Samir foi condenado a 123 anos de prisão (Reprodução/ Redes sociais e Vanessa Rodrigues/ Arquivo/ AT) O sargento da Polícia Militar (PM) Samir do Nascimento Rodrigues de Carvalho foi condenado a 123 anos e quatro meses de prisão pelo assassinato da esposa, Amanda Fernandes Carvalho, de 42 anos, e pela tentativa de homicídio da filha do casal, de 10, em Santos, no litoral de São Paulo. A execução da condenação será imediata e a pena será cumprida, inicialmente, em regime fechado. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Conforme apurado junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), a sentença também determinou o pagamento de R\$ 150 mil em indenizações por danos morais, a perda da graduação de sargento e a incapacidade para exercer o poder familiar. Apesar da soma das penas, o tempo máximo de cumprimento de prisão no Brasil é de 40 anos, conforme o artigo 75 do Código Penal. O limite foi ampliado de 30 para 40 anos em 2019, com o chamado Pacote Anticrime. A pena aplicada na sentença, portanto, não corresponde necessariamente ao período que Samir permanecerá preso. Indenizações e perda da graduação Conforme a sentença, Samir deverá pagar R\$ 100 mil aos herdeiros de Amanda e R\$ 50 mil à filha, a título de reparação mínima por danos morais. Os valores serão corrigidos monetariamente e acrescidos de juros. A decisão ressalva que as vítimas poderão buscar na esfera cível a apuração de uma indenização integral, inclusive por danos estéticos. O magistrado também determinou a perda da graduação de 3º sargento da PM. Segundo a decisão, o uso de uma arma pertencente à corporação contra a esposa e a filha é incompatível com a permanência na instituição. A sentença ainda declarou Samir incapaz de exercer o poder familiar. Também vedou sua nomeação, designação ou diplomação para cargos, funções públicas ou mandatos eletivos entre o trânsito em julgado da condenação e o efetivo cumprimento da pena. Relembre o caso O crime ocorreu em 7 de maio de 2025, em uma clínica na Avenida Senador Pinheiro Machado, no bairro Marapé, em Santos. Amanda foi morta com três tiros e 51 facadas. A filha do casal foi baleada nos braços e nas pernas, passou por cirurgia e recebeu alta após seis dias de internação. Samir foi preso em flagrante. Segundo o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), o casal mantinha um relacionamento havia mais de dez anos e tinha dois filhos. No dia do crime, Samir foi até a clínica, onde a mulher e a filha aguardavam atendimento. Após ameaçar Amanda de morte, ele teria escondido uma pistola e um punhal e indicado aos policiais que atenderam à ocorrência que estava desarmado. Em seguida, o sargento sacou a arma, invadiu a sala onde a mulher e a filha estavam e iniciou o ataque. Após atirar contra a esposa, desferiu dezenas de golpes de punhal. Amanda morreu no local, enquanto a filha sobreviveu. O Tribunal do Júri reconheceu o feminicídio e a tentativa de homicídio qualificado contra a menina, acolhendo as qualificadoras apresentadas pela acusação. A sentença fixou 90 anos de reclusão pelo feminicídio e 33 anos e quatro meses pela tentativa de homicídio qualificado. O laudo necroscópico de Amanda apontou 51 ferimentos por arma branca em diferentes partes do corpo, além de três disparos. O documento também identificou lesões fatais no fígado e nos pulmões e ferimentos compatíveis com tentativas de defesa. A causa da morte foi anemia aguda decorrente de hemorragia interna traumática, provocada especialmente pelos tiros. Histórico de violência Segundo pessoas próximas, Amanda enfrentava um histórico de agressões e ameaças por parte do marido, marcado por controle e ciúmes intensos. Uma amiga relatou na época para A Tribuna que a vítima tinha a liberdade restringida e o WhatsApp monitorado pelo sargento. Nas horas anteriores ao crime, ela teria demonstrado medo do que poderia acontecer. Na época, a Polícia Militar também instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a conduta dos agentes que atenderam à ocorrência. Família busca amparo para os filhos Além de acompanhar o julgamento, a família de Amanda continua lutando para garantir amparo financeiro às crianças. Segundo Juliana Terras, advogada da família, para os familiares, especialmente para os filhos da vítima, o júri representa mais do que uma etapa judicial: significa reviver a perda e enfrentar novamente a dor da ausência.