A investigação segue em andamento para identificar outros envolvidos e aprofundar a apuração sobre a atuação da quadrilha de São Vicente (Polícia Civil) Uma travesti de 23 anos foi presa temporariamente e outras três foram indiciadas durante operação da Polícia Civil que investiga um esquema de extorsão que teria atraído vítimas para uma residência em São Vicente, no litoral de São Paulo. A ação foi realizada nesta sexta-feira (6) por equipes do 2º Distrito Policial (DP) de Cubatão, na Baixada Santista. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com o boletim de ocorrência, policiais civis cumpriram mandado de prisão temporária e de busca e apreensão contra uma travesti, de 23 anos, em imóvel localizado na Vila Mateo Bei, em São Vicente. A operação foi coordenada pelo investigador-chefe Ricardo da Silveira Cáceres e supervisionada pelo delegado titular Wagner Camargo Gouveia. Durante as buscas, a travesti foi localizada dentro da residência e teve a prisão temporária cumprida. Após a captura, ela foi conduzida à delegacia, onde a autoridade policial ratificou a prisão e determinou sua condução ao Instituto Médico Legal (IML) para exame cautelar. Posteriormente, foi encaminhada ao 1º Distrito Policial (DP) de Guarujá, onde permanece à disposição da Justiça para audiência de custódia. Durante a operação, quatro celulares encontrados no imóvel foram apreendidos para verificação. Após análise preliminar e diante da ausência de indícios de relação com o crime, os aparelhos foram devolvidos aos proprietários. Segundo a Polícia Civil, a travesti admitiu participação no esquema. Em depoimento, afirmou ter cedido um cômodo da residência para uso dos demais investigados e disponibilizado sua conta bancária para o recebimento de valores transferidos por vítima. O esquema de extorsão As investigações tiveram origem em um caso ocorrido em 1º de dezembro de 2025, quando um homem, de 52 anos, trafegava com uma caminhonete pela Estrada Metalúrgico Ricardo Reis, em Cubatão. Segundo relatório preliminar da Polícia Civil, o veículo foi fechado por uma motocicleta com dois ocupantes, que anunciaram assalto e obrigaram o motorista a seguir para outro local. Durante o trajeto, a vítima foi encapuzada e teve o controle do veículo assumido pelos criminosos. Durante a investigação, foi apurado que o homem havia mantido contato prévio com uma das investigadas para um encontro no imóvel. Após análise de mensagens e depoimentos, ele relatou que foi até o local por vontade própria, mas acabou sendo extorquido depois que chegou à residência. O homem foi levado para um imóvel onde, de acordo com a investigação, havia várias mulheres e travestis, local que aparentava funcionar como um prostíbulo. No local, os criminosos exigiram senhas do celular e das contas bancárias da vítima, além de realizarem agressões quando algumas transações não eram autorizadas. Durante a ação criminosa, foram efetuados saques e transações bancárias que totalizaram R\$ 6.899,96. O valor inclui uma transferência via Pix de R\$ 1 mil para a conta da travesti presa, saques em caixas eletrônicos que somaram R\$ 5,8 mil e uma compra de R\$ 99,96 em um estabelecimento comercial. Após as transações, os criminosos liberaram a vítima e o veículo em uma rua próxima ao bairro Vila Margarida, em São Vicente. Investigação Conforme o relatório policial, o endereço onde ocorreu o crime já foi citado em outros boletins de ocorrência relacionados a extorsões com características semelhantes. A investigação aponta que vítimas eram atraídas até o imóvel e, uma vez no local, eram mantidas sob ameaça e obrigadas a realizar transferências bancárias ou saques em dinheiro. Ainda segundo a apuração da Polícia Civil, o grupo utilizava um mesmo padrão de atuação, levando vítimas a caixas eletrônicos da rede Banco 24 Horas para realizar retiradas de dinheiro. Durante o procedimento investigativo, a vítima também realizou o reconhecimento dos envolvidos. De acordo com a Polícia Civil, três suspeitos foram reconhecidos pessoalmente como participantes do crime, enquanto outra investigada foi identificada por meio de fotografias. A investigação segue em andamento para identificar outros envolvidos e aprofundar a apuração sobre a atuação do grupo. Os demais suspeitos identificados durante as investigações foram indiciados pela autoridade policial.