'Serial killer' da peruca foi procurado até nos Estados Unidos e em Portugal

Polícia investigou todas as pistas sobre provável paradeiro de dentista até ser preso, em Santos

Por: Eduardo Velozo Fuccia & Da Redação &  -  30/11/18  -  09:38
Dentista afirmou que só vai se manifestar em juízo
Dentista afirmou que só vai se manifestar em juízo   Foto: Vanessa Rodrigues/AT

Durante o período em que Flávio Graça esteve foragido, surgiram informações de que ele poderia estar no Acre, em Santa Catarina, em outros estados e até mesmo fora do País. Ohomem, acusado de ser o 'serial killerda peruca', é acusado de matar três irmãos ligados à Clínica Americana e de tentar eliminar a tiros uma funcionária da rede de consultórios odontológicos. De acordo com o diretor do Deinter-6, delegado Manoel Gatto Neto, todas as pistas sobre o provável paradeiro do dentista foram checadas, inclusive, as que davam conta de que ele poderia estar nos Estados Unidos ou em Portugal.


A última delas apontava como provável refúgio do acusado o município paulista de Araraquara, mas, como as anteriores, não foi confirmada.


Na metade deste ano, surgiu uma informação de que Flávio foi visto no Terminal Rodoviário do Jabaquara, na Zona Sul de São Paulo.


Os policiais da Deas tiveram acesso a imagens de câmeras de segurança do terminal. Eles viram um homem realmente parecido com o acusado e passaram a cogitar a hipótese de que ele poderia ter retornado à Baixada Santista.


As investigações se intensificaram na região e resultaram na prisão do acusado nesta quinta-feira (29). O delegado Renato Mazagão acredita que Flávio voltou para Santos no início de outubro.


“A Polícia Civil nunca desiste da solução de um caso. Nenhum deles é esquecido”, declarou Gatto, ao elogiar a equipe da Deas pela elucidação dos crimes em série e a captura do dentista.


Advogada da vítima sobrevivente, Mayara Gil Fonseca compareceu na quinta-feira ao Palácio da Polícia, onde fica a Deas, e contou que a cliente ficou aliviada ao saber da captura do dentista. Segundo ela, a ex-funcionária de Flávio pouco sai de casa, porque ficou traumatizada e sempre acha que o acusado a está seguindo.


Suspeito optou por não se manifestar sobre caso


O dentista apontado como autor de três ataques contra pessoas ligadas à extinta Clínica Americana nada declarou ao ser questionado sobre os crimes pelos policiais da Deas.


Orientado pelos advogados Patrick Cardoso e Eugênio Malavasi, que compareceram à delegacia especializada, Flávio Graça manifestou o direito constitucional de apenas se pronunciar diante de um juiz.


Por volta das 15 horas de quinta-feira, após a conclusão das formalidades de praxe quanto à captura, o dentista foi levado sob forte aparato policial ao Instituto Médico Legal (IML) para ser submetido a exame de corpo de delito. Esse procedimento é de rotina, antes de um procurado da Justiça ser recolhido à cadeia. Ele serve para detectar eventuais lesões decorrentes de violência policial.


O delegado Renato Mazagão Júnior disse que o dentista não esboçou reação ao ser capturado. O acusado decidiu falar apenas para dizer que comprou o RG falso na Praça da Sé e para reclamar que as algemas estavam apertando os seus pulsos.


Flávio foi recolhido à cadeia anexa ao 5º DP de Santos. Os advogados Cardoso e Malavasi afirmaram que pleitearão a transferência do cliente para a Penitenciária de Tremembé, no Vale do Paraíba.


Esta unidade é considerada neutra, no sentido de não ser controlada por facções criminosas. Ele abriga e já abrigou presos considerados, de algum modo, vulneráveis a possíveis retaliações da população carcerária comum.


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