[[legacy_image_339372]] A evolução do telefone para o smartphone permitiu às pessoas acesso fácil e rápido a todo tipo de mídia, conteúdo e, inclusive, à conta bancária. Mas, da mesma forma que a tecnologia oferece facilidades, também abre possibilidades para criminosos aplicarem golpes financeiros utilizando de métodos, muitas vezes, apelativos. Na última semana de fevereiro, foram registradas ocorrências envolvendo golpes telefônicos que chamaram a atenção. Um deles ocorreu em Praia Grande, quando uma mulher foi enganada por um indivíduo - provavelmente um grupo – e transferiu R\$ 1.599 ao suspeito que se passou por um funcionário bancário. Outro, uma Central Telefônica, possivelmente utilizada por criminosos, foi descoberta em São Vicente. Os policiais apreenderam diversos materiais, entre computadores, cartões bancários, chips telefônicos e celulares. Ninguém foi encontrado no imóvel. A Tribuna conversou com a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), que apontou os registros mais comuns envolvendo golpes bancários, e com o delegado de Polícia Civil Fabiano Barbeiro, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Santos, que destacou quais são as atitudes mais indicadas a serem tomadas em situações como essas. Uma das informações mais importantes, segundo a Febraban, é que os bancos podem ligar para os clientes para confirmar transações suspeitas, mas nunca pedem dados como senhas, token e outras informações pessoais. Também não pedem transferências ou Pix, ou qualquer outro tipo de pagamento para supostamente regularizar uma conta. E, por último, os bancos nunca ligam para fazer um estorno de transação através de um telefonema. Golpe do falso sequestroO bandido liga para uma vítima aleatória para exigir dinheiro para um suposto resgate de um parente que estaria sequestrado. Em alguns casos, outro criminoso grita ao fundo, se fazendo passar pelo familiar. Esse crime consiste em chamar a atenção da vítima e obrigá-la a ficar em contato com os bandidos até que os pagamentos sejam realizados. Em algumas vezes, eles a proíbem de desligar o telefone para que não avise a polícia. A orientação da Polícia Civil é que a vítima desligue imediatamente o telefone e avise alguém próximo para entrar em contato com o familiar que supostamente estaria sequestrado ou à polícia. Golpes envolvendo Pix e transferências bancáriasÀ exemplo do que houve em Praia Grande, a vítima recebeu um e-mail – mas também pode ser mensagens via SMS – informando alguma irregularidade relacionada à conta bancária, como uma compra irregular e bloqueio ou clonagem de cartão. É disponibilizado nessa mensagem um telefone, geralmente um número falso de 0800, onde a pessoa entra em contato e é direcionada a conversar com um suposto funcionário de banco. Durante a conversa, ele solicita dados pessoais como nomes, documentos e números de contas em banco. Preocupadas, muitas pessoas fornecem as informações por impulso. Também há grupos criminosos que pedem transferências financeiras para fazer um suposto bloqueio da conta, enganando sobre um método de proteção. Dessa forma, as vítimas são enganadas a ponto de cumprirem as determinações. Quando se dão conta, é tarde demais. Para a Polícia Civil, a primeira recomendação é de jamais fornecer dados pessoais para pessoas desconhecidas. Outra indicação é para que a vítima entre em contato com o próprio gerente da conta ou vá até a agência bancária para explicar o ocorrido. Essas são as melhores formas de descobrir a fraude. Além de que, as agências bancárias não se comunicam com os clientes da forma como os bandidos fazem, mas poucas pessoas sabem. Golpe do falso boletoO grupo criminoso produz um boleto fraudulento utilizando o nome, logotipo e dados de uma empresa conhecida, como companhias telefônicas, de água e esgoto, energia elétrica, bancárias, entre outras. Entretanto, manipulam o código de barras, direcionando o pagamento para uma conta pertencente à quadrilha. As recomendações para evitar cair em golpes como esse são, conferir se os dados de quem vai receber o pagamento correspondem à empresa e/ou ao consumo/compra; verificar se os três primeiros números do código de barras correspondem ao banco, cuja logomarca aparece no boleto; desconfie se há falhas ou espaçamentos muito grandes entre as barras; se houver dúvidas, consultar o fornecedor através de um telefone oficial. Agora, caso a vítima tenha caído no golpe do falso boleto, entre em contato imediatamente com o banco para tentar bloquear o valor. A Polícia Civil também indica tirar cópia dos comprovantes de pagamentos e outros documentos relacionados e procurar a delegacia mais próxima para registrar um boletim de ocorrência (BO). Phishing e golpe do site falsoO nome faz alusão à palavra ‘pescando’, em inglês. Nesse golpe de estelionato, os criminosos enviam mensagens por e-mail ou SMS com links para tentar ‘pescar’ as vítimas. Há casos em que esses endereços eletrônicos, ao serem clicados, baixam um arquivo malware que invade o aparelho celular e recolhe informações como contas, senhas e dados pessoais. Para enganar as vítimas, o conteúdo das mensagens geralmente está associação a questões financeiras, que rendam interesse ao público, como promoções irreais e ofertas para cartões de crédito. A indicação principal é não clicar nesses links. Desconfie. Caso a promoção ou oferta tentadora seja verdadeira, entre em contato diretamente com a agência bancária ou à empresa relacionada através de telefones oficiais. Evite os contatos fornecidos nas próprias mensagens. Outras dicas importantes são a de nunca fornecer dados pessoais e procurar pelo banco para identificar quais os canais de comunicação são utilizados por ele. Afinal, enviar mensagens com links duvidosos não costuma ser uma prática das instituições financeiras. SextorsãoEsse tipo de crime se baseia na ameaça de divulgação de imagens ou vídeos íntimos para exigir dinheiro. A ocorrência consiste na utilização de imagens íntimas compartilhadas pela vítima, furtadas, adquiridas através de um relacionamento anterior - seja com o agressor ou não - ou, ainda, por ameaças falsas. Há ainda criminosos que se passam por outras pessoas para fraudar um suposto interesse amoroso até chegar ao ponto de solicitar e receber fotos íntimas. Com essas imagens, as vítimas são ameaçadas para enviarem mais imagens ou vídeos e/ou para que paguem um valor para evitar o suposto vazamento. A orientação da Polícia Civil nesse caso é de que, jamais, sejam compartilhadas fotos ou vídeos íntimos, evitar tê-los armazenados no celular (caso o aparelho seja roubado o criminoso pode ter acesso ao conteúdo) e suspeitar de amizades e aproximações de pessoas desconhecidas. Para quem foi vítima do crime de sextorsão, é recomendado que a vítima não apague as conversas mantidas com o criminoso, seja por aplicativo de mensagem ou rede social. Caso o bandido tenha feito contato por telefone, anote os números utilizados por ele e horários das ligações e, se for exigida transferência bancária, guarde todos os dados das contas fornecidos pelo indivíduo. Com tudo em mãos, procure por uma delegacia e registre o BO. Clonagem do WhatsAppA quadrilha envia uma mensagem via SMS com um falso código promocional ou código de confirmação para a vítima se passando por um funcionário de banco ou de um site de compras. O indivíduo engana a vítima, solicitando esse código para ativar um suposto anúncio. Porém, esses dados são uma verificação do WhatsApp e, ao recebê-los, o criminoso terá acesso ao aplicativo da vítima, configurando a clonagem. Com isso, ele terá acesso a todos os contatos e poderá se passar por ela para praticar outros crimes, como solicitar transferências bancárias às pessoas próximas, fazendo delas novas vítimas. A principal recomendação é jamais compartilhar códigos (de seis dígitos) ou senhas que chegam via SMS. Porém, ao perceber ter sido vítima do crime, envie um e-mail para “"support@whatsapp.com" pedindo a desativação temporária da conta do WhatsApp, explicando que o número foi hackeado. Inclusive, que os criminosos estão utilizando os contatos para solicitar dinheiro e fazer novas vítimas. Quanto às pessoas que recebem mensagens de conhecidos solicitando empréstimos, o recomendável é entrar em contato com a pessoa, via telefone ou pessoalmente, para se certificar da necessidade. Há direito ao ressarcimento?A Febraban explica que cada instituição financeira possui a própria política de análise e devolução de valores, que é baseada em análises individuais, considerando as evidências apresentadas pelos clientes e informações das transações realizadas. Ainda conforme a Federação, caso o cliente tenha sido vítima de um crime, ele deve notificar imediatamente o banco para que medidas adicionais de segurança sejam adotadas, como bloqueio do app e senha de acesso. Quanto mais rápido fizer a comunicação, maior será a possibilidade de recuperação do valor junto a outros bancos.