[[legacy_image_255840]] Um homem, de 39 anos, foi assassinado pela própria vizinha, de 24, durante a madrugada desta terça-feira (21), no bairro Liberdade, em São Paulo. O técnico em eletrônica Eduardo Paiva Batista morreu na frente da esposa e da filha de 3 meses. Ele foi sepultado no dia seguinte em São Vicente, onde cresceu e vivia parte de sua família. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Em entrevista para A Tribuna, a esposa da vítima, Samantha de Carvalho Firmino, de 39 anos, conta que conheceu Eduardo na Baixada Santista, mas ambos foram morar na capital - onde ele trabalhava - há pouco menos de um ano. Segundo ela, o assassinato aconteceu após um desentendimento com os vizinhos que moravam no andar de cima do prédio na Rua Glicério. Samantha lembra que na noite de segunda-feira (20), o marido chegou do trabalho, notou uma bituca de cigarro na varanda do apartamento deles – que fica no primeiro andar do prédio – e disse acreditar que novas pessoas tinham se mudado para o apartamento de cima. Um tempo depois, a mulher contou para Eduardo que o aplicativo do seu banco notificou sobre a chegada de seu cartão no endereço, mas que ela não tinha recebido. Por isso, o técnico em eletrônica afirmou que iria perguntar para a vizinhança sobre o fato. “Ele foi ao vizinho do andar de baixo e nesse vizinho de cima, novo, que ele também não conhecia, nem eu”, afirma Samantha, dizendo que acredita que o marido tenha comentado sobre a sujeira na varanda. Segundo ela, Eduardo retornou ao apartamento por volta das 22h30 e ninguém disse ter recebido o cartão. Por volta da 1h30 da madrugada de terça (21), o casal foi surpreendido pelos gritos de uma mulher. “Ficou uns 10 minutos gritando o nome de algumas pessoas na frente do portão do prédio, que não tem porteiro, nem nada. Fiquei nervosa. Não ia abrir porque eu não conheço, daí falei: ‘meu, dá para você parar de gritar na frente da minha janela? Eu estou com uma bebê pequena, ela está dormindo’. Ela respondeu: ‘moça, por favor, abre o portão para mim, preciso entrar, sou moradora nova, mudei ontem’”. Samantha diz ter explicado que não poderia abrir, pois não a conhecia. No entanto, a mulher respondeu que morava com a irmã e ela não estava atendendo, mas a informação poderia ser confirmada com o proprietário do apartamento. Sendo assim, a esposa de Eduardo pediu para ele abrir o portão e foi esperar o marido na porta do apartamento. “Ele desceu, abriu o portão para ela, que falou ‘obrigada’ e subiu as escadas. Meu marido subiu logo em seguida e entrou em casa”, relembra. CrimeA esposa da vítima relata que, por volta das 5h, ela e o esposo ouviram batidas na porta do apartamento e acordaram assustados. Eles perguntaram quem era e uma mulher e um homem responderam que queriam conversar. “Era um rapaz e uma outra menina que eu não sabia quem era, nunca tinha visto, nem ele nem ela. Se meu marido viu, foi na hora que subiu no apartamento pra perguntar do cartão”, explica. Samantha conta que a dupla começou a fazer acusações, dizendo que os vizinhos tinham aberto o portão e ‘tirado’ com a irmã deles. O casal se defendeu, dizendo que na verdade tinham ajudado a mulher que estava para fora. “Tanto meu marido, quanto eu, falamos: ‘ninguém tirou ninguém, a gente ajudou sua irmã. Ela pediu para abrir o portão porque estava com medo de ser assaltada na rua, sem chave’”. Ainda segundo a esposa da vítima, os vizinhos insistiram na história. “Nessa gíria de malandro, de ‘tirar’ a pessoa”. Desta forma, Eduardo questionou o motivo da conversa às 5h e Samantha também resolveu interver. “Me exaltei e falei: ‘gente, vocês deveriam agradecer. A gente ajudou a irmã de vocês, ninguém tirou ninguém’. Nisso, foi uma questão de três minutos de conversa, a menina já tirou uma faca bem rapidamente e acertou ele (Eduardo)”, lembra Samantha. Segundo ela, a “facada fatal” acertou a região entre o pescoço e peito da vítima, que entrou para o apartamento sangrando. “Eu fechei a porta porque pensei que quem dá uma facada, dá duas ou três. Minha filha acordou e começou a chorar assustada, meio que tremendo”. Samantha acionou a polícia enquanto segurava a bebê de 3 meses no colo e tentava ajudar o marido, tampando o ferimento com um lençol. “Ele caiu de bruços perto da copa que tinha no apartamento e ali ficou [...] Eu no telefone pedindo socorro e ele, agonizando, falou: ‘eu vou morrer’”. Os policiais chegaram e, ao ouvirem a versão de Samantha, buscaram pelos acusados, mas já não encontraram ninguém. Pouco tempo depois, Eduardo foi socorrido ao Pronto-Socorro de Ipiranga, mas não resistiu. Segundo Samantha, ela foi orientada a deixar o apartamento e, enquanto descia do prédio, o vizinho do andar de baixo relatou que os novos moradores estavam em sua casa um pouco antes do crime. “Disse que essas pessoas estavam bebendo no apartamento dele, que era um pessoal novo que tinha se mudado no dia anterior, eram do Nordeste”, afirma a viúva. O caso foi registrado no 8º Distrito Policial (DP) de São Paulo. Revolta Filho de Samantha, Gustavo Carvalho Firmino Moya, de 23 anos, mora em São Vicente e foi alertado sobre o ocorrido por volta das 6h de terça-feira (21). Ele diz que logo pediu um motorista de aplicativo para ir à capital e soube do falecimento do padrasto ainda no carro. “Foi uma perda enorme [..] Ele foi um pai pra mim, era um pai ótimo para minha irmã, um marido maravilhoso pra minha mãe”, afirma o jovem, que agora luta por justiça. “A gente não quer que ela (vizinha) consiga se esconder, a gente quer justiça, pelo menos vai conformar um pouco nosso coração. Ela é uma assassina, desgraçada e pode matar mais pessoas”, afirma Gustavo, que faz a própria investigação sobre a mulher. Segundo o boletim de ocorrência, foi apurado que os suspeitos eram do apartamento nº 4. A acusada de dar a facada foi reconhecida pela esposa da vítima (por fotos) como uma das novas moradoras do imóvel. Ela tem 24 anos e segue foragida, bem como os outros dois envolvidos. “A gente sente muito e é difícil de acreditar como uma medíocre, uma menina de 24 anos, tem coragem de estragar a vida dando uma facada em alguém. Ela não pode ficar em sociedade”, finaliza Gustavo.