[[legacy_image_175072]] Começa nesta quarta-feira (11), por volta das 9h, no Fórum de Santos, o segundo dia de júri popular de Flávio do Nascimento da Graça, o Maníaco da Peruca. Na data, devem ser ouvidas as testemunhas de defesa e os peritos. Flávio é acusado de assassinar três pessoas da mesma família em 2014 e 2015. Na terça-feira (10), o julgamento começou com cerca de duas horas de atraso. Nove testemunhas foram ouvidas, entre elas dois sobreviventes do crime. Neste primeiro dia de julgamento, o tema foi o comportamento do réu e se ele é capaz de responder pelos crimes. Em entrevista para a TV Tribuna, afiliada Rede Globo, o advogado de defesa Eugênio Malavasi, disse que a coleta dos depoimentos comprovou os fatos que foram levados a efeito. Entretanto, existe, através da prova de acusação, indício de um comportamento irregular de Flávio até na gestão da clínica. Já Augusto Miglioli, advogado da família das vítimas, diz acreditar que o acusado sabia o que estava fazendo. "Tanto o Ministério Público quanto nós, assistência a acusação, estamos convictos de que, ao contrario do que sustenta a defesa, Flávio tinha plena capacidade mental de compreensão dos atos ilícitos praticados, como também tinha plena condição de pré-determinação em relação a esses atos. Ou seja, ele não só conhecia o caráter ilícito do que praticava como também poderia deixar de praticar", disse o advogado à TV Tribuna. Inicialmente, o júri estava marcado para 5 de abril, mas foi adiado para 10 de maio. De acordo com informações da TV Tribuna, o motivo do adiamento foi a ausência de três testemunhas que não foram encontradas pela Justiça. A defesa alegou que uma delas era peça-chave para o julgamento, pois tratava-se de um perito que fez um laudo sobre a saúde mental do réu. Relembre os crimes A primeira vítima do Maníaco da Peruca foi Agilson Correa de Carvalho, 54, morto com um tiro na cabeça quando saía da filial da Clínica Americana do Gonzaga, na Avenida Floriano Peixoto, na noite de 23 de dezembro de 2014. A ação foi filmada por uma câmera de segurança e mostrou o agressor disparando na direção de Agilson e o sobrinho, que saiu ileso do ataque. Na noite de 15 de julho de 2015, a irmã de Agilson, Aldacy Correa de Carvalho, 56, foi assassinada após sair da unidade da Clínica Americana, na Rua João Pessoa, no Centro de Santos. Ela estava acompanhada pelo irmão, Arnaldo Correa de Carvalho, 54, que também foi baleado e morreu após passar quatro meses internado. Na ação, um sobrinho das vítimas também foi atingido por disparos de raspão no nariz e na nuca, mas sobreviveu. Uma funcionária da clínica também foi baleada por Flávio Graça no dia 23 de setembro de 2015, no Gonzaga, mas apesar de alvejada, também sobreviveu. Depois de quase quatro anos foragido, o dentista foi preso no dia 29 de novembro de 2018 em Santos. As três vítimas eram sócios da clínica odontológica Americana. Segundo as investigações, Flávio Graça, que tinha um consultório na mesma rua de uma das clínicas concorrentes, teria ido à falência e queria se vingar dos proprietários. Flávio do Nascimento Graça está preso preventivamente na Penitenciária 2 de Tremembé, no Vale do Paraíba, no interior de São Paulo.