PMs da Rota foram flagrados mexendo na vítima já caída no solo (esq.); caso é citado em relatório do governo de Donald Trump (dir.) sobre piora na situação dos direitos humanos no Brasil (Reprodução e Reprodução/Instagram/Donald Trump) O governo de Donald Trump citou, na terça-feira (12), a morte de Fábio Oliveira Ferreira, de 40 anos, ocorrida em Guarujá, durante a Operação Escudo, que deixou 28 suspeitos mortos no litoral de São Paulo. A menção consta no relatório sobre a situação dos direitos humanos no Brasil. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Fábio foi baleado por policiais militares das Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (Rota) em Guarujá, após resistir a uma abordagem. Nessa ocorrência, dois policiais militares foram denunciados pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e seriam afastados, mas, após o encerramento das investigações, acabaram absolvidos. No documento, o Governo Trump citou: "Em julho, um tribunal de São Paulo acusou dois policiais de um batalhão de choque (Rota) por homicídio qualificado e por obstrução de provas na morte de Fábio Oliveira Ferreira, morto durante a operação em julho de 2023. Um dos réus era o capitão Marcos Correa de Moraes Verardino, um dos coordenadores da operação, que teria disparado três vezes contra Ferreira após ele ter se rendido. O outro réu, o cabo Ivan Pereira da Silva, também da Rota, teria atirado duas vezes no peito da vítima enquanto ela estava caída no chão. Em dezembro, os dois foram absolvidos por tribunais do Estado de São Paulo. O Ministério Público de São Paulo recorreu da decisão, e instâncias superiores ainda analisavam o recurso no fim do ano". Relembre como foi a morte de Fábio Conforme noticiado por A Tribuna em 2023, Fábio foi abordado no Parque Estuário, em Guarujá, na tarde de 28 de julho, quando uma equipe da Rota, em patrulhamento tático, o viu na Rua Albino Marques Nabeto. Segundo o boletim, ele teria resistido à abordagem e tentado sacar a arma que carregava na cintura. Um policial efetuou três disparos e, como ele ainda resistia à prisão, outro agente fez mais dois. Ferido e desarmado, foi levado ao pronto-socorro de Vicente de Carvalho, mas morreu na unidade. Com ele, foram apreendidos um celular e uma pistola calibre .45 com numeração raspada. Caso citado em relatório americano foi uma das 28 mortes da Operação Escudo, ocorrida em 2023, na Baixada Santista (Reprodução) PMs réus Dois policiais militares se tornaram réus por homicídio, após imagens mostrarem os agentes mexendo na vítima caída no chão. De acordo com a denúncia do MP-SP, os policiais abordaram Fábio alegando que ele portava uma arma. Ele teria se rendido com as mãos erguidas. Mesmo assim, o capitão da PM teria disparado três vezes com um fuzil, atingindo o tórax e a mão direita da vítima. Em seguida, outro agente teria feito dois disparos adicionais com Fábio já no solo. A denúncia afirma que esse momento foi filmado por uma pessoa que passava pelo local. No final do ano passado, os dois policiais foram absolvidos pela Justiça de Guarujá. O MP-SP recorreu da decisão. As medidas cautelares impostas aos agentes também foram revogadas, permitindo seu retorno ao serviço. Passagens pela polícia Conforme noticiado pela reportagem na época, segundo a Polícia Civil, Fábio já havia sido preso três vezes e era apontado como um dos chefes de uma facção criminosa na Baixada Santista. Apesar desse histórico, o MP-SP alegava que ele foi baleado após se render e sem oferecer resistência. Relatório sobre direitos humanos no Brasil A morte de Fábio Oliveira Ferreira é citada por um relatório divulgado pelo governo de Donald Trump, que aponta piora na situação dos direitos humanos no Brasil nos últimos anos. No documento, o governo americano cita também ações da Polícia Militar que provocaram diversas mortes na Baixada Santista, entre julho de 2023 e abril de 2024. Nesse período, ocorreram as operações Escudo e Verão, que deixaram 84 suspeitos mortos em supostos confrontos com a PM.