[[legacy_image_285232]] Antes de se entregar à polícia, Erickson David da Silva, apontado como atirador que matou um policial da Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (Rota) em Guarujá, litoral de São Paulo, gravou um vídeo pedindo para que parassem com a 'matança' na cidade. A gravação foi criticada pelo secretário estadual de Segurança Pública, Guilherme Derrite, que disse se tratar de estratégia da defesa do suspeito. Durante entrevista coletiva nesta segunda-feira (31), no Palácio dos Bandeirantes, Derrite afirmou aos jornalistas que as autoridades tiveram acesso a um áudio da defesa de Erickson, pedindo que ele fizesse a gravação. [[legacy_image_285147]] "A verdade é que esse vídeo foi orientado pelos seus defensores. Inclusive tem áudio do advogado dele orientando a fazer esse vídeo. É uma estratégia do crime organizado, inclusive de cooptar moradores das comunidades, que também são vítimas, apresentando versões", criticou o secretário. Na entrevista, Derrite também comentou sobre relatos da ouvidoria da Polícia Militar, que recebeu denúncias de moradores sobre torturas e execuções feitas por policiais militares. Tanto o secretário como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmaram que se tratam de 'narrativas', e que, até o momento, não há nada confirmado. "Temos casos de inquéritos policiais militares apontando que a ordem (da denúncia) partiu do crime organizado. Essa versão de indivíduo torturado, isso não passa de narrativa para nós. Não chegou oficialmente nenhuma informação, muito menos indícios e materialidade desses casos", ressaltou. Prisão de Erickson Segundo o secretário, a identificação do homem, de 28 anos, como autor do disparo foi possível após a apreensão de uma nota fiscal relativa a compra de um salgado no local do crime, a comunidade Vila Zilda, em Guarujá. Na sequência, os policiais foram até o estabelecimento onde houve a compra e tiveram acesso a imagens de câmeras de segurança. "Os policiais foram até esse estabelecimento, onde houve a compra de um salgado. Foram atrás das câmeras de segurança, e identificaram o trajeto que uma mulher, que participava da organização criminosa, fez. Foi feita a prisão dela. Através da prova testemunhal dela, chegamos a prisão dos outros criminosos", detalhou. Derrite confirmou ainda que o disparo, feito de uma distância entre 50 e 70 metros, foi feito com uma pistola 9mm. Até o momento, a arma não foi apreendida. Operação Escudo Após a morte do soldado Patrick Bastos Reis, de 30 anos, as polícias Civil e Militar iniciaram a Operação Escudo em Guarujá. Com reforço de cerca de 600 agentes, ela visa prender os responsáveis pela morte e combater o crime organizado. Conforme informado pelas autoridades estaduais, dez pessoas já foram presas e outras oito morreram em confronto a tiros com a polícia durante as ações. Mesmo com a prisão de Erickson e de outros dois suspeitos de participação no crime, a operação seguirá em vigor. Ela tem previsão de durar 30 dias.