Jogador, atualmente no Náutico/PE, foi ofendido por torcedor após perder um pênalti (Raul Baretta/Santos FC.) Um torcedor do Santos foi condenado por prática de ato racista contra o atacante Bruno Mezenga, ex-jogador do Peixe e atualmente no Náutico/PE. O caso ocorreu no ano passado e a pena, determinada pela juíza Silvana Amneris Rôlo Pereira Borges, da 6ª Vara Criminal de Santos, é de cumprimento de 2 anos de prestação de serviços a entidade assistencial, hospital, escola, orfanato e afins, bem como o pagamento de um salário-mínimo (R\$1.412,00). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! No dia 31 de maio do ano passado, o Santos foi eliminado da Copa do Brasil nos pênaltis para o Bahia, em Salvador. Mezenga, que havia anotado gol no tempo normal, perdeu uma das penalidades, ocasionando na queda do Peixe na competição. O estudante Paulo Lima Yamauti Morales, então, escreveu em um grupo de Whatsapp o seguinte texto: “Eu saí da faculdade, vim escutar o jogo na rádio (sic) 'pq' vi que ia pros pênaltis. Vi que o JP (João Paulo, goleiro do Santos) precisava pegar (um pênalti) pro Santos não ser eliminado, já sabia que ia perder aí. Na hora que ele pegou nem acreditei. e a desgraça macaco (sic) do mezenga erra”. Ele afirmou, em juízo, que o fez “de cabeça quente” e que “acabou digitando esta mensagem ofendendo a vítima. (...) logo que enviou a mensagem, percebeu que havia exagerado nas palavras, de modo que, dois minutos depois, apagou a mensagem para todos os membros do grupo. Entretanto, membros do grupo tiraram "print" da mensagem e a enviaram à assessoria do jogador. Tomou conhecimento da divulgação de sua mensagem quando o Santos Futebol Clube divulgou uma nota oficial sobre o caso”. O torcedor tentou falar com o representante de Mezenga e o próprio jogador, sem sucesso. Conseguiu contato com a gerência de comunicação do clube e que “tentou fazer com que o ofendido “retirasse a queixa””. “É certo que a prova aqui colhida bem indica que o réu, utilizando-se de elemento referente à raça e à cor, injuriou a vítima, ofendendo sua dignidade e decoro (...) Verifica-se na conduta do acusado a clara e evidente intenção de diminuir e discriminar o ofendido em razão de sua cor e raça, ferindo-o em sua dignidade ao chamá-lo de "macaco"”, afirma a juíza, no seu despacho. Justiça feita Procurado pela Reportagem de A Tribuna, Bruno Mezenga mostrou alívio pela decisão. "A justiça foi feita e a impunidade não prevaleceu. A punição do agressor não apaga o que aconteceu, mas envia uma mensagem de que o racismo não pode ser tolerado”, afirmou. Advogado do Santos na época e que auxiliou na defesa de atleta, Felipe Rossetto entende que a decisão da magistrada foi recebida como um passo muito importante na luta contra o racismo, na sociedade e no esporte. “A internet não é terra de ninguém como pensam, e as pessoas devem sim ser responsabilizadas pelo que escrevem. Que a condenação faça com que outros racistas tenham medo de praticar novos crimes”, afirma. A advogada de Bruno Mezenga, Pollyana Leal, relata que soube da decisão da juíza de Santos por outro torcedor. “Não posso dizer que me alegro, por todo o contexto que envolve a questão, mas fico profundamente satisfeita. Essa decisão é uma demonstração de que não há espaço para o racismo no futebol”, emenda. A Reportagem não conseguiu contato com a defesa do réu.