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Domingo

20 de Outubro de 2019

Traficante internacional e líder do PCC, guarujaense é preso no Rio de Janeiro

Conhecido como André do Rap, homem utilizava o Porto de Santos para enviar drogas

Seguido pela vida de luxo foi preso ontem André de Oliveira Macedo, o André do Rap, traficante internacional e um dos líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), de Guarujá, que tinha como base a cidade de Santos e mantinha casa de veraneio em Angra dos Reis (RJ), onde foi detido.

Suspeito de gerenciar a exportação de cocaína da facção criminosa para a Europa via Porto de Santos, o traficante estava foragido desde 2014. Foi condenado pela 5ª Vara Federal de Santos numa ação com outros réus, oriunda da Operação Oversea, da Polícia Federal. Ontem, foi pego por agentes da Divisão Antissequestro do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope).

Após três meses de investigação e suspeita de que André do Rap não estava morto, a polícia seguiu como pistas uma mansão de R$ 22 milhões recentemente comprada, uma lancha de R$ 6 mi e helicópteros. 

O traficante tinha ligações com pai e filho italianos da Ndrangheta (associação mafiosa da Calábria, Itália), presos recentemente em Praia Grande.

Lancha Azimut 60 pés, avaliada em R$ 6 milhões e comprada recentemente no nome de um empresário levantou suspeitas (Foto: Divulgação)


Ganhou notoriedade no mundo do crime por ser substituto de Wagner Ferreira da Silva – vulgo Cabelo Duro – executado em fevereiro do ano passado por participar dos assassinatos de Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e Fabiano Alves de Souza, o Paca, em fevereiro de 2018, em Fortaleza (CE). Gegê e Paca também eram integrantes da cúpula do PCC, em favor de Marcola.

Pela influência, André do Rap passou a comandar o tráfico também do Porto do Pará, após a morte do Gegê do Mangue e do Paca. Era um dos mais fortes do PCC em liberdade.

Além de levá-lo, os policiais da Divisão antissequestro de São Paulo, em Angra dos Reis, apreenderam um helicóptero e uma lancha Azimut 60 pés, avaliada em R$ 6 milhões e comprada recentemente no nome de um empresário dono de uma moto CG – o que levantou suspeitas, segundo o delegado Fabio Pinheiro Lopes, da Dope. Ele que acompanhou André do Rap de Angra dos Reis a São Paulo.

“Ele vendeu uma lancha mais antiga há 30 dias por R$ 3,5 milhões e comprou essa mais nova, mas ele diz que não é dele. Ela está em nome de um empresário. Esse empresário tem uma moto CG. Como que alguém que tem uma moto CG tem uma lancha de R$ 6 milhões?”, questionou Lopes, ao desembarcar no hangar da Polícia Civil no aeroporto Campos de Marte, na Capital.

Helicóptero de luxo também foi apreendido (foto: Divulgação)

O helicóptero apreendido também era de luxo. Avaliado em R$ 7 milhões, não era o único. Havia outro em São Paulo e a casa onde André do Rap foi encontrado tinha sido alugada por ele há um ano e meio, mas ainda com seis meses de contrato mensal de R$ 20 mil.

Outra casa do traficante, também em Angra dos Reis, foi avaliada em R$ 22 milhões.

A polícia ainda não sabe quem deve assumir o comando do tráfico no lugar dele. A Polícia Civil apura, agora, lavagem de dinheiro – única parte que transformaria o status do PCC para máfia ou cartel.

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