Tiktok baniu conta do grupo que transmitiu o crime ao vivo (Reprodução) A conta do TikTok usada pelo grupo que agrediu e roubou o engenheiro ambiental e mestrando Marcelo de Oliveira Rocha, de 28 anos, foi banida pela plataforma. Em nota, a rede social confirmou que o perfil violou as Diretrizes de Comunidade e afirmou que está colaborando com as autoridades policiais na investigação do caso. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Marcelo morreu na segunda-feira (26), após ser agredido e roubado depois de se afastar de uma apresentação da Banda Esquerdantina, que participava de um ato em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na madrugada da última segunda-feira (25), em Santos, no litoral de São Paulo. O crime foi transmitido ao vivo pelo TikTok para dezenas de pessoas. Inicialmente registrado como roubo com resultado de lesão corporal grave, o caso passou a ser investigado pela Polícia Civil como latrocínio, roubo seguido de morte. “Lamentamos profundamente o ocorrido com Marcelo e nos solidarizamos com a sua família. A segurança é uma prioridade máxima para o TikTok e mantemos uma postura de tolerância zero contra qualquer forma de comportamento violento e criminoso em nossa plataforma”, destacou a empresa. Suspeitos foram apreendidos Dois adolescentes suspeitos de envolvimento no crime foram apreendidos na terça-feira (27). Conforme apurado por A Tribuna, um deles, de 17 anos, é suspeito de ter dado o soco que derrubou a vítima. Ele foi localizado em Itariri, no Vale do Ribeira, e levado a Santos. O outro adolescente, de 14 anos, se apresentou no 3º Distrito Policial (DP), onde foi ouvido e apreendido. Segundo informações apuradas pela TV Tribuna, sete pessoas foram identificadas como suspeitas de participação no crime, sendo cinco adolescentes e dois adultos. Além dos dois apreendidos, outros três adolescentes e dois adultos foram identificados. Mandados de prisão e de internação provisória foram expedidos. Relembre o caso O crime ocorreu por volta das 3h, na Rua Henrique Ablas. Imagens de câmeras de segurança mostram Marcelo, sozinho e usando camiseta branca, sendo abordado por dois homens. Em seguida, outros integrantes do grupo se aproximam e o cercam. Durante a transmissão ao vivo, um dos suspeitos exige o celular e ameaça matá-lo caso não entregue o aparelho. Na sequência, a vítima é atingida por um soco e cai. Após a agressão, os suspeitos pegam os pertences de Marcelo. Ao perceber que ele está desacordado, um deles comenta: “Vish, nossa. Dormiu, louco”. Pessoas que acompanhavam a transmissão também aparecem interagindo com quem filmava. O TikTok, no entanto, não informou se esses usuários também tiveram as contas banidas. Preocupados com a demora, amigos procuraram Marcelo e o encontraram inconsciente. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) o levou à Santa Casa de Santos. Depois, ele foi transferido para o Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), na Capital, mas não resistiu. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que o 4º Distrito Policial (DP) de Santos trabalha para identificar e localizar os envolvidos. Segundo a pasta, a apuração utiliza imagens de câmeras de monitoramento e de redes sociais, além de depoimentos de testemunhas, para identificar a participação de cada agressor. Grupo cobra justiça Após a confirmação da morte, a Banda Esquerdantina divulgou uma nota lamentando a perda. “Marcelo era um de nossos inúmeros amigos, razão de existirmos como Grupo. Sua perda nos indigna ao mesmo tempo em que denuncia a vulnerabilização dos que se reúnem no campo democrático para expressar sua opinião e o direito de ser quem somos”, diz trecho da publicação. Ainda na nota, o grupo criticou a falta de proteção oferecida para o evento e cobrou a punição dos responsáveis. “Marcelo morreu na defesa de uma sociedade justa e fraterna representada na causa que apoiou e que venceu. Toda solidariedade e apoio aos familiares e amigos. Justiça Para Marcelo”, declarou a banda. Apesar do posicionamento, ainda não há confirmação de que a agressão tenha sido motivada por homofobia ou divergências políticas.