[[legacy_image_274246]] Marcos Muryllo de Sousa Costa, de 20 anos, que era soldado do Exército em Guarujá, litoral de São Paulo, foi morto a tiros durante uma operação da Polícia Militar (PM), na Vila Baiana, na noite de domingo (11). Segundo o boletim de ocorrência, ele estava armado com um fuzil - que não pertence ao Exército e estava com a numeração raspada - e entrou em luta com os agentes quando foi abordado. Outros dois suspeitos foram presos. A irmã de Marcos, Mayra Isabela de Sousa Costa, disse para A Tribuna que o irmão não morava no local e tinha ido na comunidade apenas para visitar a filha, de um ano e cinco meses. "Ele viu a filhinha dele e estava indo para a casa da minha avó. Quando ele foi (sair para) buscar a moto dele, a polícia apareceu", conta Mayra. Ao saber do ocorrido, ela disse que foi na comunidade para saber detalhes sobre a abordagem, que ocorreu no cruzamento das ruas Mário Malheiro e Argentina. "Ele não correu (da abordagem), porque ele sempre falava que não devia nada. Ele falou 'sou militar, sou militar', mas não quiseram saber", afirma. O Comando Militar do Sudeste (CMSE) disse, em nota, que Marcos Muryllo era soldado da Bateria do Comando de Defesa Antiaérea, e que as circunstâncias da morte estão sendo apuradas. Mayra lembrou, ainda, que Marcos se formaria em 15 dias em um curso de promoção a cabo, sendo esse um sonho de vida. Ele estava nas Forças Armadas há um ano e quatro meses. "Ele estava lá em casa, no Parque da Enseada, antes de ir (ver a filha). A gente mora todo mundo junto. Só a filha dele e a mãe que moram separados. Ele falou que ia sair, se arrumou e saiu. Foi a ultima vez que a gente viu ele", lamentou, emocionada. [[legacy_image_274247]] Relembre o caso De acordo com o boletim de ocorrência, Marcos Muryllo e outros dois envolvidos foram abordados pela PM na noite de domingo (11), em razão do local dos fatos "ser ponto de tráfico de drogas e dominado pelo crime organizado". Durante a abordagem, o soldado do Exército teria, segundo a PM, entrado em luta corporal com os policiais, enquanto os demais tentaram fugir, mas foram capturados. Conforme o boletim de ocorrência, na briga, Marcos teria pegado um fuzil que trazia preso na lateral do corpo. Os PMs disseram que, em legítima defesa, atiraram contra ele, que morreu no local. A PM apreendeu o fuzil. Já com os outros dois detidos, a polícia diz ter encontrado mais de mil porções de drogas, entre maconha e cocaína, uma pistola .40 com dez cartuchos íntegros e um rádio comunicador. O sepultamento de Marcos Muryllo ocorreu nesta terça (13), no cemitério da Vila Júlia, em Guarujá. Posicionamento A PM disse que "todas as circunstâncias do fato estão em apuração em Inquérito Policial Militar". Segundo a corporação, uma equipe do Comando de Operações Especiais (COE) "foi surpreendida por três indivíduos, sendo que um deles portava um fuzil e atentou contra os policiais". A Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP) disse que os outros dois envolvidos, de 38 e 40 anos, foram presos por tráfico de drogas e posse ilegal de arma de fogo, e que as polícias Civil e Militar investigam o caso.