Uma ocorrência com troca de tiros entre policiais militares e criminosos terminou com a apreensão de mais de 7 quilos de maconha, veículos, celulares e objetos ligados ao tráfico de drogas na tarde de terça-feira (12), na Vila Margarida, em São Vicente, no litoral de São Paulo. Apesar da detenção de um suspeito, a Polícia Civil decidiu não converter a prisão em flagrante por entender que não havia provas suficientes para vinculá-lo diretamente aos crimes investigados. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo o boletim de ocorrência obtido por A Tribuna, policiais militares realizavam patrulhamento na parte da tarde pela Avenida Brasil, quando decidiram desembarcar das viaturas para fazer uma incursão a pé em um beco. As equipes seguiram até uma área próxima à maré e retornaram por outro acesso conhecido como “Canal do Meio”, que também dá saída para a Avenida Brasil. Os agentes disseram que, durante o trajeto, visualizaram uma residência com a porta aberta e diversos indivíduos em seu interior, além de objetos relacionados ao tráfico de drogas. Ainda conforme o registro policial, ao perceberem a aproximação das equipes, os suspeitos fugiram por uma janela localizada na parte oposta da residência. Um cabo da PM perseguiu quatro homens pelos fundos do beco e conseguiu capturar apenas um deles, de 27 anos. Segundo os policiais, este homem teria confessado informalmente que preparava drogas para comercialização dentro da residência. O suspeito, no entanto, negou a versão durante depoimento prestado na delegacia. Após a captura, o policial retornou com o acusado até o imóvel, onde apreendeu drogas, celulares e objetos relacionados ao tráfico enquanto aguardava apoio policial. Outro cabo relatou ainda que ouviu disparos de arma de fogo durante a perseguição, mas disse não saber quem efetuou os tiros, nem de onde partiram os disparos. Enquanto isso, os demais policiais seguiram atrás de outros suspeitos que fugiam pela comunidade. Três policiais perseguiram dois homens, mas não conseguiram localizá-los. Já outros dois PMs relataram terem sido alvo de diversos disparos de arma de fogo durante a ocorrência. Conforme o boletim, os tiros teriam sido revidados. Após a troca de tiros, os agentes buscaram abrigo e aguardaram reforço policial. Com a chegada do apoio, os policiais fizeram uma varredura pela região e encontraram rastros de sangue. Segundo o registro, o ferido teria seguido até a Avenida Brasil, onde entrou em um Renault Kwid branco cercado por populares. O veículo fugiu logo depois. Em seguida, as equipes retornaram ao imóvel onde o suspeito permanecia detido junto ao policial que realizou a captura. Apreensão de drogas No local, foram apreendidos 7,095 quilos de maconha. De acordo com o boletim, eram 2,160 quilos da droga divididos em aproximadamente 650 porções e outros 4,935 quilos armazenados em 22 tijolos. Também foram apreendidos uma balança, uma faca, uma tábua de madeira, seis rolos de filme PVC, dois martelos de borracha, cartões bancários, uma CNH, R\$ 10 em dinheiro e seis celulares de diferentes marcas. Além disso, os policiais recolheram três veículos ligados à ocorrência: uma motocicleta Mottu Sport 110I preta, uma Honda NC 750X vermelha e um Hyundai HB20S branco. O boletim também registra a apreensão da pistola Glock calibre .40 pertencente ao policial militar que revidou os disparos. A arma continha 12 munições íntegras. Na delegacia Em depoimento, o suspeito negou envolvimento com o tráfico de drogas e afirmou que caminhava sozinho em direção à casa de um amigo quando ouviu disparos de arma de fogo. Segundo ele, ao perceber o tiroteio, começou a correr, assim como outras pessoas que estavam na rua naquele momento. O suspeito afirmou que acabou sendo abordado por um policial militar, que o levou até a residência onde as drogas haviam sido apreendidas. Ele negou ter estado dentro do imóvel, afirmou que não portava drogas ou armas e disse que jamais confessou participação no tráfico. O suspeito declarou ainda que trabalha atualmente como ajudante de pedreiro em obras próximas de onde mora e afirmou que possui uma condenação anterior por tráfico de drogas, datada de 2019, mas que mudou de vida após deixar o sistema prisional. O investigado também disse acreditar que câmeras de segurança instaladas em residências da região podem comprovar sua versão dos fatos. Perícia A Polícia Civil acionou a perícia para o local da ocorrência e solicitou acesso às imagens das câmeras corporais utilizadas pelos policiais militares. No despacho, o delegado destacou que nenhuma das seis bodycams registrou o início da ocorrência, o momento em que os suspeitos teriam sido vistos dentro da casa, a suposta fuga pela janela ou a captura do investigado. Segundo o delegado, um policial informou que acionou sua câmera corporal apenas após deter o suspeito e entrar na residência. Já outros dois policiais disseram que ligaram os equipamentos somente após a troca de tiros. A autoridade policial apontou ainda que o suspeito não portava drogas, armas, dinheiro, anotações do tráfico ou qualquer outro objeto que comprovasse ligação direta com o imóvel ou com o confronto armado narrado pelos policiais. “O álibi apresentado pelo suspeito encontra, inclusive, parcial amparo na própria narrativa policial”, escreveu o delegado no boletim de ocorrência. Ainda conforme o despacho, os elementos existentes contra o investigado se restringiam “essencialmente, à palavra de um único policial militar, desacompanhada de outros elementos independentes de corroboração”. Diante disso, o delegado decidiu não decretar a prisão em flagrante e determinou o registro da ocorrência para continuidade das investigações. O caso foi registrado no 2º Distrito Policial (DP) de São Vicente como tráfico de drogas, tentativa de homicídio e localização e apreensão de veículo.