Samir (à direita) matou Amanda com 51 punhaladas e três tiros e baleou a filha numa clínica no Canal 1, em Santos (Reprodução/ Instagram, Daniel Rodrigues/ AT e Reprodução) A filha de 10 anos do sargento da Polícia Militar (PM) Samir Carvalho, baleada por ele no antebraço e nas pernas, já havia sido agredida pelo policial com um chute e um tapa no rosto após ele implicar por a menina estar colocando muito achocolatado no leite. Isso foi revelado pela avó materna, no depoimento à Polícia Civil, obtido por A Tribuna nesta quinta-feira (22). O PM assassinou a esposa e mãe da garota, Amanda Fernandes, de 42 anos, com 51 punhaladas e três tiros em uma clínica localizada no Canal 1, na Vila Belmiro, em Santos. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! A menina relatou ter visto a mãe ser golpeada com o punhal, socada e baleada pelo pai dentro do consultório médico. Essa informação foi confirmada pela avó e por uma amiga da vítima à Polícia Civil. O assassinato ocorreu por volta das 15h do dia 7, em uma clínica de dermatologia e estética localizada na Avenida Senador Pinheiro Machado, em Santos. A filha do casal, de apenas 10 anos, foi atingida no antebraço e nas pernas ao tentar proteger a mãe, e ficou internada por seis dias. Após o crime, Samir foi preso, conduzido à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Santos e encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes, na capital paulista. A avó da menina relatou à polícia que Samir nunca foi agressivo com ela, mas, em reuniões familiares, ele não se relacionava com ninguém — nem mesmo com os filhos. Segundo a avó, dois dias antes do crime, a neta contou para ela que houve uma ocasião em que estava preparando leite com achocolatado quando Samir implicou, dizendo que estava colocando muito e que iria engordar. A menina continuou preparando a bebida e, então, Samir jogou o leite do copo na pia. Quando ela tentou fazer outro, o pai a chutou e deu um tapa em seu rosto. Sobre o dia do crime, a avó disse que, ao ver a neta no hospital, a primeira coisa que ouviu da menina foi: “Vovó, o papai ficou louco. Ele deu tanta facada na mamãe, e a mamãe estava com o rosto todo cheio de sangue. O papai estava dando soco nela”. A menina acrescentou que, depois disso, foi retirada do local e que "a mamãe estava desmaiada". Em seguida, a criança passou por cirurgia, pois havia levado três tiros, e foi internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Quando a garota foi para o quarto, no dia 9 de maio, a avó contou à neta que sua mãe havia morrido. A menina chorou muito. Ainda naquele dia, ela começou a relatar os detalhes do crime. Segundo a avó, a neta contou que o pai chegou à clínica logo após ela e a mãe, e que ele estava alterado. Amanda "pediu para uma tia chamar a polícia", e o médico trancou a mãe e a filha em sua sala. Após a chegada da polícia, o médico abriu a porta. Segundo a menina, o pai afirmou aos policiais que não estava armado e, em seguida, Samir teria passado entre os dois oficiais, empurrando-os com as mãos, e entrou atirando. A menina disse: “O tio ficou debaixo da mesa e eu corri para a mamãe, mas ela caiu”. Também contou: “Os policiais não fizeram nada”. A avó relatou que a menina disse que, quando o pai atirou, ela ouviu um barulho muito forte, a perna formigou e a visão ficou embaçada. Naquele momento, a criança estava sentada em uma maca, e Amanda se encontrava de pé. A filha relatou que caiu. Nesse momento, foi atingida por um tiro no braço. Mesmo ferida, viu o pai dar tiros, facadas e socos na mãe — sendo o soco o último golpe. Depois disso, os policiais algemaram e levaram Samir. O médico socorreu a menina. Ela chorou e disse à avó: “Vovó, o papai quis me matar. Ele deu tiro e deu facada em mim”. Depoimento da amiga Em depoimento à Polícia Civil, uma amiga da vítima e testemunha disse que a filha do casal se lembra de tudo o que aconteceu. A menina contou que estava sentada na maca, a mãe ao seu lado, e a polícia bateu na porta. Quando o médico abriu, ela viu os dois policiais, mas o pai surgiu atirando. A menina pulou da maca, ficou de pé, sentiu dor intensa, caiu e a visão ficou embaçada. Ao ser questionada se ficou na frente da mãe, a menina respondeu que não, e afirmou que o pai atirou diretamente nela. A menina ainda relatou que, mesmo com a visão comprometida, viu o pai esfaquear e agredir Amanda, que estava com os olhos fechados. Segundo a amiga, os filhos tinham medo de Samir e não gostavam dele. A testemunha contou ainda que a filha do casal era quem mais enfrentava o pai e que, em dezembro do ano passado, Samir chegou a chutá-la.