[[legacy_image_334031]] O feriado de Carnaval na Baixada Santista conta com um efetivo policial maior do que o de costume. A justificativa é o desencadeamento da 3ª Fase da Operação Verão, iniciada na quarta-feira (7), em anúncio do secretário de Segurança Pública do Estado, Guilherme Derrite. Na ocasião, também foi revelado que o gabinete da Secretaria da Segurança Pública (SSP) foi transferido para Santos por tempo indeterminado, ficando na sede do Comando de Policiamento do Interior 6 (CPI-6). Foram convocados para se unirem às corporações da região 400 policiais militares e 150 policiais civis. Eles vão permanecer na Baixada Santista até o fim da operação, que ainda não tem prazo para ser encerrada. “Para as pessoas que querem vir nesse feriado para a praia, o que posso garantir é que nós aumentamos demasiadamente o efetivo policial para proteger as pessoas e combater o crime ao mesmo tempo”, declarou Derrite. O secretário também afirmou que a segurança será reforçada nas áreas onde os turistas costumam frequentar. “O que eu garanto é que nós estamos fazendo de tudo para combater o crime organizado de maneira inteligente para as pessoas que vão passar o feriado aqui.” Aumento da violência na Baixada SantistaO secretário da SSP associou o fortalecimento da criminalidade à falta de ações em governos anteriores. “Esse trabalho de inteligência e combate ao crime organizado foi negligenciado por muitos e muitos anos, durante décadas, no Estado de São Paulo.” Segundo ele, a geografia e o aumento do tráfico internacional intensificado entre 2014 e 2015 são motivos que levaram ao aumento do crime na região, trazendo, inclusive, lideranças de organizações criminosas ao litoral. "O crime é uma atividade econômica como outra qualquer e a facção criminosa, quando descobriu que a receita se tornou muito maior através do tráfico internacional percebeu que era menos perigoso do que explodir caixas eletrônicos, cometer roubos a bancos, realizar ações como o 'novo cangaço’. Então o tráfico acabou sendo menos perigoso e mais lucrativo para o crime organizado.” Segundo Derrite, é por esse motivo que ações como a Operação Verão e a Operação Escudo fazem parte de um sistema de inteligência para enfraquecer essas organizações. "Seja resgatando territórios tomados pelos criminosos ou atacando as fontes de recursos do tráfico". “Nosso interesse é desarticular o crime organizado, capturar essas principais lideranças e asfixiar financeiramente a organização criminosa", disse. Combate ao crimeAté o fim da operação, que não tem prazo para ser concluída, a Secretaria de Segurança Pública deve traçar novas formas de combate ao crime na Baixada Santista. Novas formas de policiamento não estão descartadas, entre elas, o patrulhamento náutico, é o que afirmou o comandante geral da Polícia Militar, Coronel Cássio Araújo de Freiras. “A Companhia de Patrulhamento Náutico tem o objetivo patrulhar em missões policiais no litoral paulista, sobretudo nos canais de Santos, para tirar a capacidade do criminoso de fazer o tráfico nessa região”, pontuou. Gabinete da SSP em SantosO gabinete de Segurança Pública foi transferido para Santos, e, segundo a pasta, ações intensivas têm sido realizadas todos os dias para combater o tráfico de drogas e localizar criminosos envolvidos nos ataques contra policiais. AntecedentesEm janeiro, o policial militar Marcelo Augusto da Silva foi assassinado numa tentativa de latrocínio, na interligação da Rodovia Anchieta-Imigrantes, em Cubatão. Um dos acusados pelo crime foi preso, com o irmão gêmeo, também procurado pela Justiça. No dia 2 de fevereiro, o soldado Samuel Wesley Cosmo foi morto com um tiro no rosto durante patrulhamento no bairro Bom Retiro. Um dia depois, um policial foi atingido por um tiro de raspão, após trocar tiros com bandidos no bairro São Jorge. Um suspeito morreu. Cinco dias depois, o cabo José Silveira Santos, do 2º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) foi baleado em um conjunto habitacional no Jardim São Manoel, mas não resistiu. Um outro policial foi atingido no braço e segue internado no Hospital Santa Casa. Um cortejo foi realizado pelas ruas de Santos em homenagem ao cabo Silveira até o Cemitério Municipal da Areia Branca. De acordo com a SSP, desde a morte do soldado Samuel Cosmo, cinco policiais, sendo três deles na Baixada Santista, perderam a vida em confronto com bandidos. Nesse mesmo período, 12 suspeitos foram mortos. Em meio ao aumento das mortes, Guilherme Derrite disse, ainda, que a situação não se trata de uma guerra. "Não colocaria dessa forma, uma situação de guerra.É um combate ao crime organizado e ação de inteligência nas forças policiais."