[[legacy_image_80914]] A ex-soldado da Polícia Militar Jessica Paulo Nascimento, de 28 anos, revelou, em entrevista para a reportagem de A Tribuna, que tem “sentimento de impunidade” e está “decepcionada com a corporação” após o anúncio de aposentadoria e promoção a coronel do policial acusado por ela de assédio sexual e ameaças de morte. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! “Tenho o sentimento de impunidade e decepção com a corporação. Hoje, ele possui um status de coronel, que é a última patente da PM. E eu, que fui prejudicada, tenho o status de quem teve que pedir demissão”, relata a ex-soldado. “Hoje, ele se encontra como um aposentado, com uma vida cheia de garantias”. Embora tenha relatado o sentimento após receber a notícia de promoção do membro da PM, Jessica contou que, após registrar as denúncias, sentiu-se um pouco melhor. “Passei a ter paz, senti que eu fiz a coisa certa e, apesar de ter pedido a demissão, a sensação de poder colocar isso tudo pra fora é libertadora”, conta. “Tenho recebido muito apoio de familiares, amigos, pessoas que passam por isso. Mulheres e homens vêm desabafar sobre os tipos de assédios que passam no seu local de trabalho”. No sábado (17), foi publicado no Diário do Estado de São Paulo que o policial em questão foi promovido de tenente-coronel para coronel depois de se aposentar da corporação. A equipe de A Tribuna entrou em contato com a Polícia Militar, que afirmou que é frequente o ato de promoção após a aposentadoria. A reportagem também entrou em contato com o advogado de Jessica no caso, Sidney Henrique, que afirmou que, embora não tenham ficados surpresos com a promoção do oficial, que é “automática” uma vez que um membro da corporação se aposenta, o fato não muda o cenário da apuração do caso. “Do que tange a apuração, a responsabilidade na esfera criminal que estava sendo apurada continua normalmente e, se resultar em uma condenação, a aposentadoria dele não interfere em nada”. O advogado também não descartou a possibilidade da perda a aposentadoria do policial dependendo do desfecho do caso. "Pelo óbvio, há a necessidade que ele responda a um processo administrativo, que se chama Conselho de Justificação. Pode resultar, mesmo ele sendo aposentado, em uma demissão, uma perda do posto que ele ocupa, agora, como coronel. Ele pode perder sim o posto. Não estou dizendo que ele vá perder, mas estou dizendo que há essa possibilidade”, registra Henrique. “E como a conduta em tese, repito, em tese criminosa, ocorreu enquanto ele estava ‘na ativa’ na Polícia Militar, existe sim a possibilidade da aposentadoria dele ser cassada, e isso é normal dentro da Justiça Militar”. Relembre o caso Em abril deste ano, a ainda soldado da PM Jéssica Paulo Nascimento acusou o tenente-coronel de assédio sexual e ameaças de morte. De acordo com seus relatos, tudo começou em 2018, quando ele havia assumido o comando do Batalhão da Zona Sul de São Paulo e a conheceu. Após as “investidas” que, segundo ela, aconteceram presencialmente e, principalmente, através de aplicativos de mensagens no celular, seguidas de humilhações e ameaças por áudios quando se recusou a encontrar o superior, Jéssica pegou férias e, na sequência, uma licença oferecida pela psiquiatria da PM. Depois de seis meses de licença, quando não conseguiu mais prolongá-la, resolver pegar uma em outro formato que, segundo ela, é sem vencimento e não remunera o profissional por dois anos. Jéssica e sua família decidiram se mudar para a cidade de Praia Grande para ficar longe das ameaças, mas em maio foi forçada a pedir exoneração do cargo.