria e violência doméstica e é investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) informou que a vítima formalizou o pedido de proteção, e que outros detalhes estão sob sigilo devido à natureza dos fatos. Investigação Segundo a delegada Deborah Lázaro, titular da DDM de Santos, a universitária compareceu à delegacia nesta segunda-feira (2) para oficializar o registro da ocorrência. A polícia já havia sido comunicada sobre o caso e realizava investigações preliminares. Embora o boletim tenha sido registrado como ameaça, a Polícia Civil avalia se o caso também poderá ser enquadrado como incitação ao crime. Isso porque o calouro participava de um grupo no qual eram compartilhados conteúdos envolvendo violência. Mensagens enviadas pelo calouro à universitária em Santos repercutiram em grupos (Reprodução/ Redes sociais) Mensagens e repercussão As capturas de tela que vieram a público mostram frases em que o estudante dizia que estupraria a colega e a agrediria “até ficar cega”, além de afirmar que iria mascarado para não ser reconhecido. As mensagens teriam sido enviadas dias antes de uma festa de recepção aos calouros realizada na universidade de Santos. Após a repercussão do caso, Yuri admitiu ter enviado as mensagens, afirmando em um grupo que tudo não passava de uma “brincadeira entre amigos”. Em nota divulgada por meio do advogado do calouro, ele reconheceu ter cometido “um erro grave e profundamente infeliz”. Em vídeo publicado nas redes sociais, o universitário pediu desculpas à sociedade e, em especial, à comunidade de Santos. Ele declarou que procurou diretamente a jovem para pedir perdão e afirmou estar ciente de que o ambiente privado não justifica, em hipótese alguma, o que foi dito. Desligamento da universidade O calouro solicitou o próprio desligamento da instituição de ensino onde havia se matriculado recentemente. A informação foi confirmada pelo advogado Fábio Bosquetti Costa, que afirmou que a decisão foi tomada em conjunto com a família. Yuri já estava afastado e proibido de frequentar o campus desde que os prints se tornaram públicos. A defesa sustenta que o jovem e seus familiares passaram a receber ameaças de morte, extorsão e tortura, o que colocaria a integridade física dele em risco. Ainda segundo o advogado, as mensagens foram enviadas em um grupo fechado e classificadas pelo estudante como uma “brincadeira de péssimo gosto, horrível e totalmente sem critérios”. Em nota, a universidade informou que trata casos de violência com máxima seriedade, repudia qualquer conduta que viole a dignidade da comunidade acadêmica e confirmou que o jovem não integra mais o quadro de alunos. Caso está sendo investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Santos (Isabela Carrari/ Arquivo Prefeitura de Santos) Como o caso começou Conforme apurado por A Tribuna, os dois estudantes teriam se aproximado após ficarem juntos durante o Carnaval. Eles trocaram contatos e, posteriormente, o calouro passou a se declarar e dizer que estava apaixonado. A universitária afirmou que não tinha interesse em manter um relacionamento. Depois da recusa, Yuri teria reagido com ofensas e ameaças em um grupo de amigos da faculdade. As mensagens teriam sido enviadas pouco antes de um evento universitário. Procurada, a vítima não quis se manifestar.