Reconstituição do crime foi fundamental para entender dinâmica do assassinato (Redes sociais e Vanessa Rodrigues/AT) A Polícia Civil e o Ministério Público (MP) concluíram, a partir da reconstituição do crime e da conclusão do inquérito, que o assassinato de Amanda Fernandes foi premeditado em Santos, no litoral de São Paulo. Ela foi morta pelo próprio companheiro, o sargento da PM Samir Rodrigues de Carvalho, e a Polícia acredita que o crime foi motivado por ciúmes. O crime aconteceu no dia 7 de maio, dentro de uma clínica localizada na Avenida Pinheiro Machado, no bairro Marapé. Samir foi preso em flagrante e a esposa teve a morte constatada no local. A filha do casal, de 10 anos, sofreu ferimentos e ficou internada por três dias. No último dia 22, foi realizada a reconstituição do crime. A princípio, conforme registrado em boletim de ocorrência, Samir revelou estar desarmado aos agentes. A Polícia Civil também acreditava que ele teria pegado uma arma que estava em uma outra sala na clínica, assim como o punhal utilizado no crime. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Na reconstituição, porém, foi revelado que Samir escondeu os armamentos nas calças para acessar o consultório, revelando a intenção de cometer o assassinato. No local, ele teria discutido com a mulher na recepção momentos antes, e ela se abrigou na sala do médico. Ao entrar na sala, ela acionou a Polícia Militar (PM) e ficou escondida com ajuda do profissional, que bloqueou a porta com cadeiras. Assim que os agentes chegaram no local, abordaram Samir. No entanto, o promotor do MP disse que a perícia ainda não apontou se ele foi revistado. Crime aconteceu em clínica localizada na Avenida Pinheiro Machado, na Vila Belmiro, em Santos. O sargento da Polícia Militar (PM) Samir Carvalho, de 46 anos, se rendeu e foi preso em flagrante (Reprodução e Daniel Rodrigues/AT) Em um determinado momento, após o médico abrir a sala em que as vítimas estavam, Samir sacou a arma e disparou três vezes contra Amanda. Ele ainda golpeou a mulher com 51 facadas. De acordo com o advogado da família, Claudino Vicente dos Santos, que também acompanhou a reconstituição, os PMs estavam a cerca de dois passos de Samir. “Agora, qual vai ser a explicação deles para não terem agido? A gente vai ter que aguardar, mas sem dúvida nenhuma não agiram [...] Está claro que Amanda está morta porque houve omissão do Estado”, disse Claudino Vicente dos Santos, advogado da família. Motivação Em entrevista à TV Tribuna, Deborah disse que todos os envolvidos foram ouvidos e os laudos foram juntados no inquérito policial, que foi encaminhado ao Fórum de Santos. Além de ter sido indiciado por feminicídio, ela afirmou que Samir também deverá responder por tentativa de homicídio contra a filha. A delegada ressaltou que foi essencial para o esclarecimento da dinâmica da ocorrência e conclusão do inquérito. A partir disso, o Ministério Público (MP) deve avaliar o documento e decidir se há provas suficientes para oferecer uma denúncia e levar o caso à Justiça. “A motivação foi ciúmes. Ele achava que a Amanda o estava traindo. Coisa que não aconteceu, mas ele achava. E essa foi a causa deste crime horrível”, disse Deborah à TV Tribuna. Deborah ainda ressaltou que a conduta dos agentes está sendo investigada por meio de um inquérito instaurado pela Polícia Militar (PM), que deve decidir se eles serão penalizados ou não. A reportagem solicitou informações à corporação, mas ainda não teve retorno. Versão dos PMs No dia do ocorrido, duas equipes da Polícia Militar foram acionadas para atender a ocorrência, e quatro policiais estavam no local. Dois deles eram motoristas, e permaneceram do lado de fora da clínica. Eles afirmaram que foram levados pela secretária até a sala, onde o médico trancou Amanda e a filha para protegê-las de Samir. Um dos PMs contou que o sargento estava na porta do consultório, calmo e com um sorriso. De acordo com os policiais, Samir levantou a blusa para mostrar que estava desarmado e se aproximou dizendo que era sargento e tinha apenas discutido com a esposa. Os agentes afirmaram que pediram para Samir se afastar e solicitaram que o médico abrisse a porta. Foi neste momento que o sargento passou por trás deles e efetuou os disparos, atingindo a esposa e a filha. Em seguida, ele ainda conseguiu dar 51 facadas em Amanda. Um dos PMs disse que ele e o outro agente tiveram a reação automática de abaixar e procurar um abrigo. Os dois policiais garantiram que apontaram a arma, mas não efetuaram os disparos porque a secretária estava na linha de tiro. No entanto, eles não explicaram como a mulher não foi atingida pelo sargento se a mesma estaria na porta em que ele entrou atirando. Em entrevista à TV Tribuna, Claudino Vicente dos Santos, que é advogado da família, afirmou que a secretária contou ter saído da frente dos policiais assim que a porta do consultório foi aberta. "Não tem essa de linha de tiro. Se for essa a argumentação deles, está totalmente furada", garantiu ele. Os policiais acrescentaram que gritavam para Samir largar o revólver, enquanto pediam para a secretária sair da frente para que pudessem entrar na sala. Quando a mulher saiu, ainda de acordo com os policiais, o sargento já tinha terminado os disparos e saiu com as mãos levantadas. Um dos policiais algemou Samir, enquanto o outro agente contou com a ajuda do PM que estava do lado de fora para socorrer a criança. Ao chegar perto da viatura, o agente contou que o sargento apenas disse "ela me traiu", sem expressão alguma.