Danilo Morgado foi preso em Praia Grande por suposto vínculo com o PCC, segundo investigação (Alexsander Ferraz/ Arquivo/ AT) Além de Danilo Morgado (PL), ex-candidato a prefeito de Praia Grande, no litoral de São Paulo, e atual candidato a deputado estadual, outros três homens associados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) foram presos na Baixada Santista, durante a Operação Vectura Corrupta, na quinta-feira (17). A ação apura a atuação da facção no setor de transportes e suas relações com empresários, políticos e advogados. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), a investigação aponta infiltração do crime organizado em 12 empresas de transporte coletivo de passageiros que operam na cidade de São Paulo. Também foi identificado envolvimento do PCC no financiamento de campanhas políticas nas eleições de 2024 e nas deste ano. Segundo a investigação, Danilo Morgado, preso em Praia Grande nesta quinta-feira (17), teria forte vínculo com a organização criminosa, incluindo suposto financiamento de sua candidatura à Prefeitura de Praia Grande, em 2024. Na Baixada Santista, também foram presos André Cassali, o “Irmão Beringela”, em Praia Grande; José Ronaldo Alves de Sales, em Cubatão, e Edson Antonio de Souza, o “Peru”, em Santos, segundo apuração da reportagem. Papéis no esquema André Cassali, conhecido como “Irmão Beringela”, é apontado como um dos responsáveis pelo setor financeiro do PCC e pela logística do transporte de drogas da fronteira com a Bolívia até a Baixada Santista. Irmão Beringela também seria interlocutor direto e atuaria como intermediário entre integrantes da facção, empresários, advogados, políticos e pessoas próximas a políticos. Edson Antonio de Souza, o “Peru”, é apontado como responsável por intermediar interesses do PCC em procedimentos licitatórios de diferentes cidades. Já José Ronaldo Alves de Sales, segundo a investigação, atuaria nos meios político e de transportes, fazendo a ligação entre integrantes do PCC e políticos e auxiliando em trâmites licitatórios. Ele teria participação na corrupção de agentes públicos ainda não identificados. Principal investigado Considerado o principal investigado da Vectura Corrupta, José Daniel Satilite, conhecido como “Alemão”, é apontado como integrante do PCC e intermediário entre integrantes da facção, empresários, advogados, políticos e pessoas próximas a políticos. Segundo a apuração, ele atuaria para atender aos interesses da organização criminosa e aparece como interlocutor direto de vários dos investigados. Morgado continua preso Conforme noticiado por A Tribuna, Morgado passou por audiência de custódia na manhã desta sexta-feira (18) e continua preso. A detenção decorre de mandado de prisão temporária. Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), a audiência verificou eventual irregularidade, que não foi constatada. O advogado de Morgado, Marcelo Viela Fernandez, afirmou não ter identificado elemento objetivo que demonstre vantagem financeira, favorecimento indevido ou benefício relacionado à campanha de 2024. Segundo a defesa, as referências ao crime organizado e ao tráfico de drogas nos autos dizem respeito a fatos anteriores atribuídos a outros investigados, sem vínculo direto com Danilo Morgado ou com os fatos eleitorais. A defesa afirmou que adotará as medidas jurídicas cabíveis. A Tribuna não localizou as defesas dos outros presos na Baixada Santista. O espaço segue aberto para manifestações. Balanço Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), a Operação Vectura Corrupta cumpriu 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão, resultando em dez presos até o momento. Foram apreendidos 60 armas, 20 carregadores e diversas munições. Também foram presos Milton Leite (União Brasil), ex-presidente da Câmara de São Paulo e candidato a deputado federal neste ano; um ex-servidor da Prefeitura que atuava na SPTrans, e Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans. Ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite é citado na investigação como responsável direto pela operação de algumas empresas que, segundo a polícia, seriam controladas pelo PCC. Milton Leite foi detido em Mogi das Cruzes nesta sexta-feira (18), após se entregar à polícia. Em um de seus endereços, em Sorocaba, foram encontrados e apreendidos cerca de R\$ 280 mil e US\$ 89 mil em espécie. Desdobramento A operação é um desdobramento da Operação Dercúrio, de agosto de 2024, contra a lavagem de dinheiro do tráfico. As investigações apontaram ao menos 12 empresas de transporte coletivo na Capital e no interior com indícios de uso para lavagem.