[[legacy_image_350298]] A Tribuna teve acesso aos boletins de ocorrência da prisão dos três alvos da Operação Munditia, realizada nesta terça-feira (16), no Litoral de São Paulo e no Alto Tietê. Na Baixada Santista, os presos foram o vereador de Cubatão, Ricardo Queixão (PSD), o advogado Áureo Tupinambá e a servidora pública de Cubatão, Fabiana de Abreu Silva. A ação foi comandada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em parceria com a Polícia Militar (PM). Além das prisões, mais cinco mandados de busca e apreensão foram cumpridos na Baixada Santista. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Ricardo de Oliveira, de 47 anos, foi preso na casa dele, na Vila Mirim, em Praia Grande, por volta das 6h35. Para o cumprimento do mandado de busca e prisão, compareceram policiais militares e um promotor de Justiça. Os agentes foram atendidos pelo próprio vereador, que liberou a entrada no imóvel. [[legacy_image_350299]] Durante as buscas, foram apreendidos dois notebooks, um carregador, seis pendrives, um celular, um comprovante de depósito bancário e diversos documentos referentes a imóveis. Entre os itens pessoais, nada de ilícito foi encontrado com Queixão. O vereador foi questionado pelos policiais e declarou não saber do mandado. Ele foi encaminhado para a Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Praia Grande, sendo acompanhado também pelo seu advogado. O caso foi registrado como captura de procurado e Queixão permanece à disposição da Justiça, aguardando pela audiência de custódia. A reportagem de A Tribuna procurou a Câmara dos Vereadores de Cubatão. Em nota, o Legislativo disse que tomou ciência da operação nesta manhã e que está colaborando com as equipes de investigação, fornecendo todos os documentos solicitados pelas autoridades. Já o advogado de defesa de Queixão, após ser procurado por A Tribuna, não retornou com uma resposta sobre o caso. Prisão do advogadoEm Santos, foi cumprido o mandado de busca e prisão contra o advogado Aureo Tupinambá de Oliveira Fausto Filho, de 41 anos. Segundo as investigações, ele é investigado por ser servidor comissionado da Câmara de Cubatão. [[legacy_image_350300]] O mandado de prisão temporária do advogado foi expedido pela 5ª Vara Criminal da Comarca de Guarulhos. Os agentes militares chegaram à residência dele por volta das 7h30, no bairro Pompéia, em Santos. Na ocasião, alguns objetos pessoais de Tupinambá foram apreendidos pelas equipes do Gaeco. O caso foi registrado como captura de procurado no 7º DP de Santos. O advogado foi encaminhado para a cadeia pública do 5º DP da cidade, permanecendo à disposição da Justiça. O advogado de defesa de Tupinambá, Marcelo Cruz, disse à reportagem de A Tribuna que acompanhou o caso durante toda a manhã. Em nota, observou que o cliente “se encontra sereno, pois, de forma segura, alega não ter participação nas atividades ilícitas em apuração, colocando-se, inclusive, à disposição das autoridades competentes para esclarecer o que for necessário”. Ele ainda afirmou que a defesa técnica solicitou acesso aos autos, a fim de demonstrar a absoluta ausência de responsabilidade criminal do cliente. Áureo Tupinambá estava atuando como servidor comissionado da Câmara de Cubatão. Ele é conhecido por ter feito a defesa do traficante André do Rap, apontado como um dos chefes do PCC, que foi condenado a 25 anos de prisão. Até então, André do Rap está foragido e segue procurado até pela Interpol pelo crime de tráfico internacional de drogas. Prisão da servidoraA servidora pública de Cubatão, Fabiana de Abreu Silva, de 40 anos, foi o terceiro alvo da operação na Baixada Santista. A secretária adjunta de Governo foi presa em casa, no bairro Boqueirão, em Praia Grande, por volta das 6h20 desta terça-feira (16). [[legacy_image_350301]] Os agentes da polícia foram recepcionados pelo marido da servidora. Fabiana estava no imóvel e permitiu a entrada dos oficiais, que fizeram buscas pelo apartamento. Nada de ilícito foi encontrado com ela, que declarou que não sabia nada em relação ao mandado. A servidora foi encaminhada para a CPJ de Praia Grande, onde permanece à disposição da Justiça. O caso foi registrado como captura de procurado. Mesmo com a prisão da servidora pública, a Prefeitura de Cubatão disse que não foi citada na investigação que apura eventuais irregularidades em contratos da Câmara da cidade. Sobre a operaçãoConforme o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), o objetivo da operação é desarticular uma organização criminosa, ligada à facção Primeiro Comando da Capital (PCC), que está sendo investigada por realizar fraudes em licitações em todo o Estado. Para isso, a 5ª Vara Criminal de Guarulhos expediu 42 mandados de busca e apreensão, que foram cumpridos nesta manhã em várias cidades, e mais 15 mandados de prisão temporária, entre elas de três vereadores de cidades do Alto Tietê e do Litoral de São Paulo. [[legacy_image_350302]] As investigações apontam que os envolvidos atuavam em empresas que fraudavam competições em processos de contratação de mão de obra terceirizada em várias prefeituras e câmaras. Contratos em cidades como Guarulhos, São Paulo, Ferraz de Vasconcelos, Cubatão, Arujá, Santa Isabel, Poá, Jaguariúna, Guarujá, Sorocaba, Santos, Buri e Itatiba foram descobertos. Outros municípios também estão com contratos sob análise. Promotores do Gaeco disseram durante uma coletiva realizada nesta terça-feira (16) que a investigação começou a partir de uma suposta irregularidade na Prefeitura de Guarulhos e, depois, foi ampliada para outras administrações públicas. Ainda foi divulgado que o grupo atuava, primeiramente, simulando a concorrência com empresas parceiras ou de um mesmo grupo econômico. Também existe a hipótese de que a organização atuasse corrompendo agentes públicos e políticos, como secretários, procuradores, presidentes de Câmara de Vereadores, pregoeiros, entre outros. Na investigação, ainda são apontados os crimes de fraude documental e lavagem de dinheiro. Ainda segundo informações prestadas durante a coletiva, o grupo criminoso possui contratos que envolvem serviços terceirizados de limpeza, totalizando mais de R\$ 200 milhões angariados nos últimos anos. Por isso, o nome "Munditia" foi dado à operação, pois deriva do latim “limpeza”. As investigações ainda descobriram que alguns membros da organização atendiam interesses da facção criminosa PCC, influenciando a escolha dos vencedores dos processos licitatórios e a divisão de valores obtidos pelos pregões. A operação contou com a participação de 20 promotores de Justiça, 15 servidores e mais de 200 policiais militares, entre operadores de inteligência e policiais táticos. O processo segue tramitando em segredo no Tribunal de Justiça de São Paulo.