[[legacy_image_9042]] Três homens foram indiciados em inquérito policial, com base na Lei dos Crimes Ambientais, devido ao armazenamento clandestino de grande quantidade de produto químico em uma marcenaria em Santos. Durante incêndio no local, a substância estocada irregularmente liberou gás e intoxicou dezenas de pessoas. O episódio aconteceu no galpão da Rua Dr. Cochrane, 66, entre as ruas João Pessoa e General Câmara, no Paquetá. Na madrugada de 8 de outubro de 2018, o local pegou fogo. Durante o combate às chamas, o inesperado aconteceu. Em contato com o produto (sulfeto de alumínio) armazenado de forma irregular, a água jogada pelos bombeiros produziu reação química que liberou gás tóxico (hidreto de fósforo). “Mais de 40 pessoas foram ouvidas no inquérito e identificamos três pessoas responsáveis de algum modo pela estocagem do produto químico em desacordo com a legislação”, declarou a delegada Deborah Perez Lázaro, titular do 4º DP de Santos (Vila Nova). Eles foram indiciados pelo crime descrito no Artigo 56 da Lei 9.605, de 1998. [[legacy_image_9043]] A regra considera crime punível com reclusão, de um a quatro anos, e multa o ato de produzir, processar, embalar, importar, exportar, comercializar, fornecer, transportar, armazenar, guardar, ter em depósito ou usar produto ou substância tóxica, perigosa ou nociva à saúde humana ou ao meio ambiente, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou nos seus regulamentos. Um dos indiciados é José Roberto dos Santos. Ele sublocou o galpão a Marcelo Martins, também responsabilizado criminalmente. O terceiro indiciamento recaiu sobre o dono de uma empresa de serviços de fumigação, Carlos Giovani Tubino Dutra, que alugou a área de Marcelo Martins e depositou no local cerca de três toneladas do sulfeto de alumínio. Os três admitiram a estocagem irregular. De acordo com a delegada, o Núcleo de Perícias Criminalísticas de Santos não conseguiu apurar a causa do incêndio. Porém, laudo de engenheiro concluiu que o fato provocou “nefasto impacto na qualidade do ar e do meio ambiente”, frisou Deborah Lázaro. Devido à reação química que resultou na liberação do gás, 23 agentes do Corpo de Bombeiros e cinco da Guarda Portuária foram internados no Hospital das Clínicas, em São Paulo. O grupo atuou no combate às chamas. Cerca de 70 moradores do entorno foram encaminhados à Santa Casa de Santos com sintomas de intoxicação. “O cheiro era insuportável. Pensei que ia desmaiar”, relatou na época uma moradora para A Tribuna. [[legacy_image_9044]]